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Incentivar o uso da bicicleta

9 de Setembro, 2010
“Volta a Portugal em Bicicleta” de Paulo Guerra passou pelas Caldas da Rainha “Caldas da Rainha é uma cidade igual a tantas outras, perfeitamente ciclável em muitos dos seus percursos, seja por estrada ou por passeio”, disse, Paulo Guerra dos Santos que está a fazer uma maratona de 100 dias por Portugal como forma de […]
Incentivar o uso da bicicleta

“Volta a Portugal em Bicicleta” de Paulo Guerra passou pelas Caldas da Rainha “Caldas da Rainha é uma cidade igual a tantas outras, perfeitamente ciclável em muitos dos seus percursos, seja por estrada ou por passeio”, disse, Paulo Guerra dos Santos que está a fazer uma maratona de 100 dias por Portugal como forma de promover o uso da bicicleta nos centros urbanos. O objectivo é levar a mensagem às 18 capitais de distrito do continente e pelas “principais cidades e vilas de cada região”. Caldas da Rainha foi a 85º etapa, desta verdadeira volta a Portugal em bicicleta. Foi no passado dia 2 de Setembro que Paulo Guerra passou pelas Caldas e encontrou-se com o Vereador da Mobilidade, Hugo Oliveira e passeou pela cidade utilizando as bicicletas de uso partilhado. Depois de passar pelas caldas por bicicleta, o impulsionador do projecto referiu que “grande parte da cidade é plana com inclinações muito suaves” e dentro do conceito da bicicleta como meio de transporte num centro urbano considera que num percurso “de três a sete quilómetros, Caldas da Rainha tem características para quem pode em termos físicos e distância poder utilizar a bicicleta como meio de transporte.” “Vim para o centro da cidade por algumas vias com alguma largura. O veículo ligeiro passava por mim e verifiquei bastante espaço na berma da estrada, onde poderá ser criado um corredor para bicicletas”, apontou. Paulo Guerra, de 37 anos é engenheiro e especialista em vias de comunicação e transportes e autor de uma tese sobre mobilidade em Lisboa, publicada em 2008 depois de andar cem dias sempre em duas rodas na cidade. Na apresentação da sua tese provou que a cidade de Lisboa é “ciclável”, e desmitificou as “desculpas” usadas pelos munícipes para não recorrerem à bicicleta”. Mas Paulo Guerra não ficou por aqui. Em Maio deste ano, o engenheiro, decidiu subir a fasquia do desafio e iniciou uma maratona de 100 dias por Portugal. Já na recta final deste projecto, Paulo Guerra arrancou de Lisboa há mais de três meses, no dia 22 de Maio, acompanhado pelo vereador do ambiente e espaços verdes da Câmara Municipal de Lisboa, José Sá Fernandes, nos primeiros sete quilómetros. Durante estes cem dias de bicicleta o engenheiro tem visitado escolas, universidades, Câmaras Municipais, clubes de btt e ciclismo, numa verdadeira odisseia de promoção da bicicleta como meio de transporte e de troca de informação sobre mobilidade e modos suaves de transporte nas cidades e vilas de Portugal. Sem intenções de fazer um trabalho académico sobre a experiência, Paulo Guerra dos Santos pretende conhecer as medidas que outras cidades e vilas estão a tomar a nível da mobilidade e mostrar que qualquer pessoa pode usar diariamente a bicicleta, embora considere já haver noção da sua importância. “As pessoas já estão sensibilizadas, informadas de que é possível usá-la como meio de transportes, apenas ainda não experimentaram para si próprias e é isso que também vou tentar estimular, que experimentem”, contou. Segundo, Paulo Guerra as ciclo vias não são criadas em meios urbanos defendendo a acalmia de tráfego na cidade de forma a facilitar a circulçãp das bicicletas. “As medidas de acalmia de tráfego surgem como uma tentativa de minimização dos impactes negativos do tráfego motorizado através da imposição de uma moderação das suas velocidades”, explicou o engenheiro, acrescentando que “é necessário promover políticas no sentido de reforçar a prioridade de quem circula em bicicleta ou noutros meios de transporte não-poluentes, em detrimento dos veículos motorizados”. Defende algumas mexidas na legislação. “É preciso mexer um pouco no código da estrada para dar alguns privilégios de segurança à bicicleta”, adiantou. Paulo Guerra vive na baixa de Lisboa e utiliza a bicicleta para deslocações profissionais e lúdicas. Esta ideia surgiu após ter participado em projectos académicos na Holanda, Alemanha e Finlândia, países onde a utilização da bicicleta como meio de transporte é há muito uma realidade. “Quando fui para Holanda em trabalho e o meio de transporte que me deram foi uma bicicleta. Na altura fiquei surpreendido mas depois de ver que a gerência da empresa também se deslocava de bicicleta apercebi-me da realidade daquele local”, contou. Para Paulo Guerra são várias as vantagens em recorrer à bicicleta como meio de transporte citadino e nem o tempo é desculpa para não ir para a escola ou para o trabalho a pedalar. Desafia os políticos, autarcas e professores a irem para o trabalho de bicicleta alegando que “não é só construir ciclo vias, é preciso dar o exemplo”. Entre as vantagens apontadas pelo mentor do projecto é o próprio a destacar a vertente economicista da opção pelas duas rodas. “Conseguimos deslocar-nos a custo zero. Não temos que gastar dinheiro em combustível e em manutenções do automóvel”, apontou. O engenheiro afirmou ainda que existem outros benefícios palpáveis como a melhoria da saúde física e a prática de exercício. O mentor do projecto também é defensor dos transportes público, no entanto aponta a bicicleta “como uma alternativa”. No âmbito da requalificação urbana o Vereador da Mobilidade, Hugo Oliveira referiu o objectivo é criar mais acessibilidades na cidade de forma a facilitar a circulação de cadeiras de roda e de carrinhos de bebés. “Rainhas Bike Sharing”. Na sua estadia em Caldas, Paulo Guerra tomou contacto com o serviço de bicicletas partilhadas “Rainhas Bike Sharing”. Existe na cidade das Caldas da Rainha 16 pontos de levantamento e entrega de bicicletas do programa “Rainhas Bike sharing” – serviço de partilha lançado em Setembro do ano passado por ocasião do Dia Europeu Sem Carros. “O projecto vai no dia 22 de Setembro (dia europeu sem carros) tornar a reforçar a sua imagem e a sua presença junto das pessoas e criar uma dinâmica de maior utilização”, revelou Jorge Rocha, da Associação Marcar o Ritmo, entidade sem fins lucrativos, que dinamiza o programa, mediante um protocolo com a Câmara Municipal das Caldas da Rainha. Este responsável referiu ainda que este ano “houve períodos de maior utilização”. “Temos um por cento da população e muitos estrangeiros”, disse. Jorge Rocha revelou ainda que o aluguer de bicicletas de BTT junto à Lagoa de Óbidos tem tido alguma aceitação, nomeadamente pelos estrangeiros que ficam “encantados com a beleza da lagoa”. Marlene Sousa

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