1 de Junho de 2008. Dia da criança. Era suposto elas serem os protagonistas deste dia, mas não. Valores mais altos se alevantaram (com “a” no início da palavra, como diz o povo) no horizonte, relegando as crianças para segundo plano.
Aqui o Zé dos Anzóis até delirou, que dia este meu Deus…
Foi de manhã à noite a ouvir falar da selecção, até me senti mais português e tudo, mais patriota, mais feliz, mais realizado, mais… sei lá o quê.
Não, não estou a falar da selecção dos portugueses notáveis, dos pescadores que arriscam a vida para que tenhamos peixe fresco, não. Também não estou a falar da selecção dos portugueses anónimos que pagam impostos e que contam os tostões até ao fim do mês, dos professores que educam os nossos filhos, dos enfermeiros que ganham uma bagatela, não nada disso…
E se pensam que estou a falar da selecção dos militares, sim daqueles que sempre orgulharam o nosso país e agora são espezinhados pela classe política, nem pensem nisso…
Também não estou a falar na selecção dos agricultores nacionais, sim daqueles que levam vida dura para eu tenha comidinha na mesa…
Obviamente não me estava a referir à selecção dos portugueses que trabalham heroicamente nas caixas dos hipermercados, a troco de nada, não, apesar de alguns até serem licenciados, não era a esses que me referia, isso deve ser coisa lá do choque tecnológico…
Não estava a falar da selecção dos “burgueses”, que têm carro e que pagam os combustíveis a preços proibitivos, só porque têm a mania de irem trabalhar todos os dias, para que alguns senhores que fazem politiquice neste país, possam levar vidinha regalada e terem reformas douradas a curto prazo, nada disso…
Estava a falar da selecção nacional de futebol, carago…
É verdade, como me senti orgulhoso…
Eram as rádios, a televisão, sempre a dar as mesmas coisas, que emocionante… era o Scolari, era o Simão a fazer a mala, o seu gel, as cuecas, os lenços, e ficámos a saber que afinal os jogadores também fazem as malas… Foi o dia mais emocionante da minha vida, o dia em que os verdadeiros heróis nacionais (chega-te para lá “Portuguesa” que já estás desactualizada) largaram este país para irem para a Suíça para o campeonato europeu de futebol.
Caramba… eles devem ser mesmo importantes e todo o país está pendurado no seu êxito para se conseguir superar o défice, melhorar as condições de vida, sei lá…
Imaginem vocês que até o Presidente da República recebeu os nossos heróis, sim, os verdadeiros heróis… aqueles que para além dos ordenados chorudos, vão ter de aguentar as dificuldades de um hotel de 5 estrelas suíço, as saunas, os jacuzis, os prémios chorudos dos jogos que vencerem, os massagistas de 1ª classe, os médicos topo de gama.
Desculpem lá, mas eles merecem.
Que seria de nós se não fosse a selecção nacional de futebol?
Ah, mas vocês não sabem o que me emocionou mais, carago…
Sabiam que os pilotos que pilotavam o avião da nossa selecção, eram o Paulo e o Rui? Que espectáculo, foi aí que me apercebi: sim senhor, assim vale a pena pagar impostos, carago, a nossa estação de TV prestou um verdadeiro serviço público.
E ao ver o avião a subir em direcção à Suiça, não pude deixar de sentir uma grande emoção, carago, afinal aqui o Zé dos Anzóis faz parte do país do Paulo e do Rui.
Que emoção!…
Zé dos Anzóis
PS – Um amigo meu disse que parece que existe um tal António Oliveira (que não é treinador de futebol) que se deve estar a rir no Além… Ele há cada um com cada ideia…)


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