Está atrasada um ano a conclusão da estação de tratamento de efluentes suinícolas de São Martinho do Porto, revelou o vice-presidente da Trevoeste, empresa de tratamento e valorização de resíduos pecuários.
“A obra está suspensa este mês para férias, mas está a sofrer um atraso de um ano devido a diferendos com o consórcio construtor exclusivamente relacionados com questões técnicas”, afirmou à Lusa Pedro Alves, que se escusou a adiantar pormenores.
Pedro Alves reconheceu que a estação de tratamento deveria estar em funcionamento em Junho de 2009, recusando também dar um novo prazo para a conclusão do investimento, de cerca de 6,5 milhões de euros.
A estação de efluentes suinícolas foi adjudicada em Março de 2007, a um consórcio liderado pela Somague. O director de marketing da empresa, Luís Garcez, garantiu que a obra “está parada”, mas não devido a férias.
“Confirmo que há um diferendo técnico e estamos a tentar junto do dono da obra chegar a um consenso em relação a esses aspectos técnicos”, declarou Luís Garcez.
A estação de São Martinho do Porto faz parte da solução integrada para o tratamento dos efluentes de suinicultura nas bacias hidrográficas dos rios Tornada e Real/Arnóia que engloba os concelhos de Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha e Óbidos, no distrito de Leiria, e Cadaval e Lourinhã, de Lisboa.
Nesta área de intervenção, existe um efectivo de 250 000 animais ou 900 000 habitantes equivalentes, sendo este sector responsável por 87 por cento da carga poluente, revela o projecto da solução integrada disponibilizado pela Trevoeste, que admite ser um “peso significativo” para as bacias hidrográficas onde se inserem a baía de São Martinho do Porto e a Lagoa de Óbidos.
Nos municípios, o sector tem ainda “associado um volume de negócios de aproximadamente 500 milhões de euros, empregando cerca de 2000 pessoas”.
Além da estação de São Martinho do Porto, o projecto de despoluição engloba mais duas estruturas de tratamento de efluentes suinícolas, também a executar pela Trevoeste em Tornada/Benedita e Real/Arnóia.
O vice-presidente da Trevoeste, empresa constituída em 2005, esclareceu que as propostas relativas a estes dois investimentos “estão analisadas”, aguardando-se “definições de financiamento” no sentido de saber a que entidades podem recorrer para a comparticipação das obras.
Carlos Barroso


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