Caldas da Rainha, Óbidos, Alfeizerão, São Martinho do Porto, Benedita, Bombarral, Peniche e Cadaval, Oeste

Director: Jaime Costa | Chefe de Redacção: Francisco Gomes

 

Maus cheiros à entrada da cidade das Caldas

Novembro 12th, 2009 in Jornal das Caldas. Edição On-line Sem Comentários

Cheiro a esgoto do Rio da Cal está incomodar os moradores e comerciantes Os cerca de 250 metros quadrados do Rio da Cal junto à Quinta dos Pinheiros, nas Caldas da Rainha, continuam a exalar um valente cheiro a esgoto, e está incomodar os moradores e comerciantes daquela zona, numa das entradas da cidade.

O problema já se arrasta há anos. O Rio da Cal, que nasce próximo das Caldas da Rainha e desagua na Lagoa de Óbidos, está poluído e muito degradado na maior parte do seu curso.

Num dos seus percursos urbanos, encontra-se o “Rio Sujo” junto a uma área comercial e residencial, com um mau cheiro, uma água espumosa e turva e cheio de ratazanas.

Os moradores e comerciantes da zona, que já apresentaram queixa à Câmara Municipal das Caldas da Rainha à Administração da Região Hidrográfica do Tejo (ARH) em 2005 e ainda não obtiveram resposta nenhuma por parte das entidades competentes. O problema agravou-se, pois o cheiro piorou, levando mosquitos e ratazanas para o local.

O proprietário da lavagem de automóveis Elefante Azul, situada na Rua Vitorino Fróis, nas Águas Santas, Orlando Higino, mostrou-se preocupado com a situação, alegando que o mau cheiro provocado pelo rio é insuportável e tem vindo a prejudicar o seu negócio. “Tenho muitos clientes que vão ao meu estabelecimento lavar o veículo e desconhecendo a existência do Rio da Cal naquela zona perguntam se há uma pecuária ali perto”, disse, acrescentando, que “ninguém gosta de estar a lavar e aspirar o carro com um odor insuportável e no meio das moscas e mosquitos”.

Este responsável pela concessão das Caldas da Rainha tem o seu escritório nas traseiras do Rio Cal e alega que tem que manter sempre a porta fechada por causa das ratazanas que existem no local.

Orlando Higino revela que já fizeram um abaixo-assinado e foram recebidos pelo presidente da Câmara, que lhes disse que “se o Ministério do Ambiente permitisse a autarquia resolvia o problema no sentido de colocar manilhas naqueles 250 metros do rio”. Segundo este empresário, uma parte do rio já foi tapado com uma manilha grande e agora falta resolver o problema daqueles 250 metros, que está a prejudicar os moradores e comerciantes no local.

Anabela Rodrigues, moradora que tem a traseira da sua casa virada para o Rio da Cal, está cansada de viver aquela situação, frisando que já fizeram queixa ao Ministério do Ambiente e que “nada se resolve”. “Somos um grupo de moradores e comerciantes que já somos muito incómodos para a Autarquia e para o Ministério do Ambiente, porque estamos sempre a telefonar, mas o que é certo é que não podemos passar mais um ano a viver com este cheiro e mal estar”, declarou. “Falta só colocar manilhas nestes 250 metros. O presidente da Câmara das Caldasas já disse que resolvia o assunto mas que não tem autorização do Ministério do Ambiente”, adiantou.

A moradora diz que não pode abrir uma janela da sua casa nem tão pouco se pode estar no quintal da traseira da sua residência.

Anabela Rodrigues referiu ainda que falaram com Carlos Castro, chefe da ARH do Tejo, Gabinete Sub-Regional do Oeste, e que este responsável disse que era uma “linha de água limpa”.

Artur Santos, responsável por um hipermercado na zona, também quer ver o problema resolvido e está solidário com os outros comerciantes.

“Tem havido uma evolução positiva” – ARH do Tejo

Questionado sobre qual o ponto de situação do Rio da Cal, Carlos Castro disse ao JORNAL DAS CALDAS que desde 2007 têm “vindo a acompanhar esta situação e realizado diversas reuniões com a Câmara Municipal das Caldas da Rainha para a resolução do problema”.

Carlos Castro adiantou que a Autarquia fez uma vistoria a parte do troço manilhado da linha de água “tendo detectado diversas ligações clandestinas e más ligações efectuadas pela Câmara”. “As principais correcções foram efectuadas em diferentes fases pela Câmara como por exemplo uma parte da zona mais antiga da cidade estava ligada directamente ao colector pluvial e não ao doméstico, situação prontamente resolvida”, explicou, acrescentando que “a evolução positiva é notória nesta linha de água”.

Segundo este responsável, “esta linha de água tem um cheiro permanente característico das águas termais de Caldas da Rainha, que são águas naturais”.

Carlos Castro diz que “os residentes da zona verificaram as melhorias, mas têm por objectivo o manilhamento do restante troço da linha de água, situação que nós sempre afirmámos como não sendo possível, havia sim que melhorar o estado da linha de água e que se tirasse partido da linha de água na zona do ponto de vista paisagístico, e que não se vivesse de “costas voltadas ” para essa linha de água”.

O Chefe da ARH acrescenta que actuação tem sido no sentido de que “o rio deve estar a céu aberto e que deve ser devidamente reabilitado e terminar com todas as descargas de águas residuais”. No entanto, sublinha que “este trabalho exige tempo e dispêndio de verba, mas é uma situação que o Município tem vindo a efectuar, como é demonstrado pelo lançamento de concursos para reabilitar a zona velha da cidade e dotá-la de redes separativas”.

Segundo este responsável, a politica da ARH Tejo neste tipo de situações tem-se pautado por reunir com as entidades locais no sentido de estabelecer um protocolo de colaboração para beneficiação deste e outros casos no concelho. “É de importância para a cidade a reabilitação das suas linhas de água na zona urbana, valorizando a sua relação com a cidade”, declarou.

Marlene Sousa

Tags: Sociedade

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