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Serviço de Saúde investiga

Outubro 1st, 2008 · 1 Comment

Vírus em bebé provoca surto de gastrenterite aguda

surto.jpgUm bebé que frequenta o berçário de uma instituição de ensino das Caldas da Rainha foi quem despoletou o surto de gastrenterite aguda que atingiu nas duas últimas semanas 144 crianças e dez funcionários de três estabelecimentos escolares e que continua a provocar outros casos dispersos no concelho.
A descoberta do problema que originou a situação foi feita após análises de amostras de fezes, vómitos e suco gástrico, cujos resultados demonstraram a existência de “cargas elevadíssimas de um vírus que se chama Calicivirus, que habita a nossa flora gastro-intestinal, que sofreu mutações e se tornou agressivo, eventualmente por interferência de factores ambientais”, revelou ao JORNAL DAS CALDAS o delegado de saúde das Caldas da Rainha.
“O epicentro do surto epidémico foi o berçário da Infancoop, que começou com quatro casos no dia 17 de Setembro, através de um dos bebés, entre 1 a 3 anos”, indicou Jorge Nunes. “Não se trata de nenhuma questão relacionada com as instalações, águas ou má limpeza. Foi uma criança quem despoletou esta situação”, assegurou.
“A investigação epidemiológica constatou que houve ligação entre as três instituições envolvidas, através de irmãos, primos ou crianças amigas que estiveram em contacto directo”, divulgou, apontando que a idade média das crianças afectadas situou-se entre os 4 e os 5 anos.
No final da semana passada as autoridades sanitárias tinham revelado que o mal-estar que levou crianças e adultos a serem assistidos no hospital das Caldas da Rainha, com queixas de vómitos e cólicas, indiciava tratar-se “de um surto de gastrenterite aguda, de provável origem viral e com transmissão por via fecal-oral [segundo o delegado de saúde, “as crianças têm a tendência de pôr a mão no rabinho e levar os dedos à boca] e/ou pessoa a pessoa”.
O Serviço de Autoridade de Saúde das Caldas da Rainha e o Departamento de Saúde Pública e Planeamento da Administração Regional de Saúde do Centro, na sequência do surto ocorrido em estabelecimentos escolares do concelho realizaram análises microbiológicas e químicas de água de consumo humano, alimentos, produtos biológicos de doentes e rastreio de funcionários destas escolas.
“Os sintomas têm início nas primeiras 48 horas após a contaminação, tratando-se de uma situação de elevada contagiosidade com fácil propagação, sobretudo em crianças”, referiu o Serviço de Saúde Pública local, adiantando que “nos casos conhecidos, a doença é breve e não apresenta gravidade”.
“Embora os doentes apresentem mal-estar significativo com vómitos, cólicas abdominais e por vezes diarreia, têm recuperado, na maioria dos casos, em dois ou três dias. Poderá, contudo, ocorrer desidratação caso não haja uma adequada ingestão de líquidos para compensar as perdas através dos vómitos e diarreia”, esclareceu.
Num comunicado dirigido à população, o Serviço de Saúde Pública, para prevenir a propagação do surto e aparecimento de novos casos, aconselha redobrados cuidados de higiene pessoal. “Sobretudo, lavar as mãos com frequência, especialmente após utilização da retrete e antes de ingerir ou de preparar alimentos. Não utilizar toalhas de pano. Utilizar, antes, toalhetes de papel descartáveis, isto é, de utilização única”, recomenda.
Outra medida passa por “desinfectar os alimentos consumidos crus, nomeadamente alfaces e outros hortícolas, com dez gotas de lixívia pura, sem perfumes ou outros aditivos, por litro de água. Podem também ser utilizadas as pastilhas “Sanichlor” respeitando as respectivas instruções”.
“Limpar e desinfectar superfícies, objectos ou roupas contaminados por contacto com vómitos, fezes ou saliva de doentes”, é também um cuidado a ter. “Pessoas com sintomas não devem preparar alimentos e deve-se evitar contacto com doentes”, indica o Serviço de Saúde Pública.
Caso apareçam sintomas, o doente deverá adoptar medidas para prevenir a desidratação, através da ingestão de líquidos, e “só se a situação se agravar deve recorrer ao Serviço de Urgência do Centro Hospitalar”, apela a autoridade sanitária. O delegado de saúde admitiu que o contacto dos doentes nas salas de espera das unidades de saúde “é também uma via de propagação”. “Provavelmente muitas pessoas da Urgência do Hospital ficaram contaminadas”, reconheceu.
Segundo fez notar, apesar dos estabelecimentos escolares e a maioria dos lares de idosos do concelho apresentarem boas condições de funcionamento, as medidas preventivas de higiene, limpeza e desinfecção deverão ser aplicadas com rigor.

Novos casos

Depois das 112 crianças e oito funcionários da Infancoop que receberam assistência hospitalar na sequência de vómitos e cólicas, tendo a cooperativa de ensino estado fechada na semana passada para desinfecções, outros casos levaram a Delegação de Saúde a encerrar na passada quarta-feira o jardim-de-infância de S. Cristóvão e a creche Here, no Bairro da Ponte, onde foram detectados, respectivamente, 25 e 7 crianças, para além de um funcionário em cada instituição, com sintomas de mal-estar. Todos os estabelecimentos reabriram esta semana e o delegado de saúde não vê necessidade em fechar mais escolas onde têm aparecido casos esporádicos.
O delegado de saúde destaca a colaboração de todas as entidades envolvidas – Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, Serviço de Protecção Civil, Câmara Municipal, Segurança Social de Leiria, Administração Regional de Saúde do Centro e laboratórios locais. Foram feitas análises no Instituto Superior Técnico e no Instituto Ricardo Jorge.
Os pais foram esclarecidos sobre o que se passava pelo delegado de saúde através de reuniões e contactos pessoais. Jorge Nunes adiantou que a situação vai manter-se mais algum tempo, podendo afectar mais algumas crianças e adultos, pelo que convém ter em conta as medidas preventivas. “A sua durabilidade vai depender da eficácia dessas medidas preventivas e empenhamento na sua adopção”, afirmou.

Francisco Gomes

Tags: Sociedade

1 comentário até ao momento ↓

  • 1 PG // Out 8, 2008 at 8:57 am

    Existem muitos pais que não estão ao corrente das medidas de precaução. No minimo, aconselho que enviem um folheto informativo com um titulo agressivo, para captar a atenção dos mais distraidos.

    Eu sei que qualquer pai ou mãe, devem estar atentos, mas infelizmente sabemos que muitos não o estão. É dever dos atentos, chamar a atenção dos “desatentos”.

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