“Não ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros já foram”
(Alexander Graham Bell)
Recentemente reli uma curiosa história de uma experiência científica realizada em macacos. Consistia em colocar cinco macacos na mesma jaula, com uma pequena escada que dava acesso a um cacho de bananas. Durante alguns dias, sempre que um macaco subia a escada, os restantes, como castigo, apanhavam um valente banho de água fria. Passado pouco tempo, sempre que um macaco se aproximava da escada, era, imediatamente, agredido pelos outros.
Apesar da natural tentação de subir até ao cacho de bananas, poucos dias foram necessários para que nenhum macaco se atrevesse a subir a escada. Controlado o comportamento dos primatas, os cientistas resolveram substituir um dos macacos por outro, que não conhecia as regras do sistema nem a cultura organizacional do grupo. Naturalmente, a primeira coisa que o novo macaco fez foi tentar subir a escada, o que lhe valeu, de imediato, uma sova dos colegas de jaula e depressa apreendeu a regra de não a subir. Mais tarde, um segundo macaco do grupo original foi substituído por um outro.
O curioso é que o primeiro macaco substituto, que apenas tinha levado as surras sem nunca ter recebido qualquer banho de água fria, acabou por participar activamente na sova aplicada ao récem-chegado. Um a um, todos os macacos que tiveram a aprendizagem original foram substituídos ficando na jaula só macacos substitutos, que nunca sofreram qualquer banho de água fria nem percebiam por que não se podia subir até ao cacho de bananas. No entanto, isso não impediu que o quinto substituto se escapasse à sova quando se aproximou da escada. Concluiu-se assim que o grupo continuava a perpetuar uma regra de comportamento organizacional sem qualquer racionalidade, porque… as coisas sempre foram assim por aqueles lados.
Contundo, o leitor dirá que uma história destas nunca poderia acontecer com humanos. Então, imagine que um extraterrestre chega ao nosso planeta e, naturalmente, não percebe porque tantas pessoas usam ao pescoço uma faixa de pano inútil, que fica presa por um nó complicado que dificulta os movimentos e a respiração.
Para além disso, apercebe-se que este adorno, de nome gravata, já foi causa de acidentes por asfixia e que quem o usa está constantemente a aliviar o seu nó, para ficar mais confortável, e é a primeira coisa que tira, mal chega a casa. Por certo, perguntaria: para que serve afinal a gravata? Racionalmente, teríamos que responder que não tem nenhuma utilidade e que, na verdade, representa apenas um símbolo de poder e inacessibilidade para muito boa gente passar uma imagem da importância e valor que não possui. Naturalmente, teríamos que explicar que muitas pessoas foram “obrigadas” a usar gravata, porque o comportamento organizacional assim o exigiu e os superiores hierárquicos gostam que assim seja.
Sendo assim, depressa concluirá o extraterrestre que, num futuro próximo, quando os mais novos chegarem ao poder, se deixará de incentivar o uso dessa faixa de pano ridícula. E teríamos nós que responder que dificilmente isso irá acontecer, pois, por essa altura, os mais novos serão mais velhos e também eles já se terão habituado à gravata, porque… as coisas sempre foram assim por aqueles lados.
Talvez nesta história se perceba bem o que Tom Peters, para muitos o mais prestigiado orador na área de gestão da actualidade, quer dizer quando revela que o problema das organizações não é encontrar pessoas com ideias inovadoras, mas sim conseguir derrubar o conservadorismo e os dogmas de quem tem o poder. Peters adverte mesmo que, se anda à procura de inovação e mudança de comportamentos, nunca as irá encontrar nos engravatados “yes sir” que adoram frequentar os corredores da administração. No entanto, por cá, os senhores com o poder de decisão parece que continuam a apostar em engravatadinhos, como eles próprios, para que nada mude. Porquê?!?… Então, por que é que havia de ser?!?… Porque… as coisas sempre foram assim por estes lados.


2 comentários até ao momento ↓
1 MAC // Mar 31, 2008 at 11:04 am
Apesar de estar completamente de acordo, relativamente ao uso de estereótipos como a gravata, acho que o exemplo escolhido, não foi o mais feliz.
A transmissão de conhecimentos de geração para geração foi fundamental para a evolução das espécies, e foi também fundamental para nós Humanos.
Reduzindo o conceito ao absurdo, é ele que nos impede de beber um frasco de veneno, sem termos nós próprios experimentado o seu efeito previamente, ou que nos avisa que devemos terminar a digestão antes de ir nadar.
Diz uma célebre máxima que “Os inteligentes aprendem com os próprios erros e que os sábios aprendem com os erros dos outros”. A natureza “é sabia” e incute estes conceitos instintivamente nos seus seres mais “simples”
2 Ninja // Abr 4, 2008 at 2:29 pm
A mim parece-me linear de mais para se aplicar a toda a Humanidade. Obviamente que existem exepções! Um homem de gravata não me convence mais que um puto de calças de ganga, contudo, sabemos que na maior parte dos casos as coisas funcionam tal como foram relatadas.
Podemos até ir mais longe… casos práticos: Refiro-me a excelentes profissionais que usam um “dress code” informal ou mesmo relaxado e que as suas aptidões profissionais são muito superiores a quem anda de gravata, vulgo, os “fatos”!
Olhar para uma pessoa e “sacar” os seus conhecimentos, educação ou status pela forma de vestir é pura estupidez! Pois sabemos nós, que o que não falta aí são “ursos” vertidos de fato, que andam a tentar enganar não sem bem quem… certamente não a mim!
Essa mania de rotular pessoas pelo que vestem, ou por atitudes passadas é algo que me irrita profundamente. Aliás… sofro isso na pele!
Companheiros, estamos no século XXI, as minhas calças de ganga não vao influenciar o meu trabalho. O meu passado… já passou! E todos temos uma história por contar. Não vamos cobrar os erros das pessoas eternamente, nem rotula-las de forma sistemática. Todos têm os mesmos direitos e com toda a certeza que ninguem gosta de ser rotulado pela forma como se veste.
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