Quase um mês depois dos acidentes muito graves na zona da aberta (canal de ligação da Lagoa de Óbidos ao mar da Foz do Arelho), uma área não vigiada, as autoridades colocaram um nadador salvador que chamam de vigilante.
Porém, a colocação deste elemento está envolta em alguma confusão, a começar pela sinalização que foi colocada na área. Por outro lado, ainda não está definido quem vai pagar o serviço de segunda a sexta-feira, já que durante o fim-de-semana essa prevenção é garantida a título gracioso pelos bombeiros das Caldas.
O elemento, que apenas é classificado pelas autoridades camarárias como vigilante, tem curso de nadador salvador, está apetrechado com todos os meios de salvamento e até já os usou para realizar com sucesso diversos salvamentos.
Para ajudar uma condição pouco clarificada, existem placas informativas mesmo ao lado do posto de vigilância do nadador salvador a indicar “zona sem vigilância”, “zona interdita” e “zona perigosa”.
Os mais jovens continuam a fazer saltos para a água no local dos acidentes. Era exactamente outra prevenção que Fernando Horta, presidente da Junta de Freguesia queria, adiantando ao JORNAL das CALDAS ter requerido uma concessão de praia.
“Queríamos que o nadador salvador exercesse as funções de hastear bandeiras, prestar assistência aos banhistas e até pensamos em ter ali uma concessão de praia. Tudo isto foi pensado antes dos acidentes por causa das movimentações da aberta e por ser a zona onde há mais areal e onde há maior concentração de pessoas”, referiu.
A intenção foi confirmada pelo comandante da Polícia Marítima, Guerreiro Cardoso, que revelou ter recebido da autarquia das Caldas um fax, datado do dia 9 de Julho, onde era pedida uma concessão de praia com um nadador salvador para aquela zona.
O também capitão do porto de Peniche explicou porque não concedeu esse desejo, alegando que “seria dar uma falsa ideia de segurança, numa zona que é a mais perigosa na praia da Foz do Arelho”.
Porém, Fernando Horta tem “dúvidas se será essa a melhor solução”. “Se estão lá placas a indicar que a zona é interdita, acho que deveriam ser os polícias marítimos a estar ali e não o nadador salvador. O nadador salvador está habilitado a fazer socorro e o respeito de um polícia marítimo é sempre diferente”, comentou.
Além deste caso, há ainda dúvidas quanto ao pagamento do homem que foi posto na zona perigosa. O presidente da Junta aclarou que a contratação do nadador salvador “foi um acordo entre a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia”, mas “com funções diferentes daquelas que está a desempenhar actualmente. Foi combinado pagar ao nadador salvador nas condições iniciais e propostas à capitania, mas nestas circunstâncias ainda não sei quem será, porque nada está definido”. No entanto, garante que “o homem vai ser pago”.
Por ser apenas um elemento, nesta condição não tem a possibilidade de almoçar, ir à casa de banho, não pode abandonar o posto de vigia, além de não ter ajuda nos salvamentos.
Quanto aos jovens que sofreram os acidentes, as notícias que nos chegaram são do irmão de um dos sinistrados. O jovem que sofreu o acidente no dia 8 de Julho está ainda em estado considerado muito grave e corre risco de vida. Gustavo Ramos, de 19 anos, estudante na ESAD e residente em Lisboa, havia estabilizado, mas neste momento depois de ter apanhado uma pneumonia “está em coma induzido”, revelou o irmão do outro jovem que sofreu, no dia seguinte, o mesmo tipo de acidente.
O irmão do caldense André Teles, de 24 anos, revelou que o estudante da Faculdade de Ciências de Lisboa “está melhor”, mas o seu estado de saúde contínua por estabilizar, uma vez que ainda respira com auxílio a um ventilador.
Segundo o familiar, André Teles já tem reacções nos braços, mas “o seu prognóstico continua reservado”.
Carlos Barroso


1 comentário até ao momento ↓
1 Paulo Gomes // Ago 7, 2008 at 7:10 am
Sempre a mesma confusão, ninguém se entende, todos mandam e as soluções não aparecem. Se algo de mal acontecer, tem sempre a desculpa do costume.
Porque razão ninguém toma decisões, as assume e se correr mal sujeita-se, se correr bem, recolhe os louros. Nunca compreendi porque existem pessoas que vivem melhor a “atacar” e ficam felizes com o mal que acontece aos outros, mesmo que estejam numa situação pior.
Lamento profundamente o que aconteceu aos jovens.
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