No início de um novo ano escolar, o Sindicato dos Professores da Zona Centro voltou à carga com várias preocupações: a precariedade laboral, as condições de trabalho e as condições físicas das escolas.
Fernando Jerónimo, da delegação das Caldas da Rainha do Sindicato dos Professores da Zona Centro (SPZCentro), convocou uma conferência de imprensa local no dia 15 de Setembro, onde assinalou alguns aspectos que exigem mudança. “Trazemos todas estas preocupações para que o Ministério da Educação se aperceba dos problemas que afectam os professores”, disse.
O dirigente sindical alertou para a sobrecarga de trabalho dos docentes, para a precariedade no trabalho de professores em regime de contrato a termo, e para a situação dos professores das Actividades de Enriquecimento Curricular “ilegalmente remunerados a recibo verde”.
O responsável pela delegação das Caldas da Rainha diz que o Sindicato defende que haja um “reajustamento na dimensão das turmas”, que deve ser estabelecido de acordo com “as necessidades de desenvolvimento de processos de aprendizagem consistentes”. A título de exemplo, este responsável referiu que “no passado ano lectivo, 40 % das turmas do 7º. 9º e 10 º anos de escolaridade tinham entre cerca de dez a vinte por cento de alunos para além do previsto na legislação”.
Segundo este dirigente sindical, “muitas das salas de aula têm pequena dimensão”. Fernando Jerónimo chamou ainda a atenção para a necessidade de se dotarem as escolas de “espaços de trabalho adequados”, pois considera inaceitável que decorram aulas em bibliotecas e cantinas, devido à sobrelotação de muitas escolas. “As escolas têm de dispor de espaços próprios para o desdobramento de turmas nas situações de aulas práticas e, no caso de disciplinas com componente experimental ou oficinal, esses espaços devem ser específicos para as respectivas aprendizagens”, afirmou.
O SPZCentro tem manifestado fortes preocupações em relação às condições em que se está a desenvolver o processo de avaliação de desempenho e outra questão focada por Fernando Jerónimo foi a sobrecarga do tempo de trabalho semanal dos docentes, ultrapassando já, em muitas circunstâncias, o limite das 35 horas semanais a que estes profissionais estão obrigados. Assim, o SPZCentro vai lançar uma campanha “contra a sobrecarga de trabalho dos professores”, que visa a “exigência do respeito pelos limites do tempo de trabalho a que cada docente está obrigado”.
O abandono e o insucesso escolar foi outra preocupação apontada por este dirigente, que defende que o seu combate “passa pela criação de recursos humanos que permitam o apoio individualizado em situação de dificuldades de aprendizagem”.
Marlene Sousa

1 comentário até ao momento ↓
1 Maria José Araújo // Out 3, 2008 at 9:36 am
Este noticia é, do meu ponto de vista, exemplar no que se refere ao que chamamos Escola a Tempo Inteiro. As preocupações referidas pelo Sr Fernando Jerónimo são as preocupações de muitos educadores/as. A Escola, enquanto espaço alternativo (de apoio aos pais que estão a trabalhar e precisam de um local para deixar os filhos) até pode estar aberta 24h /dia desde que haja condições humanas e materiais. A verdade é que a maior parte das Escolas não têm essas condições e quem mais sofre com isso são as crianças e a seguir os profissionais que com elas trabalham.
Compreendo muito bem o que refere FJ e dou os meus parabéns à jornalista.
Eu tenho vindo a trabalhar este tema e poucas vezes encontro noticias tão esclarecedoras.
A questão é como melhorar esta situação e ajudar as nossas crianças a ter uma vida mais interessante na escola.
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