A Adolescência é um período da vida do indivíduo difícil de definir, no qual a pessoa ainda não é reconhecida pela sociedade como adulto mas também já não é considerado uma criança.
O amadurecimento sexual do adolescente para além de acontecer rapidamente, ocorre ao mesmo tempo que o amadurecimento emocional e intelectual. Desta forma, começa então o processamento na formação de valores de independência, que por sua vez criam pensamentos e atitudes contraditórios, especialmente quanto a parceiros e profissões.
Uma Gravidez na Adolescência provoca alterações na transformação que já vem ocorrendo de forma natural, ou seja, implica um duplo esforço de adaptação interna fisiológica e uma dupla movimentação de duas realidades que convergem num único momento: estar grávida e ser adolescente.
Actualmente, verifica-se um aumento do número de mães adolescentes, que dão à luz numa altura em que estão a desenvolver algumas capacidades emocionais e cognitivas. Para além, disso estão numa fase de desfrutar novas experiências, dentro da liberdade que existe neste período, próprio para viver diversas circunstâncias e posteriormente entrar na fase adulta.
“Tenho dezoito anos e aos dezassete aconteceu-me uma coisa que mudou totalmente a minha vida”
(Sónia, 2005)
A Gravidez na Adolescência não é apenas um episódio, mas sim um processo de busca. Os testemunhos das adolescentes são surpreendentes:
“O plano era perfeito: se tivéssemos um filho, ninguém poderia separar-me do Nico”
“Fiquei grávida para vingar-me dos meus pais”
(Sónia, 2005)
Adolescentes grávidas, com certeza, sempre existiram, no entanto, nem sempre lhes foi dada a importância necessária. Actualmente, esta situação é de tal modo frequente e preocupante, que é encarada como um problema de extrema importância.
A Gravidez na Adolescência é uma realidade cada vez mais presente. A adolescente e o seu filho são particularmente vulneráveis aos riscos inerentes à gravidez e maternidade, devido à especificidade das alterações que ocorrem nesta fase etária.
É importante apoiar as mães adolescentes, pois sabe-se que estas ultrapassam dificuldades que são um factor de risco no desenvolvimento biológico, psicológico, físico e cognitivo dos seus filhos.
As características próprias da adolescência tornam-na sempre num período de grande vulnerabilidade e crítico que necessita e merece todo o apoio por parte dos profissionais de saúde e família.
Se no passado as estratégias de educação sexual focalizavam-se na anatomia e fisiologia do sistema reprodutor, e em ensinar comportamentos típicos da vida familiar, actualmente a educação sexual deve abordar os problemas da sexualidade humana sentidos pelos adolescentes.
A Constituição da República Portuguesa prevê o direito à educação sexual como uma das componentes do Direito à educação.
A Educação Sexual deve começar em casa, passar pela escola e estender-se aos profissionais de saúde. É primordial uma boa educação sexual, não nos podemos esquecer que a actividade sexual na adolescência vem-se iniciando cada vez mais precocemente, com consequências indesejáveis como o aumento da frequência de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) nessa faixa etária, e gravidez que, por sua vez, pode terminar em aborto com todas as consequências a ele inerentes.
A escola possui um papel fundamental relacionado com o ensinar o adolescente a conhecer o seu corpo. Os programas de educação sexual, transmitidos pelas escolas, quando a funcionar de modo adequado, poderão vir a desempenhar um papel insubstituível, já que permitem o diálogo e a circulação de informações sobre a sexualidade, sem preconceitos, superando desta forma os tabus. Os programas devem ser alargados aos pais que, na sua maioria, não se encontram preparados para tratar desta questão com os filhos. Por vezes, os adolescentes até partilhariam a sua experiência mas, muitos pais não querem ouvir ou fantasiam ter uma eterna criança em casa.
Torna-se importante que os jovens sejam orientados na família, que possam fazer perguntas, aconselharem-se quanto à escolha do melhor método contraceptivo. É importante que falem e sejam ouvidos!
Antes de haver gravidez, as consultas de planeamento familiar têm um papel primordial na sua prevenção. Em caso de gravidez a adolescente deve ser encaminhada para as consultas de saúde materna.
A nível nacional a adolescente pode recorrer à Associação de Planeamento Familiar (APF), à linha Sexualidade, Educação Sexual, Planeamento Familiar, linha SOS Adolescente e em caso de gravidez tem disponíveis as linhas: SOS Grávida/ Informação e Apoio, Solidariedade à Mulher / Gravidez não Desejada e ainda a linha SOS Amamentação.
A Gravidez na Adolescência é sempre uma situação que motiva angústias e incertezas. Contudo, a adolescente demonstra a maior parte das vezes orgulho em ter o filho, pretendendo assim levar a gravidez até ao fim. Esta gravidez pode ser um marco de mudanças quer dos seus comportamentos, quer das suas atitudes.
” (…) Mas sou forte, refiz a minha vida e só quero ser feliz com o meu filho”.
(SÓNIA, 2005)
Enfermeira Cândida Mineiro
Enfermeiro Carlos Pinto
Referências Bibliográficas
ALMEIDA, José Miguel Ramos de – Adolescência e Maternidade, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2º edição, págs. 241 a 256, Julho 2003, ISBN: 971-31-0007-X.
CANAVARRO, Maria Cristina; PEREIRA, Ana – Gravidez e Maternidade na Adolescência: Perspectivas Teóricas – in ” Psicologia da Gravidez e da Maternidade”, CANAVARRO, Maria, Colecção Psicologia e Desenvolvimento Nº 2, p. 323-353; Coimbra, Quarteto Editora, Maio 2001, ISBN: 972-8535-77-5.
COSTA, Liana Fortunato; JOFFILY, Susana Meira Lopes de Castro – É possível a gravidez na adolescência, Brasil: Portal dos Psicólogos, Disponível na Internet: http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0231.pdf
ESTEVES, Ana – Histórias de Mães Adolescentes, Pais & Filhos, Nº 71 (1996), p.34-40.
FIGUEIREDO, Bárbara – Maternidade na adolescência: Consequências e trajectórias desenvolvimentais, Análise psicológica 4 (XVIII), Out./Dez.2000, p.485-498.
GOMES, Jacinto de Almeida; SOUSA, Susana Daniela Carvalho de – Gravidez na Adolescência, Nursing. N.º 196, 2005, p. 25-27.
GONÇALO, Maria Isabel Pinheiro – A Mãe-Menina, Nursing, Nº172 (2002), p.10-15.
JUSTO, João, et al (2000) – Gravidez adolescente, maternidade adolescente e bebés adolescentes: causas, consequências, intervenção preventiva e não só, Revista Portuguesa de Psicossomática, vol.2 (2), p. 97-147.
PEDRO, Isabel Maria dos Santos Cascão – Gravidez na adolescência – Reflexão, Servir, Vol. 51, n.º3 (2003), p.122-126.
PINTO, Helena e outros – Gravidez na Adolescência, Saúde Infantil, Hospital Pediátrico de Coimbra. Nº27/1 (2005), p. 39-49.
SÓNIA – Fiquei grávida para vingar-me dos meus pais. Ragazza. N.º 143 (Setembro 2005), p.

3 comentários até ao momento ↓
1 Glebson Silveira // Out 23, 2008 at 5:19 pm
Adorei a notícia, minha namorada engravidou, temos 20 anos os dois e vamos nos casar no mês que vem, estamos juntos e nunca vou deixa-la só.
t+
2 André Almeida // Nov 9, 2008 at 10:01 pm
Tenho 37 anos, sou casado há 14 anos, tenho dois filhos uma menina de 12 anos e um menino de 4 anos. Minha geração viveu bem a liberdade sexual, mas acho que naquela época éramos mais cuidadosos ou talvez tínhamos mais medo de uma gravidez, talvez eu fosse um dos poucos a pensar assim, mas enfim, estou com minha esposa desde os 18 anos, começamos a nos relacionar sexualmente bem antes do casarmos, ainda bem que ela não engravidou.
Hoje, penso em como a liderdade sexual está sendo tratada e penso, sem medo de ser retrógrado, que seria melhor para nossa sociedade se déssemos muito passos rumo ao passado, e voltássemos a exigir o sexo apenas após o casamento, pois desde woodstock (1969), a população tem crescido desordenadamente, s gravidez na adolescência é cada vez mais constante. Poderíamos discutir o assunto por muito tempo; quem é a favor da liderdade sexual como está daria seus motivos, e quem é contra também, mas creio que devemos parar e considerar para onde iremos no rítmo em que estamos. Seguir esse rítmo ou direção é o melhor a se fazer? A relação custo/benefício da liberdade sexual é satisfatória? Seria melhor reconsiderar nossos conceitos?
Fica a questão para raciocínio.
3 glaucia // Nov 25, 2008 at 4:59 pm
tenho 54 anos engravidei com 13 minha mae me espancou ,tive que morar com a megera da sogra
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