No passado dia 6, pelas 21h30, no centro da cidade das Caldas da Rainha, 470 professores concentraram-se para protestarem contra a política do Ministério da Educação. Sábado, em Lisboa, foi a prova de fogo. Segundo dados da Direcção Regional do Oeste do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), 238 docentes das Caldas da Rainha encheram os 4 autocarros em rumo a Lisboa, onde se juntaram aos milhares de docentes de todo o país. A medida implementada pelo Ministério da Educação para avaliar os professores e também o estatuto de professor titular, são dois dos grandes motivos de contestação.
“A manifestação foi um espectáculo. Não podia ser melhor. Realmente as pessoas estavam muito descontentes, mas ao mesmo tempo felizes porque conseguimos provar à opinião pública que, além de sermos unidos, estamos descontentes com que está a acontecer com a educação e com o ensino público em Portugal. Conseguimos passar essa mensagem com a nossa presença”, disse uma professora primária das Caldas da Rainha, que preferiu não identificar-se, no regresso da Marcha da Indignação, que, ao longo de mais de três horas, encheu as ruas de Lisboa, do Marquês de Pombal ao Terreiro do Paço.
“Em causa estão todos os decretos que têm saído, nomeadamente do estatuto do aluno, a gestão escolar, o novo diploma de educação especial, a integração dos deficientes, se fossem insignificantes não teríamos feito uma manifestação com a presença de 100 mil pessoas”, adiantou a docente.
Segundo dados de Cremilde Canoa, da Direcção Regional do Oeste do SPGL, para a Marcha da Indignação dos Professores, realizada em Lisboa no dia 8 de Março, saíram de Caldas da Rainha 4 autocarros (238 professores), de Peniche um (55 docentes) e do Bombarral também um autocarro com 58 professores, não esquecendo aqueles que foram de viatura própria ou outros transportes públicos.
Para esta dirigente, “foi realmente uma prova de que os professores estão descontentes com as políticas da Ministra de Educação”. De acordo com Cremilde Canoa, os professores vão continuar a manifestar preocupação e indignação com a actual situação que se vive na Educação, anunciando desde já uma Semana Nacional de Luto nas Escolas nesta última semana de aulas, a aprovação de “Tomadas de Posição” nas escolas, ao longo da Semana de Luto, a entrega ao Governo, no primeiro dia de aulas do 3º período de um Abaixo-Assinado e a promoção, ao longo do 3º período, das “Segundas-feiras de Protesto”, como forma de iniciar cada semana de trabalho, marcação de um Dia D, de Debate, no 3º período, e promoção de uma Campanha em Defesa do Horário de Trabalho, com a distribuição de esclarecimentos e minutas.
Cremilde Canoa considera que o Estatuto da Carreira Docente, em vigor desde Janeiro de 2007, “foi o principal pilar de toda uma desestruturação do sector, com a introdução da avaliação do desempenho dos professores e o novo modelo de gestão nas escolas”.
Um movimento de professore do concelho das Caldas da Rainha organizou um protesto contra a política do Ministério da Educação, que concentrou no passado dia 6, pelas 21h30, na Praça da Fruta, 470 professores. “Está na hora, está na hora, de a ministra ir embora”, foi a melodia de fundo desta marcha que passou pela Rua das Montras, seguindo para a Rua Heróis da Grande Guerra, terminando em frente ao edifício da Câmara Municipal.
“Não somos contra as avaliações do desempenho dos professores. Somos contra a forma como está a ser lançado o processo”, afirmou Conceição Antunes, 35 anos, professora de Inglês/Português, de Caldas da Rainha, durante a vigília que teve lugar nas Caldas.
“Estou completamente solidário com os professores. Votei neste Governo, mas se pudesse voltar atrás…”, palavras de José Pimpão, presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Raul Proença em declarações à revista Visão, dizendo que a Ministra de Educação é “inflexível e autoritária”.
Marlene Sousa

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