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Mário Tavares renuncia ao mandato de deputado na Assembleia Municipal

Dezembro 17th, 2008 in Jornal das Caldas. Edição On-line Sem Comentários

renuncia-1.jpgO socialista Mário Tavares enviou uma carta ao presidente da mesa da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha, onde pediu a renúncia ao mandato autárquico para o qual foi eleito, na sequência de uma troca de palavras entre ele e o presidente da Câmara.
A carta de Mário Tavares foi aprovada pela maioria dos 30 deputados presentes, entre socialistas, populares, comunistas e sociais-democratas, recebendo apenas um voto contra do presidente da mesa, que tentou que o renunciante voltasse com a palavra atrás e não pedisse a renúncia de mandato.
Recorde-se que Mário Tavares já tinha enviado uma carta ao presidente da mesa da Assembleia exigindo um pedido de desculpas por parte do presidente da Câmara para voltar às sessões, depois de Fernando Costa o ter alegadamente acusado de “não ter sanidade mental”, quando leu uma posição do PS sobre as obras dos antigos Paços do Concelho.
“O agravo que causaram as palavras, que considerei ofensivas, do senhor presidente da Câmara Municipal, na sessão de 18 de Outubro e não encontrando, entretanto, razões justificativas para modificar a decisão que então tomei, venho apresentar o meu pedido de renúncia ao mandato autárquico para que fora eleito”.
Na carta de renúncia o socialista alegou também que “não há ofensas pessoais políticas” e por isso deve-se “respeitar a si mesmo”, embora lhe “custe tomar a decisão”.
Mário Tavares, na missiva, pede “desculpas aos caldenses” que o elegeram, mas acrescenta que é “um caldense fanático e anseio contribuir, activamente, para o engrandecimento das Caldas da Rainha e para o bem-estar dos meus concidadãos”.
Jorge Sobral, na qualidade de líder da bancada socialista e vendo perder uma peça fundamental na sua bancada, disse que o tentou demover da sua decisão, ao mesmo tempo que referiu “compreender a decisão”.
“É uma decisão pessoal. Cada um de nós tem uma forma de sentir as coisas e nós devemos de respeitar as coisas. Para alguns as palavras podem ser postas atrás das costas, enquanto que outros assim não o fazem. Compreendo a dor do dr. Mário Tavares, que ao fim de tantos anos de autarca deixa a vida autárquica desta forma. Ele vai fazer muita falta nesta casa”, apontou.
Do lado do CDS-PP, Manuel Isaac, também lamentou a forma como o deputado socialista deixa a vida autárquica, justificando que Mário Tavares “só tomou uma decisão destas, porque sentiu e muito as palavras lhe foram proferidas”.
O centrista apelou à consciência de Fernando Costa, ao pedir-lhe para “repensar as palavras que proferiu”, ao mesmo tempo que lembrou que “o presidente da Câmara emitiu um comunicado para a população de Santa Catarina, antes das eleições, onde me chamava de mentiroso”.
Do lado do PSD, Alberto Pereira lembrou que o despacho de renúncia “é uma decisão pessoal”, sentindo ao mesmo tempo “pena pelo abandono” de Mário Tavares.
Já o deputado da CDU, Vítor Fernandes sentiu “pena por as coisas terem chegado tão longe”, justificando que se “discute muito política na Assembleia mas não se deve chegar a ofensas pessoais”.
Depois de lida a carta e das intervenções dos partidos, Fernando Costa, na qualidade de motivador desta decisão, voltou a lembrar que só pedirá desculpas a Mário Tavares “se o PS pedir desculpas e retirar o comunicado”.
O presidente da Câmara chegou mesmo a dizer que Mário Tavares se “está a fazer de vítima” com esta posição, recordando que “não posso pedir desculpas a quem me injuria ao longo de anos à frente desta Câmara. Estou farto de ser enxovalhado pelo PS mas nunca me faltou coragem para fugir como o dr. Mário Tavares faz desta forma”.
O edil lembrou também que “não peço desculpas sem que o PS retire a acusação que fez”, reforçando que “o PS pôs em causa a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal”.
“Porque é que o PS diz que a obra é feita com má fé e em secretismo”, questionou por outro lado, admitindo que “o PS queria que o Dr. Mário Tavares se fosse embora”.
“O PS com o comunicado veio insultar-me. Se o PS não retira, então eu não posso pedir desculpas”, admitiu, justificando que “nunca quis ofender” o deputado renunciante, ao contrário do comunicado do PS que “ofendeu o presidente da Câmara e a Junta de Freguesia”.
Por último o presidente da Câmara acha “inqualificável” que o PS proponha uma medalha no dia da cidade ao deputado Mário Tavares, “quando dizem que é uma vítima”. “Eu acho que o dr. Mário Tavares não vai aceitar receber uma medalha neste contexto”.

Carlos Barroso

Tags: Política

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