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Director: Jaime Costa | Chefe de Redacção: Francisco Gomes

 

Manipulação dos Homossexuais

Março 3rd, 2010 in Jornal das Caldas. Edição On-line 9 Comments

A necessidade das pessoas com tendências não heterossexuais se enquadrarem dentro de estruturas que contribuam para uma reflexão sobre a sua condição, numa partilha de dificuldades pessoais, no apoio e inter-ajuda, na adaptação e integração social e profissional, na gestão de conflitos e particularmente no reforço de uma vivência com plena dignidade humana, deverá ser um trabalho a promover e a desenvolver, pugnando para que estes objectivos sejam atingidos.

Assim sendo, enquadrados sócio profissionalmente, com todos os direitos inerentes, numa sociedade em que existe uma preocupação com a justiça social, porque existe tanta convulsão à volta da situação conjugal homossexual?

A argumentação sobre o direito a atribuírem a denominação de casamento a esta união parece abusiva e usurpadora da palavra que historicamente tem, além de uma conotação legal, um estatuto de sacramento religioso, com espírito de lei, normas e intenções muito específicas.

 Confrontações ruidosas e acaloradas, se não inconvenientes, só têm servido para alimentar confusão e desacreditar os intervenientes.

Porque se despoletou uma confrontação tão irredutível, num tempo precipitado, com carácter de emergência, de abordagem irreflectida e provocadora de generalizada clivagem nos valores morais e sociais?

Porque se utilizou a temática identificada com comportamentos homossexuais, para confrontar a natureza da estrutura familiar, que possui os seus enquadramentos jurídicos cívicos e canónicos, alicerçados nos seus princípios originais e adaptados à evolução das sociedades, procurando a descaracterização da sua génese?

Porque se incidiu especificamente na comunidade homossexual, quando existem outras comunidades com caracterizadoras particularidades, requerendo medidas interventivas?

O contexto global de toda a agitação social que se criou, não pode deixar de ser uma intervenção de natureza manipuladora e clivante, provocada por forças a quem interessa a desagregação dos elementos organizados e estruturantes de uma sociedade assente em valores históricos e éticos.

A utilização das estruturas partidárias, integrando conceitos falseados, camuflados em correntes de opinião vinculadas por políticos e opinadores mediáticos, num discursivo tutelador de uma acção global que tem como objectivo agitação e confrontação social, desvalorização de conceitos morais e o exercício de um poder que pretende provocar alteração nas estrutura e as regras socais vigentes.

Reflectindo sobre o que já vem sendo feito a nível da educação, da saúde, das forças armadas, da economia, da agricultura e pescas, na base de exigências de modernidade europeia, não podemos deixar de constatar esse espírito desagregador, fragilizando o tecido social e seus intervenientes, tornando-se permeável a funestas correntes ideológicas.

Paradoxalmente, é em democracia que o ser humano está mais do que nunca em risco de vivência e sobrevivência, pelos ataques que sucessivamente têm sido feitos à dignidade da vida.

Neste contexto, a comunidade homossexual deverá reflectir sobre a sua natureza humana, o seu enquadramento social, as suas dificuldades, injustiças e anseios, não se deixando envolver em tramas e servir de pretexto para que outros atinjam os seus objectivos de conquista de poder.

Nunca será a força da lei a determinar a ética na verdade.

 

A. Manuel dos Santos

Tags: Opinião

9 comentários até ao momento ↓

  • 1 Maria Fernanda Barroca // Mar 3, 2010 at 4:36 pm

    De facto os homossexuais não podem, nem devem ser discriminados, mas daí até aceitar algo que «não o é» por natureza, vai grande distância.
    A polémica que se tem gerado a vai continuar, na minha opinião, está relacionada com a intempestiva e despudorada maneira como o Governo apresentou a questão, dando-lhe prioridade sobre os graves problemas que deviam ser resolvidos num país no estado em que se encontra o nosso. Até agora e já lá vão mais de cem dias da tomada de posse (festejados com pompa e circunstância) e o Governo ainda não debitou coisa que se visse a menos da legalização das referidas uniões.

  • 2 Paulo // Mar 3, 2010 at 7:56 pm

    Sr. Santos você é que parece tentar manipular através maioritariamente ignorância sobre muitos pontos que aponta. Só lhe digo que a ética da verdade não está na lei, mas espero que as leis sejam mais éticas para todos os cidadãos, e não só para si ou para outros que pensem igual. A ética da verdade está na verdade de cada um, não apenas na sua. E a ética também não está no preconceito. Não tente virar o bico ao prego. só se vê confrontado com a lei do casamento quem se sente confrontado com a homossexualidade, essa é a verdade, por mais que floreie o seu problema com tanto discurso. Fique bem e dê importância ao que realmente lhe afecta, a sua vida, o casamento que escolheu para si, a sua ética e a sua verdade.

  • 3 Nuno Viegas // Mar 4, 2010 at 6:27 pm

    Um texto verdadeiramente enviesado!
    1 -”Tendências não heterossexuais”?!, o sr. Santos, como jornalista, já deveria saber que a orientação sexual não define por tendências.
    2 – Parece-me que o sr. Santos dá uma no cravo e outra na ferradura – que sim, que os homossexuais terão os mesmos direitos que todos os outros cidadãos mas depois lá vamos nós discutir o que é a família e o casamento:
    A família são duas ou mais pessoas ligadas por laços de sangue e/ou afecto; o casamento é um contrato entre duas pessoas que podem, ou não, gerar descendência.
    Creio que é o senhor Santos quem deveria relflectir sobre o que escreve e de que forma.
    Veja o número crescente de divórcios e de famílias (ditas tradicionais) destruturadas, veja a quantidade de crianças que não são educadas/amadas pelos seus progenitores, veja a importância que a nossa sociedade dá aos mais idosos. Faça o favor de reflectir e depois, à mesa do café, até poderá ter graça discutir o uso da palavra “casamento”.

  • 4 Jonh Kelvic // Mar 4, 2010 at 7:09 pm

    Sr. Paulo você esta de todo errado…Uma coisa e ver as coisas como cidadão,outra e como hetero ou homossexual.Porque a realidade é uma,uma lei é aprovada,neste caso o casamento homo, e surge após pouco tempo perguntas sobre os casamentos de s.antonio?Logo ai vê-se a tal ética que tanto fala….Não tarda esta a dizer que todos os homos devem andar com uma fita,como nos tempos do Hitler,nao nazi mas homo…Por favor,se um hetero nao se afirma porque e que os homos teem que se afirma? O preconceito cria-se nao no mundo hetero mas sim no mundo homo,porque uma coisa e ser homo outra e ser homo com luzinhas,passo o termo.E ai sim,esta a tal ética de tanto fala….Bah,nao vivamos num mundo cor de rosa.

  • 5 Francisco // Mar 5, 2010 at 10:56 am

    Eu gosto de duas mulheres e exijo o direito de me casar com ambas.

    Somos os tres adultos e conscientes, não podemos ser discriminados e temos tantos direitos como quaisquer outros codadãos, hetero, homo, bi, ou poli!

  • 6 Cão // Mar 6, 2010 at 4:56 pm

    “só se vê confrontado com a lei do casamento quem se sente confrontado com a homossexualidade, essa é a verdade,”
    “A família são duas ou mais pessoas ligadas por laços de sangue e/ou afecto; o casamento é um contrato entre duas pessoas que podem, ou não, gerar descendência.”
    “Eu gosto de duas mulheres e exijo o direito de me casar com ambas. ”

    Amor = Familia
    CAsamento= contrato comercial do tipo firma

    a cada um caberá decidir se casa ou não e com quem, ao estado cabe a responsabilidade de assegurar os direitos de cada cidadão, e se os homos querem casar que casem.
    todas as pessoas têem direito de ser o que quiserem e ninguém pode impedir desde que n afecte o bem estar e a liberdade de cada um

  • 7 João Paulo // Mar 10, 2010 at 5:25 pm

    A tanta coisa que «não o é» por natureza começando pelo próprio casamento: um contrato que regula os afectos entre um homem e uma mulher com carácter mais ou menos perpétuo. E porque não o é por natureza? Por outro lado há relações afectivas entre duas pessoas que vivem a sua vida naturalmente sem que vejam a necessidade de casarem. Por outro lado o carácter perpétuo é mais uma construção social do que algo natural como se vê pelo crescente número de divórcios.

    Agora… o mais absurdo deste documento é alegar por um lado que a família está em desagregação porque, precisamente, o casamento não é protegido. E quando temos um grupo de pessoas que quer aceder a essa instituição (ao contrário do movimento geral, que parece cada vez mais ignorar o casamento civil) vêm-se dizer que essa posição é contra a família. Porquê?
    Em que é que os casamentos heterossexuais são “danificados” por haver meia dúzia de casamentos entre pessoas do mesmo sexo?

  • 8 André Gide // Mar 11, 2010 at 6:47 am

    De facto, muita tinta correu e muita tecla bateu por causa deste assunto. E o país tem coisas muito graves para serem discutidas.
    Mas estou muito contente por sermos um pouco mais “iguais” uns aos outros em relação ao que éramos. Temos os mesmo direitos.
    Sou religioso. Não sou católico, nem pertenço a nenhuma religião específica. Casamento para mim significa um contrato de Amor perante a lei, entre duas pessoas. Duas pessoas que se unem, formam um núcleo (com ou sem filhos) e se acompanham a vida toda, lado a lado. Se pelo facto advêm regalias legais, acho que todas as formas de união entre duas pessoas devem usufruir das mesmas.
    A “natureza” do casamento é o Amor, D. Maria Fernanda. Palavra que parece arredada do seu léxico.
    Vamos casar. Vou viver a minha vida ao lado do homem que amo. Vou ter os mesmo direitos que a senhora.
    Vivo no mesmo prédio de um casal de 70 anos, casados há 50, que passam por nós e sorriem e nos perguntam se precisamos de algo, e nós a eles, e trocamos palavras de afecto, palavras sobre o afecto e sobre o Amor ao próximo, e eles aprenderam esta lição. São a favor do casamento entre homossexuais. Nem sabe como isso me deixou feliz. Duas pessoas altamente religiosas, católicas, e idosas que aprenderam a olhar o outro sem preconceitos, que aceitaram a mudança. Quero envelhecer como eles. Olhar o mundo ao lado do homem que amo e saber que o mundo me olha sem qualquer juízo de valor.
    Tenho 32 anos, estamos juntos há oito anos. E felizes.

    O texto escrito acima, o de “opinião”, é irrelevante, pouco preciso e confuso no seu propósito.
    Pois parece-me tão vítima dessa manipulação como os próprios homossexuais. Senão, falemos então da crise…
    E entre tanta privatização, sim D. Maria Fernanda, isto vai de mal a pior. Rifemos o Sócrates…

  • 9 Bernardo Faria // Mar 12, 2010 at 12:37 am

    Se me permitem o termo, as pessoas estão-se mais é a cagar para os que os gays fazem… por amor de deus! assistir a coisas depluráveis como manifestações em plena avenida da liberdade contra o casamento gay e não sei o quê… oh minha gente, muitos de vos defendem valores que nem os cumprem! não têm ética nem moral para falar dos temas e têm a lata de dizer que são contra isto e contra aquilo! No fundo pouco vos ( povo português ) importa se os gays podem casar ou não… mas como ao fim de semana não tem nada para fazer ou querem substituir a tarde no café com o tremoço e a imperial vão para as ruas… afinal até vai o manel e aquilo deve ir ser giro!! enfim… eu so quero dizer que nos estamos rodeados de um povo vergonhoso e com mentalidades retorcidas! e não falo só de pessoas da região porque até as pessoas das grandes cidades são assim porque no fundo vieram do buraco do interior do nosso país. onde a maria leva na cara e se cala! Enfim…

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