Vivemos um tempo de imagens. Em que estas procuram (e muitas vezes conseguem) superiorizar-se à substância.
Ora isto não é um acaso. Isto acontece porque a sociedade em que vivemos está cada vez mais estruturada no apelo ao consumo desumanizado e desumanizante, apelando em quase tudo à frivolidade, em prejuízo claro da análise instrínseca das coisas e dos factos.
Neste tempo em que seria suposto o conhecimento prevalecer, porque a ele temos, como nunca tivemos, imensas possibilidades de acesso, a publicidade, no seu mais lato sentido, submerge, na maioria das cabeças, dos seres humanos, esse mesmo conhecimento.
É óbvio que as imagens nos impressionam mais ou melhor, são mais fáceis de assimilar que as palavras e que as primeiras, se bem captadas ou bem construídas (para além de poderem ser arte) valem, por vezes, mais do que mil palavras. Mas não é destas imagens que falo. Falo das imagens fúteis e embrutecedoras que nos invadem até (e sobretudo) em casa, através da janela electrónica ou digital, de que já não prescindimos e que, mais que realidades autênticas, que nem sempre correspondem à verdade a que temos direito (não nos esqueçamos que é ainda minoritária a audiência da TV por cabo e que muitos a utilizam sobretudo para ver futebol e outras alienações e que a TV pública procura competir com as das novelas, descurando bastante o seu papel, na busca, também, do facilitismo das audiências maioritárias).
Mas, entendamo-nos, as pessoas, também gostam maioritariamente da facilidade, da aparência, em detrimento da substância ou seja dosss conteúdos, onde se podem entender as causas e as consequências dos vários acontecimentos, sejam eles políticos, sociais, etc, etc…
Quando, como agora, com uma invulgar actualidade e alguma profundidade, se discute o papel do professor, mercê da sua luta contra o enxovalho de que foi esta classe profissional escandalosamente vítima, por forças de políticas e políticos demagogos e oportunistas, será bom que lutemos (com os professores à cabeça dessa luta) por um ensino, um sistema educativo que privilegie a substância (o conhecimento autêntico), em detrimento das aparências (que é como quem diz, das estatísticas).
As novas oportunidades para todos aqueles que não puderam ou não quiseram na devida altura estudar são bem vindas se servirem para formar, mas serão um erro crasso se apenas se destinarem a encher mapas estatísticos. Mas, sobretudo, o que importa nesta luta por um país melhor, não só em termos académicos, é que se aposte num ensino de qualidade que forme, simultaneamente, profissionais competentes, cidadãos (capazes de efectivamente o serem) e homens e mulheres que coloquem a ética e cultura, como o cimento das suas vidas.
Uma boa educação é aquela que nos permite ajuizar da substância, mesmo nas questões mais complexas e que fogem á nossa área de formação profissional, não nos deixando ir pelo facilitismo das primeiras aparências (não temos que ser profissionais disto ou daquilo para formularmos um juízo, ainda que generalista).
Esta sociedade em que vivemos e que a globalização neo-liberal nos “vende” está errada, quando a propósito de quase tudo fabrica publicidade enganosa.
Os políticos, de plástico, que se vendem como se sabonetes fossem e que assim se deixam vender são sucedâneos de má qualidade do que deve ser o verdadeiro político. São sub-produtos de um tempo e de em sistema que faz regredir a humanidade. Na sua aparência moderna são, verdadeiramente, caducos, porque com eles e a sua pérfida acção a modernidade atrasa-se.
Como de algum modo diz aquele que, é para mim, o político português, do nosso tempo, com maior estatura ética e mmoral, portugal tem muitos problemas. Mas talvez um dos principais seja a falta de decência (de políticas e políticos). Antes da ideologia, que está para a política, como o sal para comida, está a decência e sem decência não há uma verdadeira substância, na política, como na vida de todos os dias..
Venderem-se falsas aparências para mascarar a substância é, assim também, um crime contra a humanidade e os direitos humanos!…
Cabe a cada um de nós ser, verdadeiramente, mais exigente.
Fernando Rocha

0 comentários até ao momento ↓
Ainda não existem comentários a esta notícia, por favor deixe-nos o seu comentário!
Comente esta notícia