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Director: Jaime Costa | Chefe de Redacção: Francisco Gomes

 

António Marques e o desemprego

Agosto 26th, 2010 in Jornal das Caldas. Edição On-line Sem Comentários

“Temos gente formada em muitas matérias mas não naquelas que precisamos”

 

Carlos Barroso (foto)

Carlos Barroso (foto)

Passamos hoje em Portugal uma fase dificílima, com desemprego acentuado. As causas não são conjunturais, são estruturais”, manifesta António Marques, director-executivo da Expoeste – Centro de Feiras e Exposições das Caldas da Rainha.

No seu entender, “a primeira das causas é a formação. O tecido produtivo português peca nitidamente pela formação relativamente aos outros países. Somos pouco formados”.

Segundo defende, “deve-se fazer uma acção incisiva no campo da formação, porque tem uma relação com a competitividade. Não podemos ser competitivos se não produzirmos bem e não podemos produzir bem se não tivermos formação”.

Mas para António Marques, “não podemos fazer simulacros de formação, para as pessoas pendurarem nas paredes certificados que não servem para nada”. “Porque é que há um grande número de licenciados que não têm o emprego que pretendiam? É porque não há uma relação directa com aquilo que são os empregos do futuro”, sustenta.

O director-executivo da Expoeste sublinha que “estamos numa fase de uma nova economia, que é dependente de factores energéticos. O futuro do emprego passa muito pela economia “verde”. Calcula-se que pelo mundo inteiro, os postos de trabalho a criar nesta fase ultrapassem os postos de trabalho criados com as energias fósseis. Temos pela frente um campo imenso e uma formação incipiente, básica ou quase nula nestas áreas. Temos muita gente formada em muitas matérias e não temos naquelas que precisamos”.

O sistema está aberrantemente dirigido para formações clássicas. Não é que elas não sejam necessárias, mas o que precisamos urgentemente é, com base nas novas tecnologias e novas formas de produzir no futuro, ter gente preparada para elas”, refere.

António Marques é também representante de uma universidade francesa com um conceito inovador, que pretende implementar em Portugal, e em particular nas Caldas da Rainha. “No nosso país abandonámos a formação prática por completo. Os nossos jovens saem das universidades com uma boa preparação teórica, mas não têm a mínima noção da realidade da vida. Nunca se aproximaram de uma empresa. Isso vamos ter de resolver com um sistema de formação superior que já é praticado na Alemanha e em França, que consiste em os alunos fazerem um acordo de formação com uma empresa onde se vão integrando até ao final dos seus estudos. Apesar de não haver um vínculo obrigatório – o aluno não tem que ficar na empresa, nem a empresa com o aluno – o jovem terá menos preocupações com o emprego”, descreve.

 

Francisco Gomes

Tags: Economia

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