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Teatro da Rainha encena Letra M na antiga lavandaria do Hospital

Setembro 30th, 2009 in Jornal das Caldas. Edição On-line Sem Comentários

teatro.jpgO Teatro da Rainha, em co-produção com o Teatro Nacional de São João, estreia no dia 7 de Outubro, às 21h30, o espectáculo Letra M, de Johannes Von Saaz / João Vieira. Estará em cena nos dias 8, 9, 10, 11, 14, 15, 16 e 17 de Outubro, sempre às 21h30, na Antiga Lavandaria do Centro Hospitalar Oeste Norte, Caldas da Rainha.
A peça é baseada na obra “O lavrador da Boémia”, um combate retórico entre o Homem e a Morte escrito por Johannes von Saaz sob o impacto emocional da morte de Margarida (Letra M), a sua esposa. No espectáculo, a Morte actua em palco, mas é também protagonista em todos os quadros concebidos para o espectáculo pelo artista plástico João Vieira, o segundo autor deste projecto, também responsável pelo dispositivo cénico.
A nova produção do Teatro da Rainha é uma cenografia global já que integra o cenário e concebe a sala, o lugar dos espectadores.
Sentado no seu trono e rodeado por oito retratos seus, o senhor da morte, imponente e intransigente, domina o reino dos mortais e vigia a realidade. A sua voz grave ecoa no dispositivo cénico que lembra os círculos do inferno do poema de Dante, uma antecâmara da morte, uma prisão onde o lavrador caiu após a morte da sua amada Margarida: “Queremos mostrar-te a verdade. Escute-a quem quiser!”.
“O actor lavrador/autor (Paulo Calatré) está perante o actor morte/poder (António Durães). Enquanto que o corpo da morte é de certeza um corpo omnipotente, o corpo do lavrador é um corpo de alguém que está como um felino, como alguém que defende e ataca”, revela Fernando Mora Ramos, encenador da peça.
O lavrador, esse “homem sábio da Cidade da Asneira”, é um homem em mudança que passa do estatuto de indivíduo apavorado e destruído ao papel de advogado da acusação. O lavrador da Boémia quer pôr-se à altura da Morte, quer medir forças com ela. Revolta-se perante o requisitório do senhor da Morte, defendendo com louvor o homem, a “mais nobre criatura de Deus” e também o amor.
“Letra M” surpreende pela condição interdisciplinar do espectáculo, que conta com a intervenção de imagens e de música. Partindo do dispositivo cénico criado por João Vieira, o Teatro da Rainha encena um texto medieval de uma desconcertante actualidade, redigido em 1401 por Johannes von Saaz, jurista de formação.
As pinturas de João Vieira, “iluminuras em ponto grande”, segundo Fernando Mora Ramos, e o “jogo” cénico dos dois actores, António Durães e Paulo Calatré, dão corpo às palavras de Saaz. A vida conjugal, a condição de mulher, a justiça, a vaidade dos homens, o amor e o sofrimento são discutidos num frente-a-frente empolgante e intenso.

Tags: Cultura

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