Foi apresentada em plena estação da CP das Caldas da Rainha a comissão para a defesa da Linha do Oeste.
Segundo os promotores, “um grupo de habitantes dos concelhos de Bombarral, Caldas da Rainha, Óbidos e Peniche entendeu ser seu dever pronunciar-se e intervir sobre a Linha do Oeste, a sua situação actual, as perspectivas quanto ao seu futuro e a importância que este meio de comunicação tem para as populações destes concelhos e da região no seu todo”.
Deste modo constituíram-se em comissão que designaram por “Comissão para a defesa da Linha do Oeste”, apresentando-se de forma simbólica na estação ferroviária das Caldas da Rainha, “um local de embarque e desembarque de muitos utentes dos poucos comboios que ainda partem para Sul, em direcção a Lisboa e para Norte, em direcção a Coimbra”, salientam.
Desta comissão fazem parte o reformado Agostinho Faria, a empregada doméstica Amélia Fernandes e o topógrafo António Tieres, residentes no Bombarral. Já António Barros, técnico de telecomunicações, Isilda Roberto, empresária, e Joaquim Bernardino, reformado, são os elementos residentes nas Caldas da Rainha. António Ribeiro, aposentado, e Sílvia Correia, investigadora, são ambos de Óbidos, enquanto que o técnico sindical Rui Raposo é residente em Peniche. Desta comissão fazem parte alguns militantes e simpatizantes do PCP.
A comissão aponta que a actual situação da Linha do Oeste “não serve os interesses das populações dos concelhos a que pertencem, nem da Região Oeste, pela ausência de cumprimento do dever de garantir um serviço público de qualidade, o que só pode ser atingido quando, antes de mais, for politicamente definido pelo Governo que este meio de transporte é estratégico, sob os pontos de vista económico, social e ambiental”.
Os elementos que compõem este movimento só consideram que seja possível requalificar a Linha do Oeste se for incluída nessa obra a electrificação e redefinição do traçado, seja introduzido material circulante moderno que permita maior velocidade e mais conforto para os passageiros, se forem definidos horários compatíveis com as necessidades dos utilizadores e articulados com a rede de transportes dos principais centros de confluência, se houver fixação de preços de exploração acessíveis e motivadores do uso do comboio, se houver recuperação e modernização das estações e se a rentabilização da linha for compatível com o transporte de mercadorias.
Para a comissão a requalificação deste importante eixo ferroviário, estratégico pelo seu posicionamento e alternativa à Linha do Norte, “não pode estar desligada da necessária recuperação, consolidação e reforço da rede ferroviária nacional e deve ser parte de um plano mais vasto neste sentido e no qual o Governo deverá investir”.
Como primeiro objectivo será lançada uma campanha de sensibilização “para a concretização dos objectivos apresentados, com a distribuição de informação nas principais estações da região”.
Os defensores pretendem ainda realizar um conjunto de contactos com as autarquias da Região, Associações de Municípios, Região de Turismo, Associações Sindicais e Empresariais, Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Assembleia da República e Presidente da República, para apresentar a suas reivindicações.
Carlos Barroso



2 comentários até ao momento ↓
1 Manuel Pinho // Mar 18, 2010 at 10:41 pm
Parabéns pela iniciativa! Há que defender aquilo que nos pertence e que nos faz falta.
2 Nuno Pereira // Mar 27, 2010 at 2:25 am
Mais uma linha ameaçada que precisa que a defendam. Para que as promessas feitas de modernização/requalificação não morram na praia. Quando deixamos de investir em mais auto-estradas e pensamos realmente no futuro do país? Força na vossa luta e apostem na divulgação local mas também online.
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