Sua Eminência o Cardeal D. José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, no seu livro “Como se faz um Santo”, editado pela Aletheia, dá-nos uma lição muito clara e simples de como é possível e até tentador desafiar a graça da fé e provocar a nossa santidade.
Esta obra, uma entrevista muito bem conduzida por Saverio Gaeta, plena de humor, sabedoria e leveza, conduz o seu leitor num roteiro espiritual e convida-o serenamente a construir a sua perfeição com contornos de alegria, boa disposição e espírito desportivo na luta por se corrigir e emendar sempre que erre. Pois, se errar é humano, corrigir-se é divino.
A sua grande mensagem é que a santidade não consiste em fazer coisas exóticas ou extraordinárias longe do alcance do homem comum, mas em fazer sempre e bem as coisas simples e banais de cada dia, no trabalho, na família e na sociedade, pois é na prática do bem que ele pode concretizar o seu projecto de vida e conquistar o seu futuro – a eternidade perfeita.
Considerando o cenário da sociedade contemporânea na qual o homem se sente cansado, sem ideias, sem entusiasmo, abatido e taciturno, mergulhado num vazio espiritual, os Santos são a bússola e a directriz muito clara de que em todas as épocas é possível e necessário lutar contra a corrente e procurar dar um novo rumo à vida para superar o pântano em que a ausência de valores, o relativismo e a ditadura do materialismo insistem em nos afundar.
Os Santos são um modelo de virtudes e alegria, ensinam-nos a ver para além da superficialidade dos tempos, revelam-nos a luz que os nossos olhos não conseguem enxergar e mostram-nos como só lutando contra o estabelecido é possível encontrar a beleza e a paz que habita no fundo de nós mesmos.
Porque os tempos são maus e difíceis é que o mundo precisa mais do que nunca de santidade e bons exemplos para nos ajudarem a ver claro no meio da agitação e perturbação que insistem em ter foros de primeira página.
Os Santos não são colunáveis mundanos, mas homens e mulheres que, para além de todos os seus defeitos, trabalhos e preocupações no meio do mundo, tiveram sempre o grande desejo de amar a Deus acima de tudo.
Ser Santo não é uma utopia, algo raro e inacessível ou um ideal inatingível mas uma realidade viva a concretizar. Basta querê-lo e fomentar propósitos de santidade com desejos infinitos de o atingir, a decisão de empreender o caminho e percorrê-lo até ao fim, numa azáfama diária e constante de realizar esse sonho. Ser Santo está ao alcance de todos, novos e velhos, ricos e pobres, gordos e magros, doentes e saudáveis
Se para Vergílio Ferreira escrever um livro era estar com o outro que está dentro de nós, ler este livro poderá ajudar a compreender, melhorar e santificar o eu que vive em nós e espera ansiosamente que lhe demos a oportunidade de ser melhor e, quiçá, de poder vir a ser Santo.
Maria Susana Mexia



0 comentários até ao momento ↓
Ainda não existem comentários a esta notícia, por favor deixe-nos o seu comentário!
Comente esta notícia