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Director: Jaime Costa | Chefe de Redacção: Francisco Gomes

 

Gravidez na Adolescência, Uma Realidade

Outubro 22nd, 2008 in Jornal das Caldas. Edição On-line 21 Comments

gravidez.jpgA Adolescência é um período da vida do indivíduo difícil de definir, no qual a pessoa ainda não é reconhecida pela sociedade como adulto mas também já não é considerado uma criança.
O amadurecimento sexual do adolescente para além de acontecer rapidamente, ocorre ao mesmo tempo que o amadurecimento emocional e intelectual. Desta forma, começa então o processamento na formação de valores de independência, que por sua vez criam pensamentos e atitudes contraditórios, especialmente quanto a parceiros e profissões.
Uma Gravidez na Adolescência provoca alterações na transformação que já vem ocorrendo de forma natural, ou seja, implica um duplo esforço de adaptação interna fisiológica e uma dupla movimentação de duas realidades que convergem num único momento: estar grávida e ser adolescente.
Actualmente, verifica-se um aumento do número de mães adolescentes, que dão à luz numa altura em que estão a desenvolver algumas capacidades emocionais e cognitivas. Para além, disso estão numa fase de desfrutar novas experiências, dentro da liberdade que existe neste período, próprio para viver diversas circunstâncias e posteriormente entrar na fase adulta.

“Tenho dezoito anos e aos dezassete aconteceu-me uma coisa que mudou totalmente a minha vida”
(Sónia, 2005)

A Gravidez na Adolescência não é apenas um episódio, mas sim um processo de busca. Os testemunhos das adolescentes são surpreendentes:

“O plano era perfeito: se tivéssemos um filho, ninguém poderia separar-me do Nico”
“Fiquei grávida para vingar-me dos meus pais”
(Sónia, 2005)

Adolescentes grávidas, com certeza, sempre existiram, no entanto, nem sempre lhes foi dada a importância necessária. Actualmente, esta situação é de tal modo frequente e preocupante, que é encarada como um problema de extrema importância.
A Gravidez na Adolescência é uma realidade cada vez mais presente. A adolescente e o seu filho são particularmente vulneráveis aos riscos inerentes à gravidez e maternidade, devido à especificidade das alterações que ocorrem nesta fase etária.
É importante apoiar as mães adolescentes, pois sabe-se que estas ultrapassam dificuldades que são um factor de risco no desenvolvimento biológico, psicológico, físico e cognitivo dos seus filhos.
As características próprias da adolescência tornam-na sempre num período de grande vulnerabilidade e crítico que necessita e merece todo o apoio por parte dos profissionais de saúde e família.
Se no passado as estratégias de educação sexual focalizavam-se na anatomia e fisiologia do sistema reprodutor, e em ensinar comportamentos típicos da vida familiar, actualmente a educação sexual deve abordar os problemas da sexualidade humana sentidos pelos adolescentes.
A Constituição da República Portuguesa prevê o direito à educação sexual como uma das componentes do Direito à educação.
A Educação Sexual deve começar em casa, passar pela escola e estender-se aos profissionais de saúde. É primordial uma boa educação sexual, não nos podemos esquecer que a actividade sexual na adolescência vem-se iniciando cada vez mais precocemente, com consequências indesejáveis como o aumento da frequência de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) nessa faixa etária, e gravidez que, por sua vez, pode terminar em aborto com todas as consequências a ele inerentes.
A escola possui um papel fundamental relacionado com o ensinar o adolescente a conhecer o seu corpo. Os programas de educação sexual, transmitidos pelas escolas, quando a funcionar de modo adequado, poderão vir a desempenhar um papel insubstituível, já que permitem o diálogo e a circulação de informações sobre a sexualidade, sem preconceitos, superando desta forma os tabus. Os programas devem ser alargados aos pais que, na sua maioria, não se encontram preparados para tratar desta questão com os filhos. Por vezes, os adolescentes até partilhariam a sua experiência mas, muitos pais não querem ouvir ou fantasiam ter uma eterna criança em casa.
Torna-se importante que os jovens sejam orientados na família, que possam fazer perguntas, aconselharem-se quanto à escolha do melhor método contraceptivo. É importante que falem e sejam ouvidos!
Antes de haver gravidez, as consultas de planeamento familiar têm um papel primordial na sua prevenção. Em caso de gravidez a adolescente deve ser encaminhada para as consultas de saúde materna.
A nível nacional a adolescente pode recorrer à Associação de Planeamento Familiar (APF), à linha Sexualidade, Educação Sexual, Planeamento Familiar, linha SOS Adolescente e em caso de gravidez tem disponíveis as linhas: SOS Grávida/ Informação e Apoio, Solidariedade à Mulher / Gravidez não Desejada e ainda a linha SOS Amamentação.
A Gravidez na Adolescência é sempre uma situação que motiva angústias e incertezas. Contudo, a adolescente demonstra a maior parte das vezes orgulho em ter o filho, pretendendo assim levar a gravidez até ao fim. Esta gravidez pode ser um marco de mudanças quer dos seus comportamentos, quer das suas atitudes.

” (…) Mas sou forte, refiz a minha vida e só quero ser feliz com o meu filho”.
(SÓNIA, 2005)

Enfermeira Cândida Mineiro
Enfermeiro Carlos Pinto

Referências Bibliográficas

ALMEIDA, José Miguel Ramos de – Adolescência e Maternidade, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2º edição, págs. 241 a 256, Julho 2003, ISBN: 971-31-0007-X.
CANAVARRO, Maria Cristina; PEREIRA, Ana – Gravidez e Maternidade na Adolescência: Perspectivas Teóricas – in ” Psicologia da Gravidez e da Maternidade”, CANAVARRO, Maria, Colecção Psicologia e Desenvolvimento Nº 2, p. 323-353; Coimbra, Quarteto Editora, Maio 2001, ISBN: 972-8535-77-5.
COSTA, Liana Fortunato; JOFFILY, Susana Meira Lopes de Castro – É possível a gravidez na adolescência, Brasil: Portal dos Psicólogos, Disponível na Internet: www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0231.pdf
ESTEVES, Ana – Histórias de Mães Adolescentes, Pais & Filhos, Nº 71 (1996), p.34-40.
FIGUEIREDO, Bárbara – Maternidade na adolescência: Consequências e trajectórias desenvolvimentais, Análise psicológica 4 (XVIII), Out./Dez.2000, p.485-498.
GOMES, Jacinto de Almeida; SOUSA, Susana Daniela Carvalho de – Gravidez na Adolescência, Nursing. N.º 196, 2005, p. 25-27.
GONÇALO, Maria Isabel Pinheiro – A Mãe-Menina, Nursing, Nº172 (2002), p.10-15.
JUSTO, João, et al (2000) – Gravidez adolescente, maternidade adolescente e bebés adolescentes: causas, consequências, intervenção preventiva e não só, Revista Portuguesa de Psicossomática, vol.2 (2), p. 97-147.
PEDRO, Isabel Maria dos Santos Cascão – Gravidez na adolescência – Reflexão, Servir, Vol. 51, n.º3 (2003), p.122-126.
PINTO, Helena e outros – Gravidez na Adolescência, Saúde Infantil, Hospital Pediátrico de Coimbra. Nº27/1 (2005), p. 39-49.
SÓNIA – Fiquei grávida para vingar-me dos meus pais. Ragazza. N.º 143 (Setembro 2005), p.

Tags: Opinião

21 comentários até ao momento ↓

  • 1 Glebson Silveira // Out 23, 2008 at 5:19 pm

    Adorei a notícia, minha namorada engravidou, temos 20 anos os dois e vamos nos casar no mês que vem, estamos juntos e nunca vou deixa-la só.

    t+

  • 2 André Almeida // Nov 9, 2008 at 10:01 pm

    Tenho 37 anos, sou casado há 14 anos, tenho dois filhos uma menina de 12 anos e um menino de 4 anos. Minha geração viveu bem a liberdade sexual, mas acho que naquela época éramos mais cuidadosos ou talvez tínhamos mais medo de uma gravidez, talvez eu fosse um dos poucos a pensar assim, mas enfim, estou com minha esposa desde os 18 anos, começamos a nos relacionar sexualmente bem antes do casarmos, ainda bem que ela não engravidou.
    Hoje, penso em como a liderdade sexual está sendo tratada e penso, sem medo de ser retrógrado, que seria melhor para nossa sociedade se déssemos muito passos rumo ao passado, e voltássemos a exigir o sexo apenas após o casamento, pois desde woodstock (1969), a população tem crescido desordenadamente, s gravidez na adolescência é cada vez mais constante. Poderíamos discutir o assunto por muito tempo; quem é a favor da liderdade sexual como está daria seus motivos, e quem é contra também, mas creio que devemos parar e considerar para onde iremos no rítmo em que estamos. Seguir esse rítmo ou direção é o melhor a se fazer? A relação custo/benefício da liberdade sexual é satisfatória? Seria melhor reconsiderar nossos conceitos?
    Fica a questão para raciocínio.

  • 3 glaucia // Nov 25, 2008 at 4:59 pm

    tenho 54 anos engravidei com 13 minha mae me espancou ,tive que morar com a megera da sogra

  • 4 joana // Fev 19, 2009 at 4:26 pm

    thu 20anos;aos 18 engravidei ……….ja tha 3meses e meio kuando descobri; os meus pais obrigaram-me a abortar violentamente até hoje sofro com isso ;porque preferia sofer com o meu filho

  • 5 Josefino // Abr 21, 2009 at 10:31 am

    Achei muito interessante >.<

  • 6 Yasmin // Mai 7, 2009 at 11:08 pm

    Tenho 15 anoos e fiquei grávida com 14 anos, minha quase me matou tive que morar com meu namorado na casa dele e com a mãe dele..
    Sofrii muitoo pois tinha que aguentar minha sogra e minha cunhada debonhando de min eu e meu namorado não podíamos dizer nada pois moravamos de favoor… Foi péssimo mais amo demais meu filho Pedro Henrique ♥

  • 7 Joana // Mai 22, 2009 at 2:55 pm

    Tenho 16 anos e estou gravida neste momento de 16 semanas ! Estou mto contente, tanto eu como o meu namorado. Ao principio a minha familia reagiu mal, mas isso passou, tanto que hoje estao todos muito contentes com a minha gravidez. O que eu aconcelho a uma gravida adolescente é a contar esta novidade aos pais e familiares mais proximos, o mais cedo possivel.

  • 8 erica // Out 8, 2009 at 4:43 pm

    Tenho 15 e por medo talvez, ainda nao iniciei a minha vida sexual. A gravidez é algo que me acompanha e so de pensar nisso, prefiro estar só. Sou jovem, boa aluna e com imensa pressao por parte da sociedade para continuar uma menina perfeita. Mas nao entanto, acho que qualquer gravida antes de pensar em aborto tem de ver os dois lados da questao. ha sempre um lado bom

  • 9 Caty // Out 12, 2009 at 5:46 pm

    Olá. Tenho 14 anos, e queria muito engravidar. Acho que seria das melhores coisas da minha vida. Mas tenho medo da reação da população, dado que sou conhecida como a menina responsavel. ajudem m f

  • 10 Patricia // Out 16, 2009 at 3:11 pm

    Se engravidares vais ver que nao e aasim como dizes, olha tens que ter consciencia para criar um novo ser, e vais sofrer muito, praticamente vais ter que deixar toda a tua liberdade e nao sabes bem como vao ficar os teus estudos e mais tarde veras que nao pensas-te nada bem ao dizer isso !!
    Espero que com este comentario te faça mudar de opiniao !!
    Ainda tens muito para viver, tens 14 anos, pensa bem !!!!!
    Bjo
    Fica bem

  • 11 Caty // Out 16, 2009 at 5:41 pm

    Obrigado patricia pela tua atençaão…mas talvez se soubesses um bocadinho mais da minha vida não dizias isso.Diz-me so uma coisa…que idade tens?
    bj

  • 12 Marta // Out 28, 2009 at 9:26 am

    Ola… Sou a marta e engravidei com 12 e os meus pais nao reagiram mt bem… fui uma experiencia mt má…
    Agr estou de 5 meses… e estou mt feliz!! :D Mas ao principio fui mt complicado pensei k nao iria aguentar td k passei…

  • 13 Caty // Out 28, 2009 at 4:04 pm

    Ainda bem marta que estas feliz….. diz-me so ua coisa, ter um filho tao nova, é uma experiencia maravilhosa??

  • 14 Joana // Nov 4, 2009 at 8:58 pm

    Eu acho que todas as raparigas de hoje , devem pensar muito bem na vida !
    é um filho e nao um boneco novo !!
    Se querem ter relaçoes sexuais , tenham mas usem preservativo e tomem a pilula !
    Calma … Meninas , ha tempo para tudo .. Nao apressem as coisas que nao sao para a vossa idade !! Juizo

  • 15 soraia // Jan 13, 2010 at 10:05 pm

    nunca istive gravida mas adoro sexo

  • 16 ivo // Jan 14, 2010 at 2:26 pm

    eu nao engravidei ninguem mas as gajas sao tao boas!!!!!!!!

  • 17 leticia // Fev 5, 2010 at 11:50 am

    Ivo = ATRASADO MENTAL
    n sei como conseguem estar relaxadas !
    s fosse eu axu k morria
    lool
    ainda bm k estao felizes ;P

  • 18 mimi // Fev 5, 2010 at 12:43 pm

    Eu tambem quero engravidar

  • 19 tolos(as) // Fev 8, 2010 at 3:43 pm

    concordo contigo anonimo…
    essa gente naum sabe o q diz
    depois de terem o puto vao andar a pedir esmola para lhe dar de comer e comprar roupa pa ele e naum para voces

  • 20 socrates // Fev 9, 2010 at 5:32 pm

    ola….para alem de ser o presidente da repulica, venho comunicar a vossas excelencias que façam ssexo pelo menos 8vezes ao dia. assim sendo, nao usem preservativos visto que uma menina de 14 anos diz que ker ter um néne. ora bem…ou voes sao tolos ou tao pa ser!!!!!!…vao passear o cao, e deixem os nenens da mao!

  • 21 Liliana // Fev 15, 2010 at 10:06 pm

    Tive grávida á cerca de 1 mês e meio, quando descobri que estava grávida, contei aos meus pais, eles disseram que era melhor abortar.
    Abortei, agora estou arrependida porque no fundo não era o que eu queria agora constantemente tenho sonhos com bébes, e.t.c.
    O que vale é que tenho o apoio do meu namorado, se o arrependimento matasse…
    Acho e antes de abortar achava que á sempre uma oportunidade para tudo.
    beijo

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