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Filipe La Féria dá entrevista exclusiva ao JORNAL DAS CALDAS

Novembro 19th, 2008 · 2 Comments

feria1.jpgPara o encenador, o “West Side Story” é o espectáculo mais difícil que fez até hoje. “É muito exigente para toda a equipa, é uma daquelas coisas que só se faz uma vez na vida”.

Após os êxitos de “Passa por mim no Rossio”, “Maldita Cocaína”, do sucesso nacional e internacional do musical “Amália”, “My Fair Lady”, “Música no Coração”, “Jesus Cristo Superstar”, “Um Violino no Telhado”, Filipe La Féria aposta levar à cena o mais célebre e revolucionário musical de sempre: “West Side Story”, que estreia a 21 de Novembro no Politeama, abrindo a temporada daquele teatro, em Lisboa.
Como já foi anunciado na edição anterior, o JORNAL DAS CALDAS, em cooperação com a produção do musical, está a promover o espectáculo. Iremos oferecer aos nossos leitores vouchers de bilhetes duplos. Os leitores contemplados só terão depois de acertar a data que querem assistir ao espectáculo com a bilheteira do Politeama.
Como estamos a fomentar o espectáculo, o encenador Filipe La Féria deu uma entrevista exclusiva ao JORNAL DAS CALDAS.
Originário de uma família alentejana, Filipe La Féria passou a sua infância em Serpa, na vila de S. Bento. Bastante jovem, mudou-se para Lisboa, onde deu os primeiros passos como actor, mas cedo tornou-se encenador.
O autor, encenador e cenógrafo revela que “West Side Story – Amor Sem Barreiras” é o maior musical de sempre. “É preciso atingir a grande maturidade para conseguir colocá-lo em cena, só se faz com muito suor e lágrimas, nunca fiz um cenário tão forte”, disse. Um esforço que compensa porque “é o fim de um ciclo de apresentar os grandes clássicos”. Trabalhar para o grande público sempre foi o seu sonho. “Virei-me mais para um teatro que dependesse do público, e para isso é preciso trabalhar. Estou há dez dias a deitar-me às sete da manhã, os espectadores que se sentam na plateia não têm noção do que é preciso trabalhar e sobretudo porque englobo várias disciplinas, o cenário, o texto e a direcção dos figurinos”.
“West Side Story” parte do grande clássico “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare. Transpõe a imortal história de dois jovens amantes de Verona para as ruas de Nova Iorque no final dos anos cinquenta, transfigurando o conflito dos Capuletos e Montequios na rivalidade entre dois gangues que dominavam a zona Oeste nova-iorquina. “É uma grande lição de coragem e de luta porque o amor sobrevive a tudo, a nossa vida é justificada pelo amor a nós próprios mas sobretudo o amor que temos aos outros”, sublinhou. O musical transpõe valores com os quais o público se identifica imediatamente. “As rivalidades dos dois gangues é muito parecida com a realidade portuguesa, sobretudo em Lisboa, onde também existem gangues, devido à imigração”, disse o encenador. Segundo Filipe La Féria, quando “West Side Story” estreou em Portugal no final dos anos cinquenta, o Monumental, em plena Praça do Saldanha, exibia um cartaz enorme com os intérpretes cinematográficos de jeans e ténis numa moda só conhecida em Portugal através dos filmes de James Dean ou Marlon Brando. O encenador recorda que o filme influenciou os jovens da sua geração: “Dias depois da estreia, o Porfírios, loja modernaça na época da Baixa lisboeta, fez filas enormes a vender jeans”.
De um elenco de 68 elementos, “Amor sem Barreiras” tem a participação de bailarinos vindos expressamente de Moscovo e Londres. “Alguns bailarinos são portugueses, mas a maior parte são russos, porque em Portugal os bailarinos não têm técnica”, referiu.
Filipe La Féria foi provavelmente aquele que mais contribuiu para a evolução do Teatro no nosso país. Para ele “o teatro é o barómetro de uma sociedade”. “Teatro em Portugal é o espelho do país”, apontou, adiantando que “estamos numa fase muito pessimista, existe um povo sem esperança, não há nada pior do que isso, depois há os partidos em que as pessoas deixaram de acreditar”. “Parece que estamos na América Latina nos anos 50, só se ouve falar de crimes e greves, há uma filosofia que se instalou em Portugal de trabalhar para o Estado, temos de ser independentes, o Estado somos nós”, alegou.
Quanto ao sucesso nacional e internacional do musical “Amália”, Filipe La Féria disse que foi um pedido de Amália. “Coincidiu com a morte dela, foi uma homenagem, ainda hoje tenho convites para voltar a Paris e ao Rio Janeiro e também para levar este musical à Broadway, nos EUA”, divulgou La Féria, que já encenou um espectáculo nas Caldas da Rainha, na Praça de Touros.

Marlene Sousa

Tags: Cultura

2 comentários até ao momento ↓

  • 1 A. Martins // Nov 21, 2008 at 2:06 pm

    Grande La Féria! Queremos mais musicais. Wicked, Lion King, Aida, Children of Eden, Etc.

  • 2 Marília Gonçalves // Nov 22, 2008 at 9:16 pm

    Ao ler esta notícia ainda fiquei a admirar mais Filipe la Féria, um Homem excepcional, que nos dá momentos arrebatadores e inesquecíveis. Já vi muitos dos seus espectaculos vindo sempre encantada, com o coração cheio. Pelo que li, estou ansiosa por ver West Side Story, e de certeza vai ser fenomenal. Desejo todo o sucesso do mundo ao nosso Grande Filipe La Féria.

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