Os 122 alunos que frequentam o curso de formação de sargentos nas Caldas da Rainha receberam uma aula de apresentação da Bandeira Nacional. A explicação sobre a evolução do estandarte desde a fundação de Portugal até à instauração da República foi, pela primeira vez na história da Escola de Sargentos do Exército (ESE), ouvida por alunos do 1º e 3º ciclo de escolas da cidade, como forma de os levar a dar maior importância a este símbolo nacional.
“Existem valores que não se devem esquecer, sob pena de corrermos o risco de perdermos a nossa identidade e afirmação, traindo os esforços e o sucesso não raras vezes alcançados pelos nossos antepassados. Daí o respeito que a Bandeira Nacional nos deve merecer como símbolo dos mais elevados valores da Nação”, foi a mensagem transmitida pelo comando da ESE aos futuros sargentos, no passado dia 1.
Aos alunos do 37º curso – 115 homens e sete mulheres – foi explicado que o estandarte no campo de batalha “levava à determinação tenaz de preservar a todo o custo a sua posse, traduzindo-se a sua perda na destruição da força”.
No meio castrense a presença da Bandeira Nacional é “rodeada de elevada solenidade e por uma forte carga emotiva que encontra fundamento no seu significado como símbolo representativo dos esforços suportados na afirmação do nosso País e das vitórias alcançadas pelos nossos antepassados, muitas vezes com o sacrifício das próprias vidas”.
Para se perceber a importância do estandarte, foi referido que “a sua guarda era atribuída por norma a quem entre dignos era dos mais merecedor de que lhe fosse confiada tamanha honra e responsabilidade”.
As diferentes bandeiras – 11 – desde os tempos de D. Afonso Henriques (1143) até ao Regime Republicano (1910) desfilaram pela parada da ESE, tendo o actual estandarte sido descrito em detalhe: “É bipartida verticalmente em duas cores fundamentais, verde escuro e escarlate, ficando o verde do lado da tralha. A cor verde representa a esperança em melhores dias de prosperidade e bem-estar e também os campos verdejantes. A cor escarlate representa o valor e o sangue derramado nas conquistas, nas descobertas, na defesa e no engrandecimento da Pátria”. Também foi explicado o simbolismo do escudo das armas nacionais e a esfera armilar.
Seguiu-se um desfile da 2ª Companhia de Alunos do 37º Curso de Formação de Sargentos e da Companhia de Comando e Serviços, perante a assistência onde, para além do comandante da ESE, coronel Lúcio Santos, se encontrava o vereador da Educação da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Tinta Ferreira, e 80 alunos e 6 professores do 4º ano da escola do Avenal, do 4º ano da escola da Encosta do Sol e do 7º e 8º da Escola D. João II.
No final, alguns alunos ouvidos pelo JORNAL DAS CALDAS manifestaram ter aprendido algo mais sobre a Bandeira Nacional. “Aprendi que houve muitas bandeiras e que o verde representa os campos e a esperança dos portugueses”, respondeu Henrique, sendo completado por João Tomás: “O vermelho é o sangue derramado pelos guerreiros portugueses nas batalhas e conquistas”.
Nuno Tavares, um dos professores, considerou a visita à ESE muito proveitosa. “Como no currículo do 4º ano há o tema da História de Portugal, onde se aborda a evolução das bandeiras, achámos muito interessante poderem ver e explicado ao vivo por outra entidade e deu para perceber que já entenderam mais alguma coisa”.
O comandante da ESE revelou que a abertura da cerimónia militar à sociedade civil “tem a ver com orientações do Chefe do Estado-Maior do Exército para abertura dos quartéis à comunidade”. Lúcio Santos adiantou que a medida “vem ao encontro de umas ideias que tenho de consolidar as relações com o exterior”.
O coronel de infantaria defendeu que “era importante que houvesse um movimento em torno dos principais símbolos nacionais”.
Aos alunos foi oferecido um folheto com todas as bandeiras para voltarem a abordar o tema com os professores nas salas de aula. Alguns deles cantaram o hino nacional e na altura do lanche oferecido pela ESE foram a marchar – imitando os militares – até à cantina.
Francisco Gomes



1 comentário até ao momento ↓
1 Hiperbóreo515 // Out 9, 2008 at 11:50 am
Na cultura das sociedades, todos nós utilizamos no quotidiano, simbolos como referências aglotinantes constituindo a sua utilização um simbolismo sem o sabermos. Essas imagens mentais são o nosso guia interior, isto é, fazem a própria matéria da nossa vida. Dixit: Luc Benoist. Transmitir o Símbolo maior da razão da nossa existência como portugueses – A Bandeira – aos nossos filhos é um dever de cada um e de todos nós em especial. Estas crianças tiverem uma aula em que não mais se vão esquecer e assim perdurará o nosso maior Símbolo por mais uma geração de portugueses.
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