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Computador “Magalhães” levanta dúvidas na EBI de Santo Onofre

Outubro 22nd, 2008 in Jornal das Caldas. Edição On-line Sem Comentários

Associação de pais realizou sessão de esclarecimentoAs imagens onde apareciam todas as crianças com computadores nas salas de aulas e os governantes a entregarem os equipamentos motivou uma sessão de esclarecimento no refeitório da EBI de Santo Onofre, tendo recebido cerca de três centenas de pais e encarregados de educação de todo o agrupamento.
A organização foi da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas de Santo Onofre (APEASO), que tem vindo a ser confrontada com diversas dúvidas sobre o projecto “Magalhães”, que o Governo implementou este novo ano lectivo.
Rui Nunes, presidente do Conselho Executivo da APEASO, revelou que o agrupamento “não tem as mínimas condições físicas para receber tantos computadores. Da informação que disponho, o corpo docente não vai utilizar o “Magalhães” e também as nossas escolas não têm infra estruturas para o utilizar. Não têm ligação à Internet nem autonomia energética”, revelou.
Sustentando a sua afirmação, o dirigente explicou que dos seis estabelecimentos do primeiro ciclo do Agrupamento, “apenas a sede, a EBI de Santo Onofre, é que tem possibilidade de se ligar em rede”, apontando no entanto que essa ligação está limitada a cem computadores, quando há mil alunos.
Outro dos problemas encontrados por este encarregado de educação é a autonomia do computador. “Nós estamos contra o facto de se criarem extensões de tomadas para se conseguir ligar 25 computadores numa sala, quando uma sala tem apenas três ou quatro tomadas na parede. Como é que isto é possível ser resolvido”, questiona, denunciando que este será um grande consumo energético para as escolas, que têm já um orçamento demasiado curto.
“Vai haver mais despesas nas escolas que já tem pouco orçamento. Por outro lado como é que é possível isto funcionar se há escolas que não tem condições de aumentar a potencia porque quando ligam mais do que um aquecedor o quadro dispara”, disse.
Do debate muito participativo, as principais dúvidas levantadas pelos pais passaram pela obrigatoriedade ou não de subscrever algum operador de rede móvel e dúvidas relacionada com a formação para manuseamento do aparelho, devido à actualização de conteúdos no aparelho.
Também o facto dos pais terem filhos no último ano do segundo ciclo e no ano seguinte terem os filhos no terceiro ciclo, levantou dúvidas, o que na opinião de Rui Nunes “é extremamente complicado”.
“Num ano têm o computador Magalhães do programa e.escolinha e depois no ano seguinte terá o e.escola”, fez notar.
“Queremos que os pais ao adquirirem o computador o façam em consciência. O computador já faz parte do nosso dia a dia e quanto mais cedo se começar é uma mais valia para os mais pequenos. Porém, acho prematuro que um aluno do primeiro ciclo, do primeiro e segundo ano, que ainda não sabe escrever, vá entrar na Internet e fazer pesquisas. Acho que este equipamento só deve ser usado a partir do terceiro ano”, argumentou
O projecto Magalhães é um computador destinado a crianças do primeiro ciclo, sendo adquirido por 50 euros sem comparticipação, ou por 20 euros com metade da comparticipação ou ainda a zero euros se forem famílias carenciadas.

Carlos Barroso

Tags: Sociedade

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