Uma monitorização ambulatória da pressão arterial (MAPA) foi o prémio que o Centro de Saúde das Caldas das Rainha ganhou por ter alcançado o primeiro lugar no rastreio de doentes portadores de hipertensão arterial, com os quais foi acordado um conjunto de práticas tidas como benéficas na prevenção da hipertensão arterial (dieta, exercício físico, respeito pela medicação, etc).
A cerimónia de entrega do equipamento médico ao Centro de Saúde das Caldas, vencedor do projecto “Ganhar Saúde”, que apresentou os resultados mais positivos na redução da tensão arterial dos utentes que participaram no rastreio, decorreu a 12 de Outubro no auditório do Centro de Juventude das Caldas da Rainha, com a presença de Polybio Serra e Silva, presidente da Delegação Centro da Fundação Portuguesa de Cardiologia.
Na campanha “Ganhar Saúde” particionada pela Fundação Portuguesa de Cardiologia que decorreu em duas fases, entre Março e Maio, com enfoque na tensão arterial sistólica (máxima), participaram 24 Centros de Saúde / Unidades de Saúde Familiar do norte, centro e sul do país.
Das seis Unidades de Saúde do centro e sul do país que participaram no projecto, o Centro de Saúde das Caldas da Rainha foi o que conseguiu na consulta de reavaliação que mais utentes tenham baixado a tensão arterial, doando o que perderam para a campanha Ganhar Saúde, simbolizada por esferas vermelhas, que foram depositadas num recipiente especial existente no centro de saúde.
“No Centro de Saúde das Caldas houve cerca de mil milímetros de mercúrio (mmHg) reduzido, o que representa mil bolinhas dentro da tômbola”, disse, Wilson Barros, gestor do projecto por parte da Novartis Farma, acrescentando que “a nível nacional foi uma diferença muito grande, nas pessoas que apareceram na segunda fase para a avaliação da redução da tensão arterial”.
Cerca de cento e cinquenta pessoas participaram na primeira fase do rastreio que decorreu entre 23 e 24 de Abril no Centro de Saúde das Caldas da Rainha. Os utentes fizeram um rastreio ao risco cardiovascular e diabetes, programa que incluiu um questionário de risco de diabetes, medição da tensão arterial, peso, altura e índice de massa corporal, medida da cintura e glicemia.
Depois uma equipa de dois enfermeiros da FPC avaliou o estado de saúde do utente. Nos casos em que se verificaram factores de risco acima dos valores recomendados, o utente foi aconselhado, recebeu material educativo e foi-lhe agendada uma consulta para o dia 22 de Maio, como forma a fazer uma nova medição para verificação dos resultados e registar os progressos atingidos. Na segunda fase do projecto compareceram 100 utentes que com a redução da sua tensão arterial contribuíram para o bom resultado do Centro de Saúde das Caldas que foi galardoado com um aparelho Mapa – Monitorização Ambulatória da Pressão Arterial.
Das Unidades de Saúde do centro e sul do país, o Centro de Saúde das Caldas da Rainha é o primeiro a ter este equipamento, com uma técnica que permite obter medidas múltiplas e indirectas da pressão arterial durante 24 ou mais horas consecutivas com um mínimo de desconforto, durante as actividades diárias do paciente.
Com um custo de cerca de 1800 euros, este equipamento médico é, segundo o presidente da Delegação Centro da Fundação Portuguesa de Cardiologia, uma mais-valia, porque “muitas vezes o médico de família tem necessidade de mandar um utente hipertenso para um especialista em cardiologia que por sua vez manda fazer este exame (Mapa) que não é comparticipado”.
“Agora o Centro de Saúde das Caldas já pode fazer o exame sem sobrecarregar o doente com mais despesas”, disse Polybio Serra e Silva, adiantando que “a unidade de saúde das Caldas fica agora perante as outras com uma possibilidade de ir um bocado mais longe no estudo dos doentes com hipertensão arterial”.
Segundo este médico, só 11 por cento dos hipertensos têm a tensão arterial controlada. “Há muitos que não sabem que têm a tensão alta, outros sabem e não se tratam, outros são mal informados”, disse Polybio Serra e Silva, referindo que as pessoas “têm que se convencer que a hipertensão arterial é uma doença que em 95% dos casos é de causa desconhecida, e é a principal causa do Acidente Vascular Cerebral”. “Se Portugal é o chefe de fila a nível Europeu dos AVC’s, acho que ao lutarmos contra hipertensão estamos a fazê-lo para o bem da comunidade”, apontou.
Os profissionais de saúde do Centro de Saúde das Caldas vão agora receber formação na utilização da MAPA. Para Leonor Salvo, coordenadora da Unidade de Saúde Familiar Rainha D. Leonor, o aparelho médico é sem “uma mais-valia para os nossos doentes hipertensos mal controlados em que podemos fazer um registo nas 24 horas da tensão arterial para nos apercebermos se de facto os períodos da tensão são mais durante o dia ou à noite para adequarmos a medicação”.
Segundo esta responsável, a população das Caldas aderiu à campanha “Ganhar saúde” porque já está habituada aos rastreios que decorrem no Centro de Saúde. Para Leonor Salvo, são os utentes que fizeram o rastreio e que baixaram a sua tensão arterial que “estão parabéns porque colaboraram e empenharam-se no seu bem estar”.
Leonor Salvo diz que agora vão aprender a utilizar o equipamento Mapa e instalar o programa no computador, e está confiante que seja bem aproveitado porque “é um exame que não é comparticipado”.
Mais de 50 por cento dos participantes neste rastreio nacional da Fundação Portuguesa de Cardiologia tinham a hipertensão arterial alta, apesar de estarem medicados, e 20 por cento conseguiram baixá-la num mês, revelou, Wilson Barros da Novartis Farma.
Este projecto é da responsabilidade da Fundação Portuguesa de Cardiologia, em parceria com a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, a Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral e a Novartis Farma.
Marlene Sousa


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