233 alunos queixaram-se de dores nas costas
Em parceria com todas as escolas de 3º ciclo públicas e privadas foi aplicado em 2008/09 um inquérito a todos os alunos do 7º ano de escolaridade do concelho das Caldas da Rainha, num total de 584 indivíduos, com o objectivo de avaliar as queixas de dores nas costas e a sua causa e alteração de comportamentos relacionados com o uso da mochila.
Estes alunos tinham sido no seu 5º ano de escolaridade submetidos a avaliação dos mesmos parâmetros e a formação quanto à correcta utilização das mochilas e à arrumação do seu conteúdo.
A par deste inquérito de auto preenchimento para avaliação de conhecimentos, foi implementada uma avaliação para medição do peso da mochila e a forma como é transportada a mochila pelos alunos. Foi utilizada uma amostra aleatória, a fim de avaliar objectivamente a adopção ou não de comportamentos protectores das costas.
Observou-se um aumento significativo de alunos que transportam “Bem” a sua mochila, que em 2006/07 registava 43,7% passando para 70,9% em 2008/09.
Quanto ao peso da carga, registou-se uma redução percentual significativa dos indivíduos que transportavam mochilas com peso entre 5,5 a 7kg que em 2006/07 era cerca de 46,0% passando para 7,2% em 2009 e aqueles que transportavam acima de 7kg a redução registou-se de 7,2% para 1,5%.
Estes dados de mudanças de comportamentos dos alunos revelam a eficácia do programa “Se as Minhas Costas Falassem”.
Apesar disso, cerca de 40% (233) dos 584 alunos queixam-se de dores das costas e 67,1% (392) acham que a sua mochila é muito pesada ou pesada.
Os alunos mostraram algumas competências na gestão dos materiais escolares, nomeadamente a escolha da mochila adequada e a arrumação dos materiais na mochila. Parecem existir no entanto múltiplos factores que levam à sobrecarga.
A ausência de medidas nos estabelecimentos de ensino para ajudar os alunos na redução do peso que transportam ao longo do dia, é o motivo das queixas dos alunos.
A falta de cacifos colocados em locais adequados, a falta de normas para dar prioridade aos alunos que vivem em zonas mais distantes e a exigência de alguns docentes de materiais extra aumentam a exposição ao excesso de peso transportado.
Por outro lado observaram-se muitos casos de falhas de gestão adequada do material, existindo alunos com dossier escolar pesando cerca de 2kg, que por si só, representa muitas vezes um terço do peso da mochila transportada.
A escolha errada dos materiais escolares também agrava a situação.
“Estes resultados indicam eficácia do programa quanto ao efeito facilitador de mudanças nos alunos, mas torna-se necessário reforçar a intervenção a nível global na comunidade escolar, visto que só a competência dos alunos não é o suficiente para prevenir estas queixas de dores nas costas, nem a redução efectiva do peso das mochilas”, aponta a fisioterapeuta Teresinha Noronha, da Coordenação de Saúde Escolar do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Norte.
“Os alunos estão a adoptar comportamentos mais saudáveis, mas precisam do envolvimento de toda a comunidade escolar e sobretudo dos decisores para serem adoptadas medidas efectivas para defender a saúde das costas da nova geração”, sublinha.
Francisco Gomes



1 comentário até ao momento ↓
1 Paulo Carlos // Mar 10, 2010 at 12:32 pm
No caso de crianças deve-se incentivar o seguinte:
1 – Utilização do trolley (carrinho de rodas);
2 – Medidas que facilitem o seu uso ;
3 – Reduzir os TPC ;
4 – Reduzir o peso dos manuais (ou outros) ;
5 – Alertar os professores , os quais podem contribuir p/ a redução do transporte de livros;
6 – Cacifo obrigatório
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