Jorge Mangorrinha faz doutoramento com investigação sobre cidades termais
Jorge Mangorrinha, ex-vereador na Câmara das Caldas, com os pelouros do Planeamento Urbanístico, Património e Termalismo, efectuou o doutoramento na área do Urbanismo, na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. As provas realizaram-se no dia 30 de Setembro, com um júri de 6 elementos, incluindo a presidência reitoral, provenientes das universidades de Coimbra, do Algarve e da Técnica de Lisboa.
A dissertação baseou-se na análise inédita de mais de 50 planos realizados nas termas portuguesas a partir de uma primeira lei urbanística, de 1934, até à actualidade. Na parte final da tese, analisou as estratégias recentes para as três realidades urbanas com estatuto de cidade, ou seja, Caldas da Rainha, Chaves e Vizela. “Dá-se a coincidência de as três terem ultimamente realizado formalmente planos estratégicos. A investigação que deu suporte a esta dissertação enquadrou-se, assim, na problemática do planeamento estratégico e territorial das termas em Portugal, com particular enfoque no conceito de Cidade Termal, na sua dupla vertente de saúde e lazer, visto como um exemplo paradigmático para o estudo do Urbanismo”, refere.
“As cidades e estâncias termais, com as suas características próprias, são espaços de lazer que potenciam os fluxos turísticos e os serviços que globalmente as servem, e o seu papel futuro no universo das cidades portuguesas passa pela adopção de estratégias de diversificação e complementaridade com características inovadoras e reflexos no Urbanismo. Por isso, não se configuram pela soma de factores isolados, mas pela integração de oferta e procura e pela interacção de múltiplos agentes no conjunto do território. Elas possibilitam sinergias entre diferentes produtos turísticos e actividades, com rentabilidade sobre a base de economias sistémicas”, sustenta Jorge Mangorrinha.
“Ao abordar-se a relação ordenamento-turismo no estudo da Cidade Termal, um aspecto relevante é o grau de qualidade urbanística do local. E sendo este deficiente, então, o turismo perderá seguramente competitividade e participação de mercado”, sublinha.
“A Cidade Termal é um estudo de caso do turismo urbano, actividade que se tem revelado nos últimos anos como uma das mais dinâmicas, na oportunidade de diversificação do produto turístico e nas apostas estratégicas das cidades. Mas tal só é possível com um correcto e eficaz planeamento urbanístico e uma consequente e competente gestão urbana. O turismo tem uma capacidade estruturante do território e uma directa incidência nas funções económicas do mesmo, pelo que uma definição mais restrita e ajustada do conceito de destino turístico requer um mínimo grau de especialização turística. Em sentido inverso mas complementar, o planeamento e a gestão do território incidem na oferta turística, designadamente na preservação do património natural e cultural, na valorização dos espaços públicos urbanos, na reabilitação arquitectónica, na construção de infra-estruturas e na valorização e promoção de uma imagem urbana diferenciada”, descreve.
Jorge Mangorrinha relata que nesta investigação “as três cidades portuguesas com termas, Chaves, Caldas de Vizela e Caldas da Rainha, tendo as suas instalações balneares localizações diferentes em relação aos respectivos núcleos urbanos, dependem destes em aspectos da economia urbana e das actividades lúdicas – mais Caldas da Rainha do que Chaves e Caldas de Vizela –, para além de que os aspectos ambientais se mantêm como fundamentais. É claro sobretudo para Caldas da Rainha e Chaves que a economia global de cada aglomerado sobrevive mesmo quando as termas estão fechadas. Esta evidência podia ter aspectos positivos, como prova de que as cidades viram nascer outras funções e economias, mas o que se torna maior problema é o facto de que qualquer das cidades não apresentar ainda uma imagem forte e uma rede económica importante de ligação directa à actividade termal para se constituírem como verdadeiras cidades termais, com base na conceptualização traçada nesta tese e nalguns exemplos europeus relevantes”.
“É uma dissertação académica, mas que pode ser muito útil para quem queira refundar a Cidade Termal, por exemplo nas Caldas da Rainha, onde não é desejável manter o estado das coisas. É preciso que se devolva a cidade às suas raízes, relançando modernamente as suas termas, deixando as reservas estratégicas possíveis de terrenos para a sustentabilidade da actividade, regenerando o seu comércio e mercados tradicionais e, enfim, reabilitando competentemente o seu centro urbano e estruturando a periferia, mas integrando também outros atractivos e outros desempenhos estratégicos, numa lógica de cidade global e aberta à integração regional e a uma rede de contactos internacionais”, conclui.
Jorge Mangorrinha é arquitecto Assessor do quadro da Câmara de Lisboa e investigador em Ordenamento Turístico e Termalismo, e Delegado Europeu da Rede de Cidades Termais.
Em 2006 e 2007, foi coordenador científico do Rastreio e Levantamento dos Conjuntos Termais Portugueses, para o IPPAR.
No quadriénio de 2002 a 2005, foi vereador na Câmara das Caldas.
Francisco Gomes


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