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Fazer da Linha do Oeste (da sua renovação) uma bandeira

Março 19th, 2008 · Sem Comentários

De tempos a tempos adoçam-nos a esperança ou, por descrença nossa (fartos de “ver passar comboios”), regam-nos a raiva contida.
Falo da linha do Oeste, como não podia deixar de ser, esse sonho de um futuro sistematicamente adiado, por políticos de todos os matizes (sobretudo do “centrão”), vassalos do automóvel, do betão e do cimento, especialistas em transformar sonhos em pesadelos.
O comboio no Oeste (e nas Caldas, em particular) “faz que anda, mas não anda”, ou anda à velocidade de há já dois séculos, para nos fazer desistir da viagem sobre carris e  nos rendermos aos “encantos de sereia do transporte em “coche”, por petróleo puxado (seja o privado pó-pó ou o vulgar “machibombo”).
Esta notícia da renovação da linha e dos comboios (os actuais mais desconfortáveis do que os anteriores) só até Torres Vedras , se por um lado é uma meia boa notícia, de Torres para cima, passando pelas Caldas, cheira de facto a afronta. Bem haja o nosso Vereador e Deputado Galamba pela sua indignação. Espanta-me (apenas no sentido irónico) o ensurdecedor silêncio de outros autarcas do Oeste (e do nosso burgo em particular) que a “estes costumes”, como nos habituaram, pouco mais digam que nada. E que (reconheçam) só coloquem na sua agenda política, a questão da Linha do Oeste, para dar companhia a outras reivindicações, sendo a nossa linha de caminho de ferro, algo que se deixa, sistematicamente, cair em favor de outras prioridades (algumas que discutível acerto).
Conhecendo, como conheço, os dois líderes autárquicos, de Caldas e de Óbidos, tenho a certeza, de que pela sua força e prestígio, se quiserem, se se empenharem por esta causa, teremos no Oeste (nas Caldas e em Óbidos) não o comboio do futuro, mas o comboio do presente; um presente que já é passado, porque isto era para ontem e não para hoje!…
E por favor não deixem vozes, como a minha, a pregar no deserto, continuando a viajar no desconfortável comboio do nosso descontentamento!
Apetecia-me dizer-lhes para pedirem o impossível, já para amanhã – um “pendular” entre Coimbra ou Figueira e Lisboa; mas, sendo mais comedido, peço-lhes apenas que exijam a duplicação da linha e que, para já, reduzam o tempo de viagem até Lisboa e reformem o desconforto de umas carruagens, tipo terceiro mundo, travestidas de modernas.
Senhores dos vários poderes, vós que o tendes utilizai-o em defesa da vida, que é como quem diz do ambiente saudável, da paisagem e, assim sendo, do futuro. Não basta fazer só leis anti-tabágicas (em nome da saúde) se o vosso órgão decisório (o conselho de Ministros) ao anunciar mais troços de auto-estradas, anunciam mais doença. Doença que polui os ares, como polui a esperança de transmitirmos a filhos e netos um país mais sadio e, consequentemente, com mais futuros.

Fernando Rocha

Tags: Opinião

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