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Portugal – Perspectivas de futuro

Fevereiro 3rd, 2010 in Jornal das Caldas. Edição On-line 7 Comments

rafaelNenhum regime é eterno, e este, a república em que vivemos, está ferida de morte, a definhar. Cairá, indubitavelmente, num futuro próximo.

Sucede que tanto monárquicos como republicanos estão a analisar a possibilidade de restauração de uma das alternativas para um novo regime em Portugal (a melhor a meu ver, sem dúvida) de forma simultaneamente errónea e irrealista.

É extremamente duvidoso, para não dizer tremendamente improvável, que a velha república dê lugar a uma Monarquia Constitucional Hereditária – não ponho outras variantes em causa -, pela simples razão de que isso seria permanecer em democracia nacional, o que se apresenta como uma hipótese pouco provável.

Antes de mais, é conveniente lembrar que não somos senhores do nosso destino enquanto povo e como nação. Delegámos esse poder a Bruxelas.

A União Europeia não tem mais que dois caminhos de futuro. O Federalismo, a balcanização da Europa, ou a inevitável queda (que se dará de qualquer forma, com ou sem federação, mas nesse caso apenas a médio/longo prazo). Se triunfar a primeira seremos um “Estado”, ou uma (ainda) mais humilhante “região/comunidade autónoma da uma grande república federal europeia, com uma capital, um hino e uma língua comum. O sonho e objectivo último de Monnet e Coudenhove-Kalergi tornado realidade. Uma Europa artificial, mas factualmente unificada.

Neste caso teríamos não uma república portuguesa, mas um super-estado republicano. Noutro cenário, a UE, não conseguindo expandir-se nem tampouco atingir o seu propósito, uns forçados “Estados Unidos Europeus” cairia, mais um fracasso na longa história da integração europeia, que conta com capítulos como o de Napoleão e Hitler (cujas ignóbeis tentativas foram frustradas pelo povo europeu e pelas suas tradições étnicas, culturais e, em última instância, nacionais).

Neste caso, face à explícita incapacidade dos sucessivos governos democráticos de combater a lacerante dívida externa, assim como o défice que apenas excepcionalmente (através de medidas como o encerramento de serviços públicos, como hospitais e maternidades) é contido, e, em derradeira análise à total incapacidade de proporcionar a Portugal um crescimento económico saudável, o povo acabará por revoltar-se e seguir um líder, um santo político, um salvador pátrio que prometa não apenas progresso mas também vingança contra as faces do anterior regime, e do seu, ainda que premeditado, consequente falhanço.

Evoluiria assim Portugal para uma ditadura, inicialmente apoiada por uma população que, mais tarde, e como sempre tem acontecido, a repudiará.

Talvez depois do restabelecimento democrático possa, finalmente, ver a nação a sua Monarquia restaurada. Porém, que amanhã podem os portugueses esperar a curto/médio prazo? Uma Europa balcanizada ou uma pátria agrilhoada?

Rafael Pinto Borges

Tags: Opinião

7 comentários até ao momento ↓

  • 1 Maria // Mar 16, 2010 at 8:58 pm

    Parabens pelo texto!
    Portugal realmente está quase a bater no fundo. O regicídio e república são causas do nosso atraso de hoje e faz todo o sentido comparar o progresso das Monarquias Europeias de hoje, com o nosso atraso por sermos uma república.
    Portugal precisa de regressar às suas origens. Temos quase 900 anos de Monarquia, 9oo anos de História e o Fundador da Nação Portuguesa foi um Rei em 1143.
    Não temos ligação nenhuma com a república que nos foi imposta com sangue régio e uma bandeira que representa a carbonária.
    A Monarquia é a alternativa de Futuro. Nos tempos que correm, onde cada vez mais o povo tem menos poder de compra e que o país caminha para a “banca rota”, nada melhor que ter um Rei que é desde cedo preparado para servir o país, não pertence a nenhum partido político, está acima das facções partidárias, podendo assim representar todos os Portugueses independentemente da sua cor política.
    A Monarquia é Liberdade, Prosperidade e Identidade Nacional. É Democracia!
    O Rei representa a nossa História, respeita o Passado e guia-nos para o Futuro. O Rei não é detentor de privilégios, é sim em primeiro lugar um servidor do povo, que resulta da aceitação popular e multissecular aliança Rei-Povo.
    Ao longo de 100 anos o que melhorou efectivamente em Portugal? Será que Portugal é um país de renome internacional? Será que os 900 anos de Monarquia não elevaram mais Portugal? A união dos Portugueses está na sua diferença e é afirmando as suas diferenças e respeitando-as que construímos Portugal.
    Vamos Restaurar o Futuro, vamos Restaurar Portugal!
    VIVA O REI! VIVA DOM DUARTE PIO DE BRAGANÇA!
    VIVA PORTUGAL!
    Bem haja pelo seu texto!

  • 2 Mendo Castro Henriques // Mar 21, 2010 at 2:55 pm

    Agradeço à Maria Menezes ter-me chamado a atenção para este texto.
    Pode-se sempre fazer futurologia e este é um dos muitos cenários possíveis mas a transição para a monarquia será sempre diferente do que podemos hoje imaginar.
    Por que razão os exercícios de previsão do futuro político falham sempre ? Por dois motivos.
    1) Porque o ser humano é livre e não há nenhuma teoria política que consiga aprisionar a sua criatividade, inclusive a política.
    2) Porque existe uma dinâmica económica e social em acção, independente das nossas convicções.
    Um exemplo no que interessa, ou seja a Monarquia Constitucional, ou República com um Rei.
    Entre 1834 e 1851, debateu-se, discutiu-se, fizeram-se constituições, lutou-se e matou-se em Portugal em nome de convicções mais radicais ou mais moderadas.
    O que foi a Regeneração de 1851 com os mesmos homens e mulheres ? O reconhecimento de que primeiro está o desenvolvimento do país e depois a organização ideológica, administrativa , etc.
    Continue a escrever porque o texto tem a dimensão interessante da Europa. Mas informe-se melhor. Coudenhouve-Kalergi é o inspirador do arquiduque Otão de Habsburgo.

  • 3 Rafael Borges // Mar 24, 2010 at 10:36 pm

    Caro Mendo Castro Henriques;

    Obviamente, futurologia é uma espécie de suposição elaborada.
    Em todo o caso, esta é a minha visão pessoal do que poderá vir acontecer.
    Quanto ao Arquiduque Otto von Habsburg, no geral, não concordo com ele no que toca a integração europeia. Pelo contrário.
    Aliás, sou um monárquico português, que quer um rei português como chefe de um estado português.
    Para além de não concordar com Otto von Habsburg na questão da integração europeia, não o vejo representativo do ideário monárquico.
    Não compreendo, portanto, o seu conselho.
    Com os melhores cumprimentos;
    Rafael Borges

  • 4 Rafael Borges // Mar 24, 2010 at 10:47 pm

    Já agora, caro Mendo Castro Henriques;
    Decerto sabe que o Arquiduque Otto, o mesmo que foi inspirado pelo Conde Coundenhove-Kalergi, de cujo movimento federalista europeu faz parte, também se declarou “cidadão fiel à república”, numa declaração pública que fez em 1961.
    É por isso que não é apenas perigoso vê-lo como um arquétipo para todos os monárquicos a nível internacional. É absurdo.
    Cumprimentos

  • 5 Mendo Henriques // Abr 3, 2010 at 6:33 pm

    Caro Rafael Borges
    Um pouco de modéstia e de mais estudo ficava-lhe bem, uma vez que os seus talentos, esses não pode mudar. Aconselho-o a que leia os livros do arquiduque Otão de HAbsburgo publicados em Portugal pelo movimentos monárquicos antes e depois de 25 de Abril por Henrique Barrilaro Ruas e do seu apoio explícito ao sobrinho, D Duarte de Bragança, como herdeiro e dos reis de Portugal.
    Não existem modelos internacionais para a monarquia democrática nem se percebe das suas palavras quem fez essa afirmação.
    Pode ser que agora compreenda melhor, pode ser que não. Eu é que ficava mal com a minha consciência se deixasse passar afirmações que insinuam que Portugal não é também um país europeu.

  • 6 Rafael Borges // Mai 5, 2010 at 1:10 pm

    Caro Mendo Castro Henriques;

    Portugal é um país europeu sim, pela sua matriz cultural comum e, diga-se, por acaso geográfico.
    Portugal é portanto um país europeu por situar-se na Europa e pelas semelhanças e afinidades culturais com o resto do continente, ou seja, é parte da Europa geográfica e da Europa cultural.
    Actualmente, é artificialmente mais que isso. É também membro de uma Europa económica e, pior, de uma Europa política. Como afirmo no texto, não vejo qualquer necessidade para isso, nem tampouco para a deriva federalizante de Bruxelas. É precisamente por isso que, de acordo com o que o senhor disse acima, o Arquiduque Otão é o paradigma do paradoxo, ainda que, de facto, porém, seja mais coerente. Afinal, declarou-se um “cidadão fiel à república” e, pior que isso, um federalista europeu convicto, reconhecendo assim algo que é indubitável, que a Monarquia, seja ela de que tipo for, é absolutamente incompatível com um governo supra-nacional ou federal. E isto pelo simples facto de que o próprio conceito de Monarquia (e de democracia, já agora), se baseia na existência de um povo, de uma grupo étnico ou cultural, ou seja, tendo em conta que não existe nem nunca existiu um povo europeu, também não pode existir uma democracia ou uma Monarquia europeia. Ser Monárquico e europeísta ao mesmo tempo é um total absurdo, um contra-senso, um paradoxo.
    Quando à modéstia, não me peça para ser humilde e compreensivo quando falo do Arquiduque Otão de Habsurgo, homem pelo qual não nutro o mínimo respeito.

    Como sempre, com os melhores cumprimentos;~

    Rafael Borges

  • 7 Mendo Henriques // Mai 24, 2010 at 5:23 pm

    Caro Rafael.

    “Ser Monárquico e europeísta ao mesmo tempo é um total absurdo, um contra-senso, um paradoxo”
    E não lhe ocorre que o mundo é governado mais por paradoxos do que por ideias lógicas ? Porque o paradoxo, como na fé, comanda a vida emquanto que as ideias presumidamente lógicas desembocam no totalitarismo.

    “quando falo do Arquiduque Otão de Habsurgo, homem pelo qual não nutro o mínimo respeito”. Então fica com dois problemas que são 1) não perceber a posição desse grande amigo de Portugal e 2) desrespeitar uma pessoa.

    Abra as janelas! Pergunto-me se já alguma vez visitou Bruxelas, ou esteve uma temporada fora de Portuigal, ou se faz ideia de que Bruxelas é o cokpit” ( estude a palavra) da Europa. Há os que abusam da xenofilia e há os que abusam da xenofobia. Evite os dois grupos, jovem amigo

    Mendo Henriques

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