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Associação Pato foi à Assembleia Municipal mostrar trabalho

Julho 1st, 2009 in Jornal das Caldas. Edição On-line Sem Comentários

Uma das espécies existentes no Paul de TornadaO presidente da Associação de Defesa do Paul de Tornada, Hélder Cardoso, foi à Assembleia Municipal das Caldas apresentar o trabalho do organismo que dirige, mas também alertar os políticos sobre o futuro ecossistema, onde habitam milhares de aves, peixes, insectos, mas também mamíferos como lontras.
O novo presidente da Associação Pato apresentou o organismo que dirige e o trabalho desenvolvido.
“Em 1988 a Associação Pato surge com o principal intuito de lutar pela preservação e recuperação ecológica do Paul de Tornada. Em 1998 é celebrado um contrato de arrendamento com o Geota, passando, através de um protocolo a Associação Pato a ser responsável pela gestão desta Zona Húmida. Em 2000, é inaugurado o Centro Ecológico Educativo do Paul de Tornada, dando apoio às actividades desenvolvidas no Paul”, lê-se no documento apresentado aos deputados.
“O Paul de Tornada representa uma das últimas zonas húmidas interiores da zona Oeste de Portugal. É um local de elevado valor quer do ponto de vista ambiental quer educacional”, explicou.
Situado junto à povoação de Tornada, é constituído por 45 hectares de terrenos baixos e planos, encontrando-se coberto por caniços em grande parte da sua extensão. Cerca de 25 hectares estão permanentemente alagados, conferindo-lhe a designação de “Zona Húmida”, tal como foi definido pela Convenção de Ramsar.
Hélder Cardoso realçou o facto de no Paul “do ponto de vista faunístico terem sido identificadas até ao momento 136 espécies. O Paul de Tornada é um habitat fundamental para muitas espécies”, destacando-se a Garça-vermelha Ardea purpurea, o Camão Porphyrio porphyrio, o Garçote Ixobrychus minutus e o Rouxinol-grande-dos-Caniços Acrocephalus arundinaceus, pela sua elevada dependência de zonas húmidas.
O Paul da Tornada assume ainda especial importância “como ponto de paragem na rota migratória de muitas espécies que nidificam na Europa do Norte e rumam a África anualmente”.
No campo dos mamíferos, muitos “são esquivos e de difícil observação devido aos seus hábitos essencialmente nocturnos ou crepusculares”, sendo estes detectados por vestígios, como pegadas e excrementos. Deste modo no Paul de Tornada “foram identificadas 13 espécies de mamíferos, como são os casos da Lontra Lutra lutra, o Texugo Meles meles e o Javali Sus scrofa de forma regular”.
“Foram até ao momento identificadas seis espécies de anfíbios, destacando-se as duas espécies de Relas: Rela-comum Hyla arborea e Rela-meridional Hyla meridionalis”, descreveu o presidente da Pato.
No Paul de Tornada destacam-se ainda duas espécies de répteis, dentro das nove inventariadas. O Cágado-mediterrânico Mauremys leprosa e o Cágado-de-carapaça-estriada Emys orbicularis. Há ainda a presença de Cobra-de-água-viperina Natrix maura e o Lagarto-de-àgua Lacerta shreiberi, como espécies associadas a zonas húmidas.
As águas do Paul albergam diversas espécies de peixes e de entre estas existem duas espécies exóticas, a Carpa Cyprinus carpio e o Pimpão Carassius auratus, que competem directamente com as espécies da nossa ictiofauna. Dentro das espécies autóctones destaque para a Enguia Anguilla anguilla e do Ruivaco Rurtilus sp., este último uma espécie endémica do nosso país.
“O Paul de Tornada, como zona húmida, apresenta uma enorme diversidade de insectos, já que muitas espécies precisam do meio aquático durante a fase larvar”, referiu o ambientalista.
O Paul é dominado visualmente pelo Caniço Phragmithes australis, designando o habitat dominante de Caniçal. Surgem contudo áreas dominadas por outras espécies tipicamente palustres, caso do Lírio-amarelo-dos-pântanos Iris pseudacorus, da Tabua Typha sp., e do Bunho Scirpus lacustris.
A nível arbóreo o Paul é dominado por Salgueiros Salix sp., que povoam as valas limítrofes do Paul. Nos terrenos adjacentes dominam as culturas agrícolas e manchas florestais de Pinheiro-bravo Pinus sylvestris e Eucalipto Eucaliptus globulus
A associação Pato tem desenvolvido diversos projectos de monitorização de fauna e flora no Paul de Tornada, como são os casos da anilhagem de aves, estudo sobre a incidência da malária aviária em aves silvestres, recolha de amostras para a detecção do vírus H5N1, monitorização das populações de cágados, inventariação das borboletas nocturnas, articulação com Universidades e outros centros de Investigação. O campo da educação ambiental, intimamente ligada às acções de investigação e conservação, foi sempre uma preocupação da Associação Pato.
“O envolvimento das escolas em actividades práticas no campo foi sempre um dos principais objectivos da associação. Algumas actividades foram desenvolvidas com as escolas, como a observação de aves e participação nas acções de monitorização, observação de borboletas, criação de uma horta biológica, construção de ninhos para aves e a reciclagem”, indicou.
Quanto ao futuro, Hélder Cardoso fez notar que apesar de todo o trabalho desenvolvido ao longo dos anos pela associação Pato, “muito mais ainda há a fazer pelo Paul de Tornada e pela preservação da sua biodiversidade”, como são os casos da “requalificação dos percursos interpretativos do Paul de Tornada, a dinamização da visitação ao Paul de Tornada – “Visitante cientista”, a ligação entre o turismo e a ciência e a garantia da sustentabilidade do Paul de Tornada”.
Jorge Sobral, na qualidade de líder da bancada do PS, enalteceu o trabalho desenvolvido pela Associação.
António Barros, da bancada da CDU, também reconheceu o trabalho da associação, mas lamentou a ausência em assuntos na defesa da Lagoa.
“Estávamos mais habituados a posições em relação à Lagoa, mas de facto temos notado que a Associação Pato tem estado ausente desta matéria”, disse.
Manuel Isaac, do CDS-PP, espera que o trabalho da Associação seja bastante divulgado, “pois é uma forma das crianças saberem o que é uma libelinha, um peixe, um sapo, uma garça, uma borboleta e outros animais que desapareceram ou estão em vistas de desaparecer e ali estão a ser preservados”.
“Até nas freguesias rurais muitos animais desapareceram. Os rios já não transportam a água de antigamente e acho muito bem que façam divulgação nas escolas”, afirmou.
O presidente da Câmara, Fernando Costa, classificou de meritório o trabalho desenvolvido pela associação, mas chamou a atenção para o facto de “se estarem a desenhar novas dificuldades, uma vez que o novo projecto tem sido sustentado pelo Instituto da Conservação da Natureza e agora entendem que chegou ao fim a sua comparticipação, nomeadamente para o pagamento da renda do Paul e quer atirar com essa responsabilidade para a Câmara e para a Associação Pato”.

Carlos Barroso

Tags: Política

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