“Há pais que pensam que se disserem ‘não’ aos filhos os fazem infelizes, mas acaba por haver quase uma tirania das crianças em relação aos pais”
São 35 anos ligada ao ensino. Há oito anos que exerce cargos de gestão. Acha que a escola está a fazer o papel dos pais e quer chamá-los à responsabilidade.
Tem 53 anos. Aos quinze começou a tirar o curso no Magistério Primário. Acabou aos 18. “Fui por vocação, porque gosto muito de ser professora”, afirma. Iniciou-se a dar aulas numa escola que foi inaugurar, no Bairro dos Arneiros, nas Caldas da Rainha. Depois ficou efectiva na escola de São Mamede, no Bombarral. Deu aulas a adultos e passou por várias escolas até suspender a docência para se dedicar a projectos empresariais.
“Nunca abandonei completamente o ensino, dentro de mim eu fui sempre professora, porque nessa altura também dei formação profissional na área da doçaria e um curso de aproveitamento de excedentes agrícolas para esposas de agricultores”, sublinha. Aproveitou também para tirar um curso superior especializado de direcção pedagógica e administração escolar.
Actualmente faz parte do Conselho Nacional das Escolas, constituído por 60 directores de escolas. Comenta que “nunca vi tão má educação vinda de casa e isso é muito grave. As crianças não trazem regras, o mínimo de sentimento de respeito pelo outro. São extremamente egoístas, acham que podem tudo e é difícil depois ao professor dominar, no sentido de lhes incutir regras”.
“É muito preocupante. Eu nunca tinha tido uma criança no 1º ano a ser alvo de um procedimento disciplinar. São crianças que vêm com uma incrível falta de regras. Os pais têm que saber dizer ‘não’ aos filhos, porque dizer sempre ‘sim’ não é estar a fazer bem a uma criança, que fica a pensar que a partir daí pode fazer tudo. É claro que a escola tem de colaborar, mas a educação de base tem de vir de casa, é aí que tem de se aprender como é que se responde às pessoas e que não se podem infringir determinadas regras”, manifesta.
Como directora do agrupamento de escolas de Campelos, em Torres Vedras, Teresa Serrenho, natural das Caldas da Rainha, tem desenvolvido acções de formação para pais e a partir de Janeiro vai organizar um curso semanal sobre como lidar com as crianças e a sua evolução.
Também acha que a tecnologia tem tido por vezes um aproveitamento perverso. “As crianças têm de aprender, fazendo. Mais vale mais uma aula tradicional do que se fazer muita inovação e depois de espremido os alunos não desenvolvem o raciocínio lógico. Por exemplo, se estão dependentes do computador para escreverem isso pode não ser tão bom para o desenvolvimento que se pretende”, alerta.
Contesta igualmente a “sobrecarga de trabalho burocrático na escola, que impede os professores e funcionários de darem tanta atenção aos alunos”.
Contudo, deposita na escola “esperança na transmissão de mais valores aos jovens que serão o futuro do país”. “A mudança positiva da sociedade depende da educação”, acredita.
Francisco Gomes



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