Há 22 anos que os enfermeiros não concretizavam uma greve de 3 dias. A opção por esta radicalização
das formas de luta aconteceu num quadro de “grande insatisfação” e “revolta”, sendo apontados o Ministério da Saúde e o Governo como “os únicos responsáveis”.
Entre 27 e 29 de Janeiro foi grande a adesão à greve no Hospital das Caldas e nos centros de saúde do concelho. As queixas dos utentes foram, por isso, muitas. Foram afectados tratamentos, consultas, vacinações, visitas domiciliárias e apoio a toxicodependentes.
Maria Rosa, de 84 anos, chegou ao Centro de Saúde das Caldas da Rainha por volta das dez da manhã, depois de ter percorrido cerca de dez quilómetros. A intenção de mudar o penso de uma operação ao pescoço ficou gorada.
“Já tinha ouvido falar da greve antes de vir, mas ainda pensei que fosse atendida”, comentou. “Compreendo que façam greve, mas como tenho de mudar o penso dia sim, dia não, é uma grande chatice”, desabafou a idosa.
Nos centros de saúde não houve serviços mínimos. Segundo a enfermeira Paula Abreu, “não existem nos cuidados de saúde primários, onde o doente não corre o risco de falecer”.
Com esta greve, os enfermeiros pretenderam reivindicar uma remuneração de entrada na carreira de 1500 euros como nas outras carreiras técnicas da administração pública; neste momento arrancam com 1000 euros. Querem também mais vagas para generalistas e especialistas, pois asseguram que estão a desempenhar cada vez mais funções.
Francisco Gomes (texto)
Carlos Barroso (foto)




1 comentário até ao momento ↓
1 Fernando Kvistgaard // Fev 5, 2010 at 9:02 pm
As pessoas que neste momento em Portugal reivindicam aumentros de salários, na situação económica em que o País se encontra, deveriam de de se sentir envergonhados. Isto é falta de civismo e falta de maturiadade política.
Em países como na Dinamarca, funcionários públicos e privados, com o apoio dos sindicatos, propõem, não só um congelamento de salários, mas até a sua redução. Foi assim que algumas empresas têm vindo a evitar ir à falência.
Mas a isto chama-se solidariedade, coisa que falta em Portugal.
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