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Director: Jaime Costa | Chefe de Redacção: Francisco Gomes

 

Direcção alega não ter funcionários suficientes

Março 3rd, 2010 in Jornal das Caldas. Edição On-line 4 Comments

Mãe tira criança da escola por recusa de dar medicação durante as aulas

 

Teresa Lourenço transferiu Afonso para a escola do Bairro da Ponte, da qual não se queixa - Carlos Barroso (foto)

Teresa Lourenço transferiu Afonso para a escola do Bairro da Ponte, da qual não se queixa - Carlos Barroso (foto)

A mãe de uma criança de oito anos retirou o seu filho da escola que frequentava por causa da professora se recusar a dar-lhe o medicamento para o qual está receitado para tratar do problema de hiperactividade. O remédio é um simples comprimido, mas a docente alega que a tarefa não faz parte das suas competências.

Antes de se transferido para a escola do Bairro da Ponte, onde já não há queixas, Afonso andava no 3º ano no Centro Educativo de Santo Onofre, nas Caldas da Rainha. “Logo no segundo dia de aulas começaram os problemas”, contou a mãe, Teresa Lourenço.

Ele tem de tomar o Rubifen [fármaco que actua no sistema nervoso central, aumenta a concentração e reduz comportamentos impulsivos] várias vezes por dia, em horas que coincidem com as aulas”, relatou ao JORNAL DAS CALDAS.

A professora, num relatório sobre a criança, reconhece que Afonso “quando não o toma é visível a diferença – demora mais tempo a realizar as tarefas e não as realiza com a mesma correcção, distrai-se, perturba os colegas, pica-os com o lápis ou dá-lhes pontapés, e no recreio gera conflitos e agride”.

No entanto, a docente considera que a medicação em horário escolar “perturba o normal funcionamento das aulas, tendo as actividades que ser interrompidas”. Por outro lado, sustenta que “não faz parte do meu conteúdo funcional administrar medicação aos alunos, sendo uma grande sobrecarga para mim e tendo implicações negativas no meu trabalho”. A direcção da escola diz que não tem funcionários suficientes.

A mãe arranjou então uma “solução”. Com autorização médica ajustou a dose a tomar ao almoço e suprimiu o comprimido do meio da manhã durante as aulas. Mas a criança tem de tomar um comprimido às quatro da tarde. “Leva um relógio que apita e ele próprio pega na carteira de comprimidos e toma, correndo o risco de outro colega tirar ou tomar mais do que deve ou até não tomar”, manifestou Teresa Lourenço.

Até há o dias o “esquema” funcionou, ainda que a contragosto da mãe. Mas sucessivas queixas de que a professora gritava com o aluno, proibia-o de se ausentar da sala para ir a consultas e que o impedia de ir à casa de banho durante as aulas, “ficando com as cuecas sujas e molhadas”, levaram-na a pedir a transferência para outra escola.

A direcção da escola argumenta que a quantidade de vezes que a mãe aparecia na sala de aula criava desestabilização. Teresa Lourenço garante que sempre avisou a professora antes de o ir buscar. Numa das ocasiões teve de chamar a PSP para levar o filho.

Quanto às idas à casa de banho, a professora rejeita a acusação: “Nunca proibi os meus alunos de irem sempre que necessitam”.

 

Francisco Gomes

Tags: Sociedade

4 comentários até ao momento ↓

  • 1 ana // Mar 4, 2010 at 3:54 pm

    É pena, a professora por ética profissional não poder divulgar a outra verdade da ” história”.
    Não se fazem julgamentos sem se ouvirem ambas as partes.

  • 2 Ana // Mar 4, 2010 at 4:04 pm

    A verdade tem sempre dois lados… Quem sabe o que se passa no convento é quem lá está dentro. É um provérbio antigo e com muita verdade… Valoriza-se o insignificante em detrimento do essencial!

  • 3 Manuel // Mar 11, 2010 at 5:33 pm

    é a mãe ou o pai?

  • 4 Patrícia // Mar 24, 2010 at 10:50 am

    Não posso deixar de me manifestar perante acusações desta natureza contra a Professora Maria João. Provavelmente não adiantará muito a minha opinião, mas não posso ficar calada. A Professora Maria João foi professora do meu filho, também no 3º ano, mas no Bairro da Ponte. É uma excelente pessoa, humana, compreensiva, muito acessível, sempre que precisei falar com ela, deu-me toda a atenção. O meu filho está com 11 anos, já está no 6º ano, e claro que já ouviu falar desta palhaçada toda que envolve a Professora Maria João. Até ele se manifesta, dizendo que “Parece impossível que estejam a dizer isto da minha professora.”, ou seja, ainda a considera professora dele. É uma pena que a Professora não se possa defender convenientemente, mas quem realmente lida ou lidou com ela, sabe perfeitamente que toda esta história não passa de uma grande tentativa de chamar a atenção, e que acusações como “não deixar ir à casa de banho” são ridículas e infundadas.

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