Adolfo Bezerra de Menezes, médico, espírita, político, é hoje uma referência a nível mundial. A sua vida foi tão marcante para o povo brasileiro que inspirou um filme, filme este que está a dar cartas em termos de audiência.
Adolfo Bezerra de Menezes, nasceu em 1831 na localidade de Riacho do Sangue, Ceará, Brasil.
No universo sertanejo forjou seu carácter e aos dezoito anos de idade vai estudar medicina para a cidade do Rio de Janeiro. Na Capital da República foi um grande abolicionista e foi eleito vereador e deputado em várias legislaturas.
Arriscou a sua reputação ao tornar pública a adesão ao espiritismo – cuja prática, àquela época, era considerada crime. “Com os seus artigos em defesa da causa na imprensa e a sua opção pela caridade, ele lançou as bases para o crescimento da religião no país”, diz o antropólogo Emerson Giumbelli.
Os espíritas chamam Bezerra de “Kardec brasileiro” – referência ao francês que pesquisou e codificou a Doutrina dos Espíritos.
No entanto, foi o seu trabalho anónimo em favor dos mais humildes que lhe trouxe o maior reconhecimento de seu povo, que o chamava “Médico dos Pobres”.
Bezerra de Menezes era conhecido por em última instância dar tudo o que tinha em prol dos mais desfavorecidos, ficando mesmo sem dinheiro para si para as despesas mais imediatas. Acabou por morrer na maior miséria material, sendo hoje reconhecido pelo seu povo como um personagem da História do Brasil que engrandece não só a História desse país como da Humanidade.
A sua trajectória foi marcada pelo amor e pela caridade, fosse como político devotado às causas humanitárias ou como o médico conhecido por jamais negar socorro a quem quer que batesse à sua porta. Um exemplo de homem, que fez da sua vida um meio de servir o próximo e a sua pátria.
Refere a página na Internet (em http://www.bezerrademenezesofilme.com.br) que contar a vida desse ilustre cearense é um projecto que ambiciona, mais do que prestar tributo a um grande homem, possibilitar, através do audiovisual, o contacto do grande público com as minúcias do seu pensamento e conhecer passagens relevantes da sua vida para melhor compreender a magnitude da sua obra.
Até meados de Setembro de 2008, quando ainda não tinha completado três semanas em cartaz, Bezerra de Menezes contabilizava mais de 200 000 espectadores. Dirigido pelos desconhecidos Glauber Filho e Joe Pimentel, sob encomenda de uma entidade espírita cearense, o filme é uma produção histórica mambembe. Embora tenha só 75 minutos, parece durar a eternidade. Ainda assim, deixou para trás lançamentos nacionais como “Os Desafinados”, que traz famosos como Rodrigo Santoro no elenco e teve 120 000 espectadores desde a estreia, na mesma data. Nessa toada, opina o cineasta Paulo Sérgio Almeida, do site Filme B, que monitoriza as salas de exibição do país, não será surpresa se ultrapassar a marca dos 500 000 espectadores e ficar entre os três filmes brasileiros de maior bilheteira neste ano.
Recordando as ideias de Bezerra de Menezes, que colocava em prática no seu dia-a-dia, “o médico verdadeiro não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto, ou que não atende por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou tempo, ficar longe, ou no morro; oo que sobretudo pede um carro a quem não tem como pagar a receita, ou diz a quem chora à porta que procure outro – esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros os gastos da formatura. Esse é um desgraçado, que manda, para outro, o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu espírito, a única que jamais se perderá no vai-vem da vida”.
A vida de Bezerra de Menezes é não só um exemplo luminoso para os seus pares de profissão, como para todos nós, seres humanos, ensinando-nos que somos espíritos eternos, que valemos pelas nossas aquisições morais e não pela nossa condição social. Aprendemos com Bezerra que o verdadeiro Amor é o combustível do Universo.
José Lucas
Bibliografia:
- Revista Veja, Brasil
- http://www.bezerrademenezesofilme.com.br

3 comentários até ao momento ↓
1 Bruno Rodrigues // Out 1, 2008 at 5:35 pm
Realmente este filme rombe paradigmas. Sou brasileiro e assisiti o filme, aliás, diga-se de passagem que fui ao cinema 3 vezes. Uma só foi pouco. Interessante registrar que muitos na sala de cinema se emocionaram profundamente com o exemplo de amor ao próximo de BEZERRA. Sugiro que busquem fazer este filme chegar até os cinemas locais. Muita paz.
2 Antonio Silva // Out 4, 2008 at 9:54 am
Felicitações ao José Lucas por este excelente artigo sobre Bezerra de Menezes.
Exemplo a seguir por todos nós.
Já saiu em portugal este filme?
Gostaria de saber. Muita saúde.
3 Nanci Carvalho // Out 8, 2008 at 2:02 am
gostaria que este filme passase em novo hamburgo/rs, temos cinemas aqui até agora nada do filme de bezerra, nós hamburgenses e espíritas esperamos ansiosos a chegada do filme em nossos cinemas locais.
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