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Director: Jaime Costa | Chefe de Redacção: Francisco Gomes

 

Família indignada com a polícia

Outubro 14th, 2009 in Jornal das Caldas. Edição On-line 3 Comments

Jovem do Carregal morto quando empunhava pistola de alarme em farmácia na Bélgica

belgica-1.jpgUm jovem luso-belga de 23 anos foi abatido com três tiros no peito pela polícia de Antuérpia quando empunhava uma pistola de alarme numa farmácia, onde viu recusada a venda de um medicamento por não ter receita. A família mostra-se indignada com as autoridades belgas, considerando que “atiraram à queima-roupa para matar, quando podiam ter resolvido a questão de outra forma, eventualmente até apenas o ferindo para dominar a situação”.
Nuno Francisco Vieira, natural de Lisboa, estava desde pequeno na Bélgica, para onde o pai, que possuía um restaurante, tinha emigrado há 43 anos. Todos os anos vinha a Portugal, onde tem família na zona de Óbidos. Vivia na segunda maior cidade belga e trabalhava para uma empresa de segurança.
No dia 29 de Setembro, pelas cinco e meia da tarde, deslocou-se a uma farmácia no centro de Antuérpia. “Tinha-me dito que precisava de medicamentos para dormir e que tinha de ir à farmácia comprar”, recordou o pai, Américo Vieira, que está em Portugal para o funeral do filho, que se realizou no passado sábado na aldeia do Carregal, em Óbidos.
“Quando chegou à farmácia pede à senhora que estava a atender uma caixa de Xanax [um anti-depressivo e remédio utilizado para acalmar e controlar a ansiedade]. Como ela não quis vender, por não haver receita médica, ele puxou de uma pistola de alarme que levava, saltou o balcão e começou a remexer nas gavetas para ver se encontrava o medicamento”, contou Américo Vieira.
“A farmacêutica carregou no botão de alarme e avisou-o de que a polícia chegaria ao estabelecimento em pouco tempo e ele, em vez de fugir, permaneceu. Passados dois minutos chegou a polícia, que, segundo contam os jornais belgas, entrou na loja e disseram-lhe para largar a arma, ordem que ele não acatou”, referiu o progenitor, indicando que na altura estavam no interior do estabelecimento a dona da farmácia, dois funcionários e dois clientes.
“Acho que ele entrou em pânico e do lado de fora um atirador especial, através da vitrina, a seis metros de distância, mandou três balas direitas ao peito, para matar”, descreveu, adiantando que “um dos jornais belgas colocou em título ‘jovem abatido a sangue-frio pela polícia’”.
“Foi utilizada uma arma altamente sofisticada para abater o meu filho. Tem um binóculo e a precisão permitia que, em vez de ter atirado a matar, pudesse apenas ser ferido, numa perna ou num braço”, sustentou Américo Vieira.
“Meti o caso num advogado porque quero saber em que condições o meu filho foi morto. Pedimos o relatório da polícia e o resultado da autópsia e com base nisso, actuarei em conformidade, com uma queixa pela actuação policial, se se comprovar que podia ter agido de outra forma”, manifestou o emigrante luso-belga, que reconheceu que para ele Nuno Vieira “era agressivo verbalmente” mas “as outras pessoas diziam que ele era simpático e gentil”.

Francisco Gomes (texto)
Carlos Barroso (fotos)

Legendas:
1-Américo Vieira, o pai, queixa-se da polícia
2-Nuno Vieira tinha na mão uma pistola de alarme
3-A farmácia onde o caso aconteceu
4-Buraco das balas

Funeral

A autorização para trasladação do corpo só na semana passada foi dada porque o consulado português apenas está aberto à segunda e quinta-feira, e fechou no feriado de 5 de Outubro. O corpo chegou a Lisboa na sexta-feira e ficou em câmara ardente na capela do Carregal, em Óbidos. O funeral foi sábado à tarde, reunindo centena e meia de familiares e amigos.

Silêncio

“A polícia não me diz nada, só uma psicóloga falou comigo. Quero saber a verdade, mas o relatório tem de ser pedido através do advogado. Também na farmácia não me deram informações, alegando que não estavam em condições de o fazer”, lamentou Américo Vieira, que não tem dúvidas: “O meu filho foi assassinado”.

Droga

“Morfina leva jovem à morte”, titulava um dos jornais diários de Antuérpia no dia a seguir à ocorrência. Américo Vieira esclareceu que “a única coisa que a polícia me disse foi que o meu filho tinha pedido Xanax, não andava à procura de morfina”, revelando que o filho “consumia cannabis, mas não morfina”. “O consumo na Holanda é livre, na Bélgica as autoridades fecham os olhos”, indicou.

Pistola

O pai desconhece onde Nuno Vieira adquiriu a pistola de alarme e com que objectivos o fez. “Não era uma arma da empresa de segurança, porque ele tinha terminado o trabalho no final de Agosto e estava à espera de ser colocado noutra região. Era uma pistola quase de brincar”, referiu, adiantando que o filho levava identificação com ele.

Telefonema

A morte foi comunicada ao pai por telefone, através de uma intérprete da polícia. “Telefonou-me a dizer, em português, que o meu filho estava morto no Hospital Universitário”, recordou Américo Vieira, que vivia só com o filho num apartamento a 800 metros da farmácia e “a 200 metros do local onde ele passou a juventude, porque era onde eu tinha o restaurante”. Em Antuérpia reside uma grande comunidade portuguesa.

Tags: Ocorrências

3 comentários até ao momento ↓

  • 1 Pedro Alves // Out 19, 2009 at 2:02 am

    Sinceramente, e o que vou dizer poderá chocar algumas pessoas… acho que as autoridades fizeram bem, quer se dizer, agora “coitado do rapaz que tava numa farmacia com uma pistola a ameaçar pessoas inocentes…”, pelo que li… uma pessoa estar tão desesperada por medicamentos, levar uma pistola etc… não seria algum toxicodependente a procura de algo para alem de um xanax?

    Não querem mais episódios destes? Não brinquem aos heróis.

  • 2 Jose // Ago 27, 2010 at 5:38 am

    é muito complicada a situação, mas o Pai devia pôr.se no lugar dos farmaceuticos m e perguntar-se a si proprio se que fosse ele que estivesse sob uma arma apontada, se ia querer que a plocia atirasse apenas para o ferir….porque ninguem sabia se a arma era de brincar,,,,e se fosse real poderia ferido…ter alguma reação…inesperada…que faria Vc?

  • 3 Jose // Ago 27, 2010 at 5:44 am

    contudo lamento muito a perda de uma vida e a razão do desespero…..os unicos culpados somos todos nós que se no caso ele procurasse por outo medicamento,,,,,permitimos que os Nossos Governantes, permitam…drogas nas ruas e não protejam as vitimas da droga…embora possa não ser este o caso

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