Queda de ultraleve matou os dois ocupantes
Dois homens morreram ao final da tarde do passado domingo na sequência da queda de um avião ultraleve, a 500 metros da pista do Aeroclube da Lagoa de Óbidos, no Arelho, em Óbidos, quando se encontrava a cerca de 50 metros do solo. As vítimas são o piloto, António José, de 61 anos, residente em Ferrel, Peniche, mecânico de motos, e Fernando Pereira, 64 anos, proprietário da aeronave, com residência em Vieira de Leiria, Marinha Grande e emigrante em França.
“Vi-os a descolar no fundo da pista do aeroclube e ainda deram a volta, mas caíram logo a pique”, contou Elói Sousa, que testemunhou o acidente, ocorrido perto das 19h20. O ultraleve, modelo Sky Ranger, ficou com a cabine completamente destruída.
“Quando cheguei ao local, um deles estava dentro do avião e não se mexia, mas o outro ainda respirava, apesar de estar debaixo do ultraleve. Só que com os ferimentos acabou por morrer”, adiantou. Prestaram socorro nove bombeiros da corporação de Óbidos, apoiados com três viaturas, e uma equipa do INEM. A GNR tomou conta da ocorrência.
Segundo o presidente do aeroclube, Paulo Santos, “há várias hipóteses em aberto, pode ter sido paragem do motor ou outra avaria ou o piloto ter tido um problema qualquer de saúde”.
Os familiares dos dois ocupantes do ultraleve acreditam que a queda do aparelho se deveu à modificação da hélice no último voo efectuado.
Alzira Reigota, viúva do proprietário da aeronave, disse ao JORNAL DAS CALDAS que um elemento do Aeroclube Lagoa de Óbidos “retirou a hélice de três pás e meteu outra de duas, a contragosto do meu marido e também do piloto”.
“Ainda ouvi o piloto perguntar-lhe se ele queria que houvesse um acidente, mas recebeu como resposta que o ultraleve iria voar melhor”, referiu Alzira Reigota, que na altura do acidente estava junto ao hangar com dois netos. Contactado o visado este refuta as acusações e na próxima edição publicamos as suas declarações. Antes do acidente as duas vítimas já tinham voado sem problemas “durante bastante tempo e até receberam aplausos”, recorda a viúva.
Quanto a Igor Soares, um dos filhos do piloto António José, também manifestou a sua desconfiança em relação à alteração introduzida no ultraleve. “O meu pai tinha uma grande preocupação com a segurança no seu ultraleve e deve ter manifestado reservas em experimentar um avião modificado”, declarou Igor Soares.
Na segunda-feira estiveram no local dois inspectores do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves, organismo pertencente ao Instituto Nacional de Aviação Civil. O comandante Artur Pereira e o coronel António Barros contaram nas peritagens com a colaboração do presidente e vice-presidente da Associação Portuguesa de Aviação de Ultraleves, António Rocha e Francisco Fernandes, apurou o JORNAL DAS CALDAS.
Artur Pereira disse que agora “vai ser feito um relatório preliminar, que estará pronto no prazo de uma a duas semanas, mas ainda vão ser feitas mais pesquisas e comparações com modelos semelhantes para verificar se houve alterações e se tiveram alguma implicação”.
António José tinha mais de vinte anos de experiência, já que era proprietário de um ultraleve. Fernando Pereira tinha experiência em asa-delta, faltando-lhe horas de voo para conseguir tirar a licença para pilotar o Sky Ranger, o que estava a pensar fazer. O ultraleve, que foi comprado há dois anos, não tem seguro e ficará guardado num hangar do aeródromo enquanto não forem reveladas as conclusões do acidente.
Francisco Gomes



1 comentário até ao momento ↓
1 ines pereira // Set 7, 2010 at 1:09 pm
sou neta do sr fernando e e de lamentar que quem quer que seja que tenha feito a modificacao na avioneta esteja agora a meter culpas para cima de aqueles que ja nao estao ca para se defender. nos nao queremos nada de ninguem so queremos e que nao volte a acontecer com mais ninguem aquilo que aconteceu com o meu avo
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