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Procissão - Porquê e para quê?

Outubro 29th, 2008 · Sem Comentários

Num País perpassado pelos valores do cristianismo, que indubitavelmente integra a nossa matriz cultural, a manifestação e a devoção pública ao sagrado é, não só um acto de devoção, como também de oração.
A tradicional Procissão de Nossa Senhora de Fátima reflecte a profunda religiosidade mariana, especialmente querida ao coração dos portugueses.
Não é apenas uma parada ou mais um desfile, mas sim a oportunidade de se ter presente a mensagem que o Senhor nos trouxe ou seja: “o grande amor que Deus tinha pelo Mundo e que O levou a enviar o Seu filho para o salvar”.
Misteriosa loucura de amor que só a magnanimidade da fé nos permite aceder à grandeza da redenção.
Numa Procissão, vivem-se momentos de profunda e serena interioridade, em que somos convidados a rumar ao encontro das nossas dores, em busca da força e da alegria que matizam os dias do cristão, o qual concebe a vida como uma peregrinação, um êxodo a caminho da terra prometida, na qual todos ansiamos por habitar em definitivo.
O homem procura amar a Deus e demonstrar-Lhe esse afecto, pelo que esta manifestação é um momento de dar largas ao coração e de repousar na meditativa contemplação do Seu Amor por nós.
A presença de pessoas pagadoras de promessas, numa comovente atitude de fé, é uma forte componente da cultura portuguesa, que sabe pedir e não se esquece de agradecer as graças, as benções pedidas e recebidas, pois em cada milagre houve um drama que, por intervenção divina, teve um final feliz.
Participar, acompanhar ou, simplesmente, ignorar, serão atitudes consonantes com a nossa fé ou com a sua ausência, mas sempre será um acto da liberdade que a todos nos assiste.
Todavia, quer acreditemos ou não, o Senhor caminha entre nós, vem ao nosso encontro, entra santamente na nossa vida, dá-lhe sentido sobrenatural e tudo faz sob o olhar atento e protector de Nossa Senhora, que serena e meigamente nos acolhe no Seu enorme e doce coração de Mãe.

Maria Susana Mexia

Tags: Opinião

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