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Praias do Oeste sob vigilância

Setembro 4th, 2008 · Sem Comentários

“Caravelas portuguesas” provocam queimaduras em crianças

Uma das “caravelas portuguesas” encontradas - Carlos Barroso (foto)A vigilância das praias sob jurisdição da Capitania do Porto de Peniche foi reforçada na semana passada no sentido de detectar o eventual aparecimento junto à costa de mais ‘caravelas portuguesas’, colónias de organismos com aparência atractiva e ao mesmo tempo mais perigosos do que as alforrecas, que no dia 24 de Agosto provocaram queimaduras em duas crianças na praia de Peniche de Cima.
Também uma menina de seis anos foi transportada na passada segunda-feira ao hospital de Torres Vedras, com irritações na pele, depois de ter estado em contacto com uma “caravela portuguesa”, quando se encontra-va na praia da Mexilhoeira, em Santa Cruz. O nadador-salvador da concessão acabou por prestar os primeiros socorros e retirar o exemplar da água.
Mais exemplares de ‘caravelas portuguesas’ acabaram por ser recolhidos em várias praias na área da Capitania do Porto de Peniche, no seguimento do reforço da vigilância das entidades que prestam socorro na área balnear e da maior atenção dada pelos próprios banhistas ao aparecimento junto à costa destes organismos.
As espécies retiradas da água ainda com vida foram guardadas num recipiente e estão a ser mostradas aos banhistas por Albano Viana, nadador-salvador que está ao serviço do projecto Seamaster (carrinha 4×4), de vigilância das praias, de forma a “alertá-los para a sua perigosidade e para se detectarem mais casos não mexerem e contactarem os nadadores-salvadores das concessões ou a autoridade marítima”.
Até ao início desta semana tinham sido apanhadas mais nove ‘caravelas portuguesas’. A primeira foi detectada por um popular na praia da Peralta, na Lourinhã. “Era uma espécie juvenil, com cerca de dez centímetros, que seria removida da água com a ajuda de um balde e recolhida pelo projecto Seamaster”, contou Albano Viana. “A cor violeta torna-a atractiva, mas é uma beleza que pode magoar”, apontou. O caso seguinte tinha o triplo da dimensão e foi descoberta numa área não concessionada na praia da Cova de Alfarroba, em Peniche. O terceiro exemplar apareceria na praia de Santa Cruz – Centro, em Torres Vedras.
As outras apareceram na Foz do Arelho (dois exemplares), Consolação e Baleal-Norte (Peniche), Santa Rita – Norte e foz do Rio Sizandro (Torres Vedras).
Tiago Silva, nadador-salvador que retirou a ‘caravela portuguesa’ na praia de Peniche de Cima, afirmou que apesar de ser um exemplar raro na zona de Peniche, já apanhou cinco espécies nos últimos dois anos. “Poderá ser derivado às marés vivas e ao aquecimento das águas”, apontou.
O nadador-salvador retirou a ‘caravela portuguesa’ da água com recurso a um pau e colocou-a no caixote do lixo, até ser removida pela Polícia Marítima, que a guardou num saco de plástico para eventual análise de especialistas.
Tiago Silva acha que há uma lacuna no curso de formação de nadador-salvador para lidar com estes casos. O socorrista disse ter adquirido conhecimentos devido ao seu gosto pela caça submarina e em programas de televisão.
Cerca das 13 horas de 24 de Agosto as duas crianças, Ruben Martins, de 4 anos, e Ana Margarida, de 10 anos, residentes em São Salvador, Alcoentre, estavam a tomar banho na área conces-sionada quando sofreram um choque anafilático causado pelo contacto com os tentáculos da ‘caravela portuguesa’, que ficaram agarrados ao corpo, injectando veneno que lhes provocou lesões semelhantes a queimaduras.
“A minha filha toca-lhe a pensar que era um brinquedo que estava na água. O outro menino estava ao lado e foram os dois agarrados pelos tentáculos. Ambos entraram em pânico”, contou Rui Sousa, pai de Ana Margarida. “O meu filho parece que foi todo chicoteado, porque os tentáculos embrulharam-se no seu corpo”, descreveu João Martins.
As crianças foram medicadas e receberam antibióticos, segundo instruções do Centro de Informação Anti-Venenos. Foram também alvo de uma sessão fotográfica no hospital, porque nunca tinha acontecido um caso do gé-nero.
A menina apresenta lesões na mão direita e na anca. O estado de saúde do menino inspirava mais cuidados por ter o corpo mais afectado. Ambos ficaram internados vários dias no hospital das Caldas da Rainha.
Os pais defendem que devia haver informação afixada na praia a avisar a possibilidade, mesmo que remota, do aparecimento deste tipo de organismos na água. “Estou de férias há um mês nesta praia e nunca me disseram nada e há muita gente que não sabe”, manifestou Rui Sousa.
“Vamos ver quanto tempo demora a sarar as queimaduras e vamos ver os traumas que ficam para as crianças em relação à água. A minha filha já me disse que tem medo que esteja lá mais algum bicho”, relatou, adiantando que vão arranjar apoio psicológico para ajudar os menores a ultrapassar o trauma.
Estes animais têm como “habitat” marés tropicais, sendo frequentes nos Açores. Limitam-se a flutuar e a serem empurrados pelo vento. Pode ser mesmo uma corrente que as traga para a costa continental.
O uso de vinagre é um dos métodos para acalmar a dor antes de ir rapidamente ao médico. Se o tentáculo ainda estiver agarrado à pele convém retirar com uma pinça ou luvas, para evitar a libertação de mais veneno.

Francisco Gomes

Tags: Ocorrências

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