Caldas da Rainha, Óbidos, Alfeizerão, São Martinho do Porto, Benedita, Bombarral, Peniche e Cadaval, Oeste

Director: Jaime Costa | Chefe de Redacção: Francisco Gomes

 

Enfermeiros em greve complicam assistência no Hospital das Caldas

Abril 8th, 2009 in Jornal das Caldas. Edição On-line Sem Comentários

Carmen Filipa estava à espera de ser assistida a uma dor no peito - Carlos Barroso (fotos)Cirurgias programadas adiadas e longas horas de espera para serem atendidos, foi a consequência da greve de dois dias (passada quinta e sexta-feira) dos enfermeiros no Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON), que abrange os hospitais das Caldas da Rainha, Alcobaça e Peniche, onde os níveis de adesão chegaram a atingir 82 por cento do pessoal de enfermagem.
Carmen Filipa, de 18 anos, entrou no hospital das Caldas da Rainha às onze horas de sexta-feira. Queixava-se de uma “insistente dor no peito”. Às quatro e meia da tarde ainda só tinha passado pela triagem e a dor deixava-a cada vez mais incomodada. “Isto não é o atendimento de um dia normal”, lamentou.
Palmira Veiga, de 55 anos, estava já há três horas e meia na sala de espera com “dores fortes no ouvido”. “Uma enfermeira disse-me que estava a demorar mais tempo porque havia greve”, relatou.
Houve utentes que desistiram do atendimento, procurando regressar após o final do último turno de greve.
Dina Mendonça, coordenadora do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) de Leiria, avançou que o hospital das Caldas da Rainha chegou a registar 82,6 por cento de adesão à greve, enquanto que em Alcobaça a taxa situou-se em 81,8 por cento e em Peniche em 77 por cento.
“A grande maioria das cirurgias programadas não foram realizadas, tendo sido desmarcadas com antecedência com o pré-aviso de greve, que permitiu o seu novo agendamento. No bloco operatório, dos treze enfermeiros escalados nove fizeram greve, mas os serviços mínimos foram assegurados, ou seja, as cirurgias impreteríveis foram realizadas”, descreveu Dina Mendonça.
Nos centros de saúde foram registadas percentagens menores de adesão à greve, apesar de perturbarem o normal funcionamento das unidades: Caldas da Rainha – 52 por cento, Óbidos – 25 por cento, Bombarral – 57,1 por cento, Peniche – 44,4 por cento.
O SEP acusa a ministra da Saúde, Ana Jorge, de tentar travar a progressão salarial dos profissionais de enfermagem e acusa a tutela de vir a adiar a negociação.
Para o SEP, está em causa uma clara discriminação salarial relativamente aos outros licenciados da Administração Pública.
Os enfermeiros reclamam ainda regras específicas relativamente a horários de trabalho, avaliação do desempenho, compensação do risco e penosidade, progressão e uma transição de carreira que garanta respeito pelo que consideram ser o percurso histórico da profissão.

Francisco Gomes

Tags: Sociedade

0 comentários até ao momento ↓

  • Ainda não existem comentários a esta notícia, por favor deixe-nos o seu comentário!

Comente esta notícia