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Lei permite e prevê coimas

Setembro 3rd, 2008 · 3 Comments

Cão-guia impedido de entrar em bar nas Caldas

Elisabete Ávila, ao centro, com o “Cyclone”Um casal que serve de família de acolhimento de um cão guia em fase de treino para auxiliar uma pessoa com deficiência visual viu barrado o acesso a um bar nas Caldas da Rainha e teve de chamar a polícia para desbloquear a entrada no estabelecimento. O dono do bar livrou-se de uma coima que podia ir até aos 45 mil euros – como determina a lei – porque o casal abdicou da queixa.
Elisabete Ávila, 33 anos, professora, e Edgar Ferreira, 28 anos, engenheiro electrotécnico, têm a seu cargo, há um ano, o “Cyclone”, um cão da raça “labrador retriever”, que lhes foi entregue pela Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual, de Mortágua, para ensiná-lo a comportar-se em casa e na rua, antes de cumprir o segundo ano da sua aprendizagem como futuro guia de um cego.
O casal tem uma autorização especial – concedida pelo decreto-lei nº74/2007 – que lhe permite aceder a locais, transportes e estabelecimentos de acesso público interditos a outros animais.
Elisabete e Edgar moram em Viseu e foram passar uns dias na região Oeste. Nas Caldas da Rainha, na noite de 15 de Agosto, ao pretenderem entrar num bar com o ‘Cyclone’, com objectivo dele se “ambientar a um possível espaço do género a ser frequentado pelo seu futuro dono”, foram travados à porta.
“Mostrámos a identificação do cão e explicámos o decreto-lei e mesmo assim o responsável do bar bloqueou a entrada”, contou ao JORNAL DAS CALDAS Elisabete Ávila.
“Tivemos de chamar a PSP, que informou o indivíduo que estes cães podem entrar em todo o lado. Acabámos por recusar entrar num bar onde não tínhamos sido bem acolhidos por causa da falta de informação relativamente a estes cães e o desconhecimento da lei que os acompanha”, adiantou.
Elisabete Ávila mostrou-se preocupada com casos idênticos que possam vir a ocorrer e que “podem causar situações de desconforto a pessoas deficientes que têm direito a usufruir da vida e da liberdade como qualquer outro cidadão”.
A professora reclamou a necessidade de “um melhor esclarecimento à sociedade em geral”, chamando a atenção para o trabalho que a família de acolhimento desenvolve “de uma forma totalmente voluntária” na “socialização e educação básica do cão para adaptação à convivência humana”.
Segundo o decreto-lei, o acesso de cães-guia a um estabelecimento como o bar é autorizado não só quando acompanham as pessoas com deficiência visual mas também os seus treinadores e famílias de acolhimento, sem qualquer custo suplementar. O direito “prevalece sobre quaisquer proibições ou limitações”, desde que o animal não apresente sinais manifestos de doença, falta de higiene, agressividade ou não perturbe o normal funcionamento do estabelecimento.
Estes cães, que têm de estar credenciados e devidamente identificados, são até dispensados do uso de açaimo quando circulem na via ou lugar púbico.
Para punir condutas que restrinjam o exercício destes direitos, existem coimas que vão desde os 250 euros aos 3740 euros, quando se trate de pessoas singulares, e de 500 euros a 44891 euros, quando o infractor for uma pessoa colectiva. 50 por cento deste valor reverte para o Estado, 30 por cento para o Instituto Nacional para a Reabilitação e 20 por cento para a entidade que elabora o auto de notícia.

Francisco Gomes

Tags: Sociedade

3 comentários até ao momento ↓

  • 1 paulo neto // Set 13, 2008 at 8:26 pm

    Infelizmente, é regra geral a mediatização dos cães violentos, porém e em nada comparáveis com a violência racional, quotidianamente gerada pelos seres humanos.
    Daí, é fácil, até por desinformação ou má formação, agir contra os canídeos.
    Porém, aqueles que frequentemente avocam os seus direitos, raramente praticam os seus deveres.
    E então, surgem casos deste teor e doutros, ainda de enquadramento mais aversivo, contra os animais, derradeiros portadores de princípios que começam a escassear no ser humano, tais como gratidão, tolerância, amizade, fidelidade…
    Se as sociedades não-afectivas são geradoras de violência inter-humanos, que podemos nós esperar para com os animais?
    Desejo ao funcionário do bar que nunca, ele ou familiar, venham a precisar de ser guiados por um “Cyclone”; que nunca precise de cães pisteiros para lhe procurar alguém , uma pista, um rasto…
    Mas, já agora, não é à porta dos bares que têm surjido os maiores surtos de violência?
    E foi algum cão o agressor do segurança ou do cliente?
    Parabéns Elisabete Ávila.

  • 2 Joana Esteves // Out 7, 2008 at 10:52 pm

    Como colega , e grande admiradora pelo carinho e capacidade de educar, que a Elisabete tem demonstrado, pelo «Cyclone», senti-me muito desiludida e decepcionada com o que soube que aconteceu à entrada desse bar.
    Não podia deixar passar este momento sem manifestar a minha grande tristeza ao descobrir, que em Portugal, país que quer ser tão desenvolvido, existam pessoas que não sabem o papel importante que este magnífico cão significa para muitos, os quais poderíamos ser nós, ou até mesmo o proprietário desse bar. Não culpo apenas esse senhor, pois eu mesma antes de conhecer a Elisabete e o «Cyclone», pouco sabia sobre este tipo de animal, mas sabia o básico….a possibilidade de circularem em sítios públicos!
    O «Cyclone», ao longo do tempo que conviveu comigo e muitos mais colegas meus, revelou-se ser um cão preparado para auxiliar e acompanhar qualquer pessoa que necessite dos seus cuidados.
    Situações como estas seriam desnecessárias, por isso espero que não voltem a acontecer…pois desta este casal teve compreensão, e evitou o pior para o dono do bar…para a próxima…nunca se sabe!!!
    Um enorme beijo de apoio e grande admiração.

  • 3 Vera Perdigão // Out 11, 2008 at 12:52 am

    Este tipo de situação nós encontramos em todas as partes do mundo porque está no coração do ser humano, até aceito e respeito estas aversões e medo que algumas pessoas sentem dos animais, embora não entenda, pois até os tigres quando criados com carinho são dóceis e isso está provado no Templo do Tigre na Tailândia. O que as pessoas deferiam fazer era se informarem mais sobre o objeto de seus medos, um labrador retriever está entre os cães de raça mais dóceis, e companheiros tendo eles ainda a capacidade da ajuda e de fazer a caridade, coisa que me pergunto se é encontrada nos seres da raça humana…
    Moro no sul do Brasil e sou criadora de Golden Retriever, parentes próximos do labrador e como conheço o coração de Elizabete e Edgard, e sei da beleza, da bondade e da grandeza deste casal quando o assunto é caridade, lhes mando um recado publico: “Meus amigos, sintam pena de pessoas que têm olhos e não vêem e que tem coração e não amam, estes são os que não conseguem reconhece um ato de caridade.”
    Ao Cyclone minha admiração e a vocês o meu carinho e respeito.
    Vera Perdigão
    Florianópolis - Santa Catarina-Brasil

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