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Entre as décadas de 40 e 70

Abril 2nd, 2008 · Sem Comentários

Alunos do antigo Externato Ramalho Ortigão 

Procuram-se memórias dos locais de encontro e convívio das juventudes caldenses

 

Os blogues da Escola Comercial e Industrial das Caldas da Rainha e do Externato Ramalho Ortigão, numa iniciativa conjunta, estão a tentar reconstituir os locais de encontro e convívio das juventudes caldenses entre as décadas de 40 e 70.

Deste modo pretendem receber depoimentos com lembranças de algum desses lugares, o que os distinguia e pormenores como “os jogos, a qualidade da imperial ou das bifanas, as pessoas que lá iam, as horas a que fechavam, as conversas, o dono ou os empregados, e a música”.

Para avivar a memória, são dadas algumas referências, como os cafés da Praça da República (Lusitano, Flor de Liz, Zaira, Invicta, Bocage e Central), outros cafés (Capristanos/Claras, Maratona e Taiti), cervejarias (Marinto, Camaroeiro e Caldas Bar), pastelarias e esplanadas (Machado, Bar-Restaurante do Parque, Pão-de-Ló em Alfeizerão), tascas (Ginginha e Floresta), espaços nocturnos (Inferno d’Azenha, Ferro Velho, Alex e Casino), livrarias/papelarias (Tália, Parnaso, Silva Santos, Tertúlia, Turita e Jornália), encontros/bailes (Casino, Lisbonense, Bombeiros, Pimpões, Cefrol, Columbófila e garagens), jogos (Casino, Clube de Inverno, Central, Marinto, Camaroeiro, Floresta, Sporting Club das Caldas e Camaroeiro), cinema/teatro (Pinheiro Chagas, Salão Ibéria e CCC), Foz do Arelho (Verão, Café Caravela, Fnat, Felix e Facho) e Óbidos (IbnEricRex, Mansão da Torre e Estalagem do Convento).

No blogue do Externato Ramalho Ortigão (http://externatoramalhoortigao.blogspot.com), Francisco Cera recorda a infância nos anos 50 e a adolescência a entrar nos 60: “Tudo começava no Parque. Primeiro nos baloiços, no escorrega, nas matinés do Ibéria, depois no pingue-pongue da Casa dos Barcos ou ainda na Esplanada, com a malta à volta da máquina de discos a ouvir os primeiros acordes dos Beatles. À noite, o Parque enchia-se de encantos: os canteiros iluminados, a Banda a tocar, os mais velhos a passear e os mais novos, eles e elas, cruzando olhares e risinhos discretos. A malta, se não estava junta, não estava longe. Havia sempre um sítio para se encontrar. A Rua das Montras, em frente à Tália, era um dos primeiros “pontos de encontro”.

Na fase mais imberbe, a malta espalhava-se pelos matraquilhos na Floresta, pelo bilhar do Marinto ou por um pires de berbigão no Caldas Bar por quinze tostões a dividir por três. O tempo das borbulhas decorria já nas tertúlias do Bocage, do Invicta ou do Lusitano. Para o Central já se exigia outra estaleca cultural que o tempo se encarregou de trazer. A Zaira, o “Poço das Víboras”, era reserva para o charme, o galanteio, a finesse”, prossegue.

Para Francisco Cera, “tinha de tudo a minha terra. Sobretudo, tinha vida”. “Tinha o Ferro Velho e a Azenha onde havia copos e paixão mas sem violência, cultura e mistério mas sem drogas. E tinha teatro, tinha o CCC. No Carnaval, saltava-se dos Pimpões para os Bombeiros, do Casino para o Lisbonense até que a manhã chegasse e parasse a festa. O Verão trazia gente de fora que se fez de cá e aqui compartilhava as festas, os jogos, os passeios, as brincadeiras no areal da Foz, umas imperiais no Zé Félix ou o Pôr-do-sol nos terraços da FNAT”, relata.

Histórias como estas, à medida das recordações de cada um, podem ser enviadas para inqueritoscaldas@gmail.com.

 

Francisco Gomes

 

Tags: Sociedade

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