Uma “brincadeira” sem graça
Nos últimos dias, em virtude de um caso de violência escolar ter terminado no suicídio de uma criança de 12 anos, em Mirandela, surge, uma vez mais, o termo bullying. Bullying? Mais um estrangeirismo para uma atitude recorrente e cada vez mais gravosa nas escolas portuguesas. Professores, funcionários e até os próprios alunos têm dificuldade em assumir mas todos nós sabemos que existem crianças que são consecutivamente gozadas, agredidas e manipuladas pelos seus colegas.
Ao termo Bullying corresponde a violência escolar – todos os comportamentos intencionais agressivos e de intimidação, com o objectivo de causar mal-estar e controlar o outro. Existe sempre um desequilíbrio de poder, sendo a vítima o mais fraco e, em regra, um alvo fácil. São exemplos de violência escolar atitudes como bater, empurrar, gozar, chamar nomes, excluir, espalhar boatos, ignorar, provocar, ameaçar ou até mesmo roubar. Trata-se de violência física mas também psicológica. É entre os 11 e os 13 anos que estes comportamentos são mais comuns.
Porque é que isto acontece? Porque somos todos diferentes e nem sempre sabemos lidar da melhor forma com a diferença.
Sinais de Alerta – arranhões, medo, pesadelos, choro fácil, pioria dos resultados escolares, declínio da atenção, irritabilidade, isolamento.
Quem são os agressores? Antes eram maioritariamente rapazes. Hoje as raparigas são tão ou mais agressivas que os rapazes, embora de formas mais subtis. Os rapazes ferem o corpo, as raparigas provocam e ferem a alma. Tendencialmente crianças e adolescentes com sede de popularidade e tendências agressivas.
Tornar-se-ão adultos com dificuldade em controlar os seus impulsos, relacionamentos conturbados e ânsia de romper com normas e limites, o que pode conduzir à criminalidade.
As vítimas são crianças e adolescentes, tanto rapazes como raparigas com medo, falta de confiança, ansiedade, incapacidade de reagir quando agredidos e com dificuldade de comunicação. As vítimas tem muita dificuldade em contar aos pais por vergonha e medo de represálias, pelo que é fundamental que as figuras parentais estejam atentas a qualquer sinal de desconforto.
As consequências da violência escolar são dificuldade no sono e na concentração, o isolamento, medo de regressar à escola, ansiedade, depressão, falta de apetite e até mesmo o suicídio.
Pelo transtorno que provoca e pelas enormes consequências que pode desencadear, é fundamental estar atento – a maior parte das vítimas não se queixa; e intervir imediatamente, envolvendo professores, funcionários, colegas e pais.
A grande virtude da amizade é a Diferença, esta diferença cada vez mais intolerável a crianças e adolescentes da sociedade actual.
Sara Carvalho Malhoa
Psicóloga Clínica


2 comentários até ao momento ↓
1 Vanessa Perini // Mar 11, 2010 at 11:57 am
OLA BOM DIA.ADOREI AS NOTÍCIAS MAS GOSTARIA DE ALGO UM POUCO MAIS FÁCIL PARA TRABALHAR COM AS CRIANÇAS .
2 Sara Malhoa // Mar 12, 2010 at 12:17 pm
Este trabalho é fruto de uma apresentação que tenho preparada para as escolas, com uma actividade pratica e folhetos ilustrativos. Teria gosto em partilhá-los consigo.
http://www.consultoriosaramalhoa.com
geral@consultoriosaramalhoa.com
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