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Secla faz acordo com trabalhadores em vésperas de fechar

Junho 11th, 2008 · 10 Comments

Antiga sede e fábrica foi vendidaA administração da Secla-Sociedade de Exportação e Cerâmica S.A. está a rescindir os contratos com os seus trabalhadores que optem por essa via, uma vez que no final deste mês deixará de laborar.
O sindicato cerâmico reuniu com a administração e ficou a saber que os cerca de 250 trabalhadores vão para o desemprego. De acordo com Jorge Cascão, do sindicato cerâmico, “há a possibilidade da empresa pagar 50 por cento das indemnizações e quem não aceitar vai ter de reclamar créditos”.
Fundada em 1947, após a II Guerra Mundial, a Secla foi um dos maiores produtores mundiais de louça utilitária e decorativa em faiança. Chegaram-se a produzir mais de 16 milhões de peças por ano, incluindo grandes séries de peças pintadas à mão.
No passado, a Secla revelou-se inovadora e percursora da modernidade da cerâmica portuguesa. Pela fábrica caldense passaram artistas como Herculano Elias, Ferreira da Silva, Hansi Stäel, Alice Jorge, Júlio Pomar, José Santa-Bárbara, Conceição e Silva, K. Michelson, entre outros.
O trabalho realizado por todos caracterizou uma etapa na arte cerâmica portuguesa, afastando-se de uma linha tradicional produzida até à altura e realizada na roda de oleiro, para um sistema mais mecanizado.
Retomaria a roda de oleiro durante os anos 50, tendo como intenção a ruptura funcional estética na criação de novos objectos.
Ao longo do seu percurso a fábrica procurou um experimentalismo tecnológico, que estava aliado ao desenvolvimento de uma nova maquinaria, o que permitia a obtenção de novas matérias-primas mais resistentes à evolução dos fornos.
Com uma gama de artigos bastante vasta, a Secla focou a sua produção essencialmente em louça de mesa, louça de forno e alguns artigos decorativos.
A Secla chegou a ter 700 funcionários, sendo o maior empregador privado do concelho, o terceiro maior do distrito de Leiria e o maior empregador no ramo da cerâmica utilitária e decorativa.
Mais de 95 por cento da produção era exportada, só que as grandes encomendas começaram a faltar, a que não foi alheia a concorrência dos mercados asiáticos.
Em 2006, a Secla chegou a reduzir a semana de trabalho para três dias, pagando aos trabalhadores afectados por esta medida dois terços do ordenado. Na altura já tinha 415 trabalhadores e o número de encomendas vinha diminuindo em cerca de 30 por cento.
À diminuição acentuada dos postos de trabalho, juntou-se há mês e meio, a venda de património – o edifício-sede e antiga fábrica próximo do cemitério de Nossa Senhora do Pópulo. Estava previsto que a loja e escritório, no mesmo local, também iriam fechar, ficando a Secla com a unidade fabril na Zona Industrial das Caldas da Rainha.
O passivo terá sido equilibrado com a alienação de património, evitando-se o incumprimento do pagamento dos ordenados, às Finanças e à Segurança Social, mas a medida só seria suficiente com as necessárias grandes encomendas, que não apareceram, levando a administração a tomar a solução drástica de fechar a fábrica a 30 de Junho.

Francisco Gomes

Tags: Economia

10 comentários até ao momento ↓

  • 1 empregado da secla // Jun 14, 2008 at 9:46 am

    a Secla fez acordo com ALGUNS TRABALHADORES MAS AINDA NÃO ESTÁ NADA RESOLVIDO nem nimguém ainda recebeu indemnizações nenhumas está tudo no segredo do deus ( Castelo Branco ) o qual vai a seu pedido reunir com o sindicato na próxima segunda feira 16/06/2008 continuamos cá para ver. ( POBRE SECLA ) o que tu eras e no que te fizeram.

  • 2 anónimo // Jun 14, 2008 at 10:05 am

    Acho que quem escreveu isto sabe do que está a falar, só queria acrescentar alguns pontos, quanto aos 250 trabalhadores irem para o desemprego disso não tenho duvidas, mas não me parece que a SECLA vá fechar talvez vá parar durante um mês ou dois e depois volta a abrir com quem eles muito bem entenderem e ( a contrato de trabalho temporário a receberem o ordenado minimo ) não é mal pensado ou é ?
    Quero deixar aqui um apelo aos trabalhadores da Secla, quem puder mantenha-se até ao fim na fábrica que eles vão ter que pagar o que cada um tem direito se realmente quiserem fechar a fábrica. ( FORÇA COLEGAS )

  • 3 anónimo // Jun 17, 2008 at 10:02 am

    Aos trabalhadores, digo com franqueza que a administração está com ideias definidas de fechar a unidade fabril, não tenho duvidas que os 250 operários vão para o desemprego mais digo negoceiem e fazei acordo para receberem os vossos direitos, porque se não o fizerem a lei não vos protege de todo, como toda a gente sabe alguns patrões sem escrúpulos descapitalizam as empresas e fazem desaparecer o património das empresas para assim não pagarem a ninguém.Vejam as ultimas empresas que encerraram este ano se não tenho razão.
    Nas noticias não se fala de outra coisa.
    É o governo actual de José Sócrates e a protecção laboral que temos no nosso país.
    Imaginem-se a fazerem vigília ás instalações fabris 24h sob 24h para garantirem parte dos vossos direitos adquiridos.

  • 4 trabalhador da secla // Jun 19, 2008 at 10:05 pm

    A Secla não deve ao fisco
    A Secla não deve á segurança social
    A Secla não deve a fornecedores
    A Secla não deve a trabalhadores
    A Administração da Secla TEM RECUSADO ENCOMENDAS
    O valor que a administração da Secla diz dispôr para indeminizar (em 50%) os trabalhadores, chega para pagar os salários aos 250 trabalhadores durante 1 ano.
    FECHAR AS PORTAS ???
    PORQUÊ???

  • 5 jorge leitão // Jun 25, 2008 at 11:34 pm

    estes senhores que apareceram á 5 anos na administração da secla deviam ter vergonha. A meses que não aceitam encomendas porque não querem os vendedores tiveram que andar a fugir dos clientes porque foram ameaçados. O ESTADO havia de por mão nessas vigarices que se fazem injustamente a quem trabalha.

  • 6 anónimo // Jun 26, 2008 at 1:00 pm

    É uma vergonha que este governo não olhe para o que se está a passar na secla ,não dão o devido valor ás pessoas aquilo que elas tem direito , dizem que vai fechar, mas é pura mentira. Os que nunca fizeram nada dentro da empresa são os que vêm com os bolsos cheios. Vamos esperar um ou dois meses para ver a fábrica a laboral normalmente. é o governo que temos.

  • 7 Vitor Conceição // Jun 28, 2008 at 11:03 pm

    Aos Trabalhadores da SECLA, só resta um caminho A LUTA, com o apoio do seu Sindicato e da CGTP-IN, Já passei pelo mesmo, foram 18 meses sem receber salário, duas cargas da policia de choque,uma prisão enfrente à casa do 1º menistro da altura. VALEU A PENA LUTAR. HOJE A EMPRESA É DAS MAIORES DA EUROPA,E A MAIOR DO PAIS. Quem luta nem sempre ganha, mas quem não luta perde sempre. Também nos diziam que a Empresa não era viável e que não tinha encomendas, mas depois veio a provar-se que a intensão era vender a Empresa sem trabalhadores.    VAMOS À LUTA, dia 30 lá estarei para mostrar  a minha solidariedade àqueles que só sabem Trabalhar, para sustentarem as suas famílias.

  • 8 manuel coelho // Jun 30, 2008 at 5:59 pm

    O sindicato amarelo negociou com a administração e vendeu os trabalhadores, o sr. Cascão só representa os seus interesses, dizem os ecos dos trabalhadores que lhe cabem 10% daquilo que receberem. Mentira? Como sei que ele está atento, certamente, procurará repor a verdade, e tudo ficará claro com deve ser .
    O Sindicato dos Trabalhadores das Industrias de Cerâmica, Cimentos, Construção, Madeiras Marmores e Similares/CGTP, faz diligências para garantir a salvaguarda dos postos de trabalho, viabilidade duma empresa de grande importancia para a vida económica e social de Caldas da Rainha, denunciado os interesses e eclarecendo os trabalhadores para não serem enganados. A Luta dos trabalhadores pela garantia dos postos de trabalho é tambem a luta pela defesa da saude do tecido social de Caldas da Rainha em risco de perder uma unidade económica importante. As instituições devem funcionar, vale a pena lutar pela SECLA, vale a pena correr com os oportunistas que vendem a desgraça dizendo que é tudo legal porque viu os papeis que ninguem mais viu.

  • 9 Manuel Martins da Cruz (eng) // Jul 1, 2008 at 6:18 pm

    Actualmente reformado, sou colaborador da União dos Sindicatos de Leiria e nessa condição foi pedida a minha presença na SECLA, ontem 30 de Junho.
    O que aí encontrei deixou-me espantado, para não dizer outra coisa. Trabalhadores despedidos sem receberem a indemnização legal, situação que terá a cobertura dum pseudo-sindicato.
    Mas o que mais me espantou foi o facto de os trabalhadores não term sido alertados para os efeitos do Artigo 10º do Decreto-Lei 220/2006 de 3 de Novembro.
    Segundo aquele diploma legal, as rescisões por mútuo acordo só conferem direito a subsídio de desemprego:
    - Se houver a correr em tribunal processo de recuperação ou a falência da empresa;
    - Se hover deliberação do Ministro da Economia, nos termos dos Decretos-Lei 353-H/77, 251/86, 206/87 ou Decreto Regulamentar 5/2005;
    - Para além destas situações o número de trabalhadores que poderão beneficiar de subsídio de desemorego está limitado a 3, com um máximo de 25% do quadro de pessoal em cada triénio.
    Parece-me portanto que os ex-trabalhadores da SECLA estão numa situação delicada e devem exigir responsabilidades a quem os conduziu para ela.

    MANUEL CRUZ - Leiria

  • 10 José Peixoto // Jul 15, 2008 at 5:30 pm

    Os treze trabalhadores da Secla ainda em luta merecem todo o nosso respeito e solidariedade. Tive aliás a honra de lhes dizer isso pessoalmente. São um exemplo de dignidade que deve envergonhar muito sindicalista profissional, que de traição em traição vai governando a vidinha

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