Pais pedem internamento de filho que rouba
“Estou numa situação desesperada, não consigo controlar o meu filho, que está constantemente envolvido em roubos e assaltos a residências. Ando a pagar vários estragos que ele tem feito, tornando-se incomportável”. O desabafo de Maria da Felicidade consta de uma carta enviada ao Ministério Público do Tribunal das Caldas da Rainha, onde pede que sejam tomadas medidas adequadas para que o menor, de 14 anos, deixe a má vida. A.J. é considerado pelas autoridades policiais como sendo o principal foco de desestabilização na cidade, pelo “longo historial de factos ilícitos, desde furtos de veículos e ao interior de carros e de residências”.
“Penso que o melhor seria ele ir para um colégio. Talvez aí cumprisse regras que eu não consigo impor. Peço encarecidamente que seja dada uma resolução, pois trata-se de um menor que anda completamente perdido”, apela a mãe, que já não sabe a quem mais recorrer, depois de passar por várias instituições – PSP, Acção Social da Câmara, Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, Instituto de Reinserção Social e Ministério Público.
“Já fomos tantas vezes a essas entidades e até agora ainda não fizeram nada”, lamenta Armando José, pai do menor, que reconhece: “Não tenho mãos nele”.
“Aos dez anos já roubava os telemóveis aos colegas na escola. Depois começou com as más companhias, indivíduos mais velhos que impingem os mais novos a roubar. Vêm de outras zonas da cidade e juntam-se no nosso bairro. Mas desde que aprendeu a conduzir, também actua sozinho. Por este caminho qualquer dia arrisca-se a levar um tiro”, relata.
“De vem em quando aparecem-nos pessoas a pedir satisfações pelos furtos ou estragos que ele faz. Estamos a pagar uma mota que ele roubou e partiu. Os casos que envolvem mais dinheiro dizemos para meterem em tribunal, porque não temos como pagar”, revela Armando José.
“Isto para ele é uma brincadeira. Já me disse que era uma diversão. Há crianças que jogam à bola. O meu filho rouba carros”, desabafa Maria da Felicidade.
“Arrisca-se a matar alguém ou ser morto”
Fonte policial reconhece que A.J. é “um caso muito complicado”. “A continuar assim arrisca-se a não chegar vivo a adulto, porque qualquer dia estatela-se com os carros que rouba ou ainda é apanhado por algum lesado a querer fazer justiça pelas próprias mãos”, sustenta.
A PSP tem dezenas de queixas em que o menor é referenciado e acredita que todos os dias esteja envolvido “em actos ilícitos”. Os processos datam da altura em que A.J. teria dez anos, e aumentaram nos últimos dois anos, mas só no passado dia 24 é que o rapaz foi pela primeira vez apanhado em flagrante. “Roubou um carro e andámos numa perseguição pela cidade. Quase atropelava um agente policial e colocou em risco automobilistas e peões, mas conseguimos barrar-lhe o caminho”, descreveu Cardoso Silva, comandante da divisão da PSP das Caldas da Rainha.
Na sequência da detenção, foi feito um ofício ao Ministério Público onde se sugere que seja internado em regime fechado num centro educativo do Instituto de Reinserção Social.
Segundo o JORNAL DAS CALDAS apurou, o processo do menor já passou pela Acção Social da Câmara, que remeteu à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, onde foi tentado um acordo em que A.J. se comprometia a ir à escola e a não praticar delitos. Como não foi cumprido, o processo transitou para o Ministério Público, que pediu ao Instituto de Reinserção Social um relatório sobre o jovem, já enviado no ano passado. A decisão está pendente no Tribunal.
Francisco Gomes
Fora de casa
O menor não dorme em casa. Encontra guarida junto de uma tia e de uma irmã. Só fala com a mãe e foge do pai quando o vê.
Carros antigos
A.J. escolhe carros mais antigos para roubar e chega o banco todo para a frente para conseguir chegar com os pés aos pedais.
Depressão
“Tenho andado com uma depressão, isto tem-me afectado muito a cabeça. Estou sempre à espera de uma desgraça”, confessa a mãe.



2 comentários até ao momento ↓
1 teresa oliveira // Set 5, 2010 at 10:31 pm
Foi preciso o caso ir à trelevisão para ser ventilado aqui nos jornais. Tenho a certeza que não foram ainda bem acionadas os respectivas soluções. Porque temos uma – agora não me sai o termo -Delegada ou Juiza Delegada de menores, competentissima. Este rapaz perdeu a autoestima e só sente bem adulado pelos outros ladrõezecos.. Provavelmente terá outras competências que bem aproveitadas, darão um bom mecanico ou um bom canalizador
2 Redactor // Set 6, 2010 at 4:37 pm
Nota: A televisão é que foi atrás dos jornais, não o contrário.
Comente esta notícia