Quatro elementos da União dos Sindicatos do Distrito de Leiria (USDL) visitaram, na passada quarta-feira, os treze trabalhadores da Secla que recusaram rescindir o contrato de trabalho e continuam a ir diariamente para a fábrica, apesar desta ter cessado a produção no dia 30 de Junho.
Os membros do Sindicato convidaram os trabalhadores a irem manifestar-se para o centro da cidade das Caldas da Rainha como forma de mostrarem ao público que a Secla “ainda está viva e que os trabalhadores ainda não desistiram”.
José Valentim, da USDL, disse aos trabalhadores que “chegou a hora de dar um passo em frente no desenvolvimento da luta e que é altura de apelar à solidariedade de instituições com responsabilidade no concelho, nomeadamente a Câmara Municipal e a Inspecção Geral de Trabalho”.
A USDL pediu a intervenção da Inspecção-Geral do Trabalho, pretendendo que sejam levantados autos de contra-ordenação à empresa Secla pela alegada prática de infracções. “Ouvimos dizer que está a ser preparada a retirada de produto da fábrica que irá certamente proporcionar a recolha de receitas, no entanto os funcionários que não rescindiram os contratos não têm a garantia que irão receber este mês”, manifestou José Valentim.
Os trabalhadores foram manifestar-se junto às instalações nas Caldas da Rainha da Inspecção-Geral de Trabalho e reuniram-se com o presidente da Câmara.
Fernando Costa declarou que “as instalações da Secla estão dadas como garantia de crédito ao Banco Comercial Português, e neste momento quem manda naquilo é aquela instituição bancária”. O autarca garantiu que “a Secla não vai reabrir e não haverá outro investimento ou aproveitamento da fábrica”.
Fernando Costa disse que aconselhou os trabalhadores a seguirem o parecer do advogado deles, no entanto, expressou-lhes a sua opinião, referindo que não vê “nenhum benefício a favor deles ao não rescindirem o contrato de trabalho”. “Se a administração indemnizou cerca de 200 empregados a 50 por cento, não sendo o que está previsto na lei, é bastante razoável nos dias que correm, porque quem fecha e vai à falência nem sequer paga os ordenados e muito menos as indemnizações”, sublinhou.
Marlene Sousa

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