Terrenos fragmentados e vantagem para Termas são argumentos
A escolha de Alfeizerão, no estudo de Daniel Bessa, para a construção do Hospital Oeste Norte (HON), teve a ver com a indicação dos terrenos por parte das autarquias de Caldas da Rainha e Alcobaça, e com o entendimento que haverá “vantagem” com a separação das Termas caldenses do actual Hospital Distrital das Caldas da Rainha.
A equipa de Daniel Bessa estudou vários cenários, desde a construção de um único hospital no Oeste, substituindo os existentes, servindo todos os concelhos da região Oeste, nomeadamente Alcobaça, Nazaré, Peniche, Caldas da Rainha, Óbidos, Bombarral, Cadaval, Lourinhã, Torres Vedras e parte do concelho de Mafra, mas igualmente o cenário de duas unidades hospitalares no Oeste, uma a Norte e outra a Sul.
Segundo as conclusões do estudo, a unidade hospitalar do Sul servia os concelhos do Cadaval, Lourinhã, Torres Vedras e parte do concelho de Mafra, para uma população estimada, em 2021, de 159.980 habitantes.
Já a unidade no Oeste Norte, os técnicos desenharam o prolongamento de vida do actual Hospital Distrital das Caldas da Rainha, onde estavam incluídas as populações de Alcobaça, Nazaré, Peniche, Caldas da Rainha, Óbidos e Bombarral, mas também colocaram a hipótese, que acabou por prevalecer, de construção de uma unidade em Alfeizerão para uma população de 177.205 habitantes em 2021 dos concelhos de Alcobaça, Nazaré, Peniche, Caldas da Rainha, Óbidos e Bombarral.
A escolha está relacionada com os terrenos, já que em Alfeizerão foi mostrado aquele que a Câmara de Alcobaça acabou por adquirir recentemente e que tem 11 hectares, mas do lado das Caldas foi apresentado um terreno partido ao meio, que de um lado tinha oito hectares e do outro tinha três hectares, pelo que para os técnicos foi fácil a opção.
Só depois de ter verificado que tinha errado, é que Fernando Costa, presidente da Câmara das Caldas, apareceu com o terreno da Matel, quase um ano depois, já que o estudo de Daniel Bessa, que o JORNAL das CALDAS teve acesso em exclusivo, foi concluído em Abril de 2007.
“A população de Alcobaça é mais elevada mas encontra-se mais dispersa, sendo que a freguesia mais populosa do concelho, Benedita, se encontra na sua parte sul. Consciente desta realidade e da dimensão populacional da sede do concelho vizinho, a Câmara Municipal de Alcobaça oferece um terreno afastado da sede do concelho, a cerca de 15 quilómetros da cidade das Caldas da Rainha, ao qual se encontra ligado por auto-estrada, exigindo um tempo de deslocação que não ultrapassará, em condições normais, os 12 minutos. Acresce que se trata de um terreno excelente, a poucas centenas de metros do nó da A8 e a cerca de 3,5 quilómetros de um centro populacional de alguma dimensão e importância turística como é a freguesia de S. Martinho do Porto. Tudo ponderado, a equipa responsável pela realização do trabalho recomenda que o novo Hospital do Oeste-Norte se localize no terreno identificado pela Câmara Municipal de Alcobaça, no lugar de Alfeizerão”, lê-se no documento.
A escolha de Alfeizerão tem igualmente a ver com uma conversa dos técnicos com os actuais membros do conselho de administração do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, onde falaram da ampliação das actuais instalações do Hospital Distrital das Caldas e da separação do Hospital Termal.
“A confusão de destinos entre o Hospital Distrital e o Hospital Termal (e, com ele, todo o legado, incluindo a água termal, os jardins, a mata, o balneário, as igrejas, os pavilhões e outros edifícios de elevado valor histórico e afectivo para a população da cidade) não se revelou benéfica para as Caldas da Rainha. Umas termas são hoje, em qualquer lugar do Mundo, uma unidade especializada, com vocação predominante para o lazer e para o turismo, pólo de atracção de visitantes, âncora de uma actividade hoteleira com configurações mais ou menos sofisticadas (spa, centro de congressos), podendo incluir, ou não, actividades de prestação de cuidados de saúde especializados, mesmo de índole clínica. Nada disto aconteceu nas Caldas da Rainha, nos mais de trinta anos de vida do Centro Hospitalar actualmente existente, conclusão que se julga decorrente da própria solução implementada, pela enorme diferença de foco e de competências de uma e outra destas duas actividades”, escrevem os técnicos.
“A deslocação do Hospital propriamente dito para cerca de uma dezena de quilómetros a norte da cidade das Caldas da Rainha cria oportunidade, enfim, para a libertação e plena realização de um novo destino para o complexo termal, ou para o legado da Rainha D. Leonor, elemento em que radica a própria povoação, como a população das Caldas da Rainha gosta de enfatizar”, sustentam.
“Esta questão foi discutida com o Conselho de Administração do Centro Hospitalar. A solução poderia passar pela transmissão deste legado a uma Fundação, que por ele, e pelo seu destino, se responsabilizaria integralmente. Entidades como o Património do Estado, o IPPAR, a Câmara Municipal das Caldas da Rainha e outras que se dispusessem a tal, poderiam integrar a Fundação, depois de plenamente esclarecido o património a preservar, e os direitos e deveres que lhe são inerentes; de seguida, a própria Fundação se encarregaria de dar a este património a utilização que tivesse por mais indicada – preservando, se for o caso, a vontade expressa da Rainha D. Leonor de suportar a prestação de determinado tipo de cuidados de saúde à população da região, sem exclusão dos mais carenciados”, sublinham.
A equipa de Daniel Bessa vai ainda mais longe ao afirmar que “a manutenção nas Caldas da Rainha de uma unidade especializada como é um Centro Termal é mais um factor para, por razões de equilíbrio de interesses, preconizar a instalação do novo Hospital do Oeste-Norte no concelho de Alcobaça”.
Nas notas finais do estudo pode ainda ler-se que a curto prazo, o mais que provável encerramento do Hospital Bernardino Lopes de Oliveira, em Alcobaça, e a sobrecarga daí decorrente para o Hospital Distrital de Caldas da Rainha, dão ao Hospital São Pedro Gonçalves Telmo, em Peniche, “uma importância acrescida e talvez mesmo inesperada, já que as suas camas são indispensáveis para cuidados continuados, para medicina interna e para apoio ao bloco operatório para ortopedia, como uma espécie de retaguarda aos serviços similares existentes no Hospital Distrital das Caldas da Rainha”.
Os técnicos julgam que a integração “deverá começar de imediato, sob forma de constituição de um Centro Hospitalar com o actual Hospital Distrital das Caldas da Rainha e com o Hospital Termal Rainha D. Leonor, enquanto não se concretizar a separação, porque dela depende, desde logo, a possibilidade de uma melhoria da prestação de cuidados de saúde em Peniche, tanto no Hospital como no Centro de Saúde”.
Carlos Barroso

1 comentário até ao momento ↓
1 Ninja // Mar 30, 2008 at 10:03 am
Mais uma vez o Sr. Presidente Fernando Costa mandou um tiro ao lado!
Primeiro, deixa-se enganar aquando da construção de um centro tecnologico no Oeste! Este centro so poderia ter dois destinos: Cadaval, que leva com o lixo… e Caldas que tem empresas que podem ocupar esse centro tecnologico! Acabou por ser feito no concelho vizinho!
Agora, mais uma vez, em grande, o Sr. Presidente: O hospital para o concelho vizinho!!! Sim senhor! Porque será que estas situações acontecem???
Eu vejo no Presidente de Óbidos uma “gana”, noção de marketing, e sentido de opotunidade que não vejo no nosso Presidente das Caldas. Estas são as razões que levam a estas situações… é o deixa andar, para ver o que acontece!
E cá para mim o facto do hospital ficar no concelho vizinho, acabou por ser uma resposta fantástica, ao que o Sr. Presidente referiu na TV, aquando da referência á “encomenda de estudos”! (dentro do contexto da OTA)
Ora bem… talvez deveria ter sido o Sr. presidente a solicitar o estudo / parecer, como seria as Caldas a pagar, talvez fosse mais favorável ao nosso concelho! Fois isto que o Sr. Presidente deu a entender para milhões de Portugueses em directo, no programa da RTP1, “prós e contras”.
Se me permite um comentário, Sr Presidente:
Temos muito mais potencial que Óbidos, muito mais potencial que Alcobaça, mas estamos a léguas desses concelhos. Mas não passa de potencial, porque não ninguém capaz de tomar medidas a não ser, “vamos fazer um passeio ali”, e “uma rotunda acolá”. E o turismo? e pior ainda… e a Cultura?
É por “Gap´s” como estes que vamos ficando para tras!
Vamos lá a andar com isto para a frente… eu tenho muito amor ao meu concelho e até concordo com algumas medidas suas, mas na minha humilde opinião, o Sr. presidente precisa ser mais activo, olhar aos interesses do municipio e não da associação de municipios do oeste.
Se assim for… tem todo o meu apoio!!!
Nós primeiro!
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