“Tínhamos tudo e perdemos tudo. Alvorninha deve manifestar-se muito rapidamente. Vamos organizar-nos e se não for nada feito, no final de Setembro vai haver uma revolta muito grande. Eu posso ser a cabeça disto e tenho a garantia de milhares de pessoas atrás de mim. Eu defendo Alvorninha e a saúde destas pessoas”, disse João Caetano um dos populares revoltado com a falta de médicos na freguesia.
O popular refere que a Junta de Freguesia “deixou-se enrolar e deveria de se ter preocupado com a saída da médica. O presidente da Junta deveria chegar mais cedo aos sítios e resolver os problemas.. Alvorninha precisa de um médico a tempo inteiro. Temos 3400 consultas marcadas e as pessoas vão daqui para Caldas”, lamenta João Caetano que também é dirigente da Associação de Desenvolvimento de Alvorninha e já foi autarca.
Este ex-autarca considera que existem cerca de 800 pessoas com mais de 65 anos de idade na Freguesia de Alvorninha e cerca de 100 idosos com mais de 80 anos de idade e que precisam de assistência médica todos os dias.
“O horário de trabalho do médico e do serviço administrativo é de segunda-feira a sexta-feira, mas à segunda não vem administrativo, à terça não vem médico, à quarta umas vezes vem outras vezes não vem médico. Na quinta e na sexta vem médico. Agora à quinta não vem médico porque está de férias. Basicamente só temos médico à sexta-feira”, lamenta.
“Temos andado embrulhados, porque durante vinte anos tivemos dois médicos de família todos os dias e agora retiram-nos tudo. Este Governo quer modificar tudo e estamos a ser prejudicados. Eu graças a Deus não preciso de médico, mas a minha mulher que tem problemas de diabetes precisa de assistência e tenho ido com ela para as urgências do Hospital de Caldas e passo lá horas e noites inteiras porque há lá muitas pessoas nas mesmas circunstâncias”, refere João Caetano.
“A culpa é das pessoas responsáveis por estes serviços. A minha mulher quando vai ao Hospital das Caldas, os médicos avisam-me que ela não pode estar tanto tempo sem vigilância médica e exigem que ela vá ao médico de família, mas como não há médico de família em Alvorninha o que é que eu devo fazer” questiona, referindo no entanto que “na última vez que estive no Hospital, alguém se mexeu, porque ao fim de quatro meses de espera de consulta a minha mulher foi atendida na sexta-feira passada no posto médico em Alvorninha”, relatou João Caetano adiantou que “a senhora Teresa Luciano garantiu que no posto de Alvorninha havia sempre médico e depois vejo o que se está a passar. Não há médico e o que se passa é o contrário do que ela disse ao JORNAL das CALDAS. Assim estamos num caos”.
“Há pessoas que já foram obrigadas a mudar para serviços de saúde das Caldas, Benedita, A-dos-Francos, Vidais e Santa Catarina, e eu pergunto porque é que Alvorninha não tem médico. Isto é um abuso e ofende-me, porque Alvorninha está a ficar para trás”, alerta João Caetano que está disposto a mobilizar a população de forma a garantir um médico todos os dias.
O receio deste antigo autarca é que os responsáveis dos serviços pretendam “esvaziar Alvorninha pelo no número de utentes inscritos”, já que muitas já alteraram as suas inscrições por não haver médico e inscreveram-se em outros locais. Este fenómeno “faz descer a lista de utentes do posto médico de Alvorninha”, que “qualquer dia terá em risco até a sua própria abertura”.
Quem também está indignado com esta atitude é o empresário Humberto Perdigão que não percebe “porque é que o Estado está a fazer uma legislação que acaba com os Centros de Saúde e centralizam os serviços em vez de descentralizar. Não sou comunista, mas devido aos anos que tenho lembro-me que foram os comunistas que conseguiram que a medicina chegasse às aldeias, agora querem acabar a medicina nas Freguesias. Não percebo”.
Carlos Barroso


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