Homem que matou filho da ex-companheira vai ser julgado no Bombarral
28-10-2010 |
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| Homem que matou filho da ex-companheira vai ser julgado no Bombarral |
Um homem que matou o filho da sua ex-companheira, em Dezembro do ano passado, no Bombarral, encontra-se em prisão preventiva em Leiria e vai ser julgado no tribunal local pelo crime de homicídio, tendo sido afastada a suspeita de crimes de violência doméstica e ameaça. O juiz de instrução alegou não haver indícios da sua prática, o que motivou um recurso por parte da defesa da família da vítima, que aguarda ainda parecer do Tribunal da Relação de Lisboa.
Ana Maria, 66 anos, viúva, temia um desfecho trágico e por isso já tinha apresentado queixa à GNR do Bombarral das várias ameaças de morte alegadamente proferidas pelo ex-companheiro, dirigidas a ela própria, ao seu filho e à mãe, de 86 anos.
Hermando Rebelo Luís, 73 anos, empresário agrícola no Vilar, Cadaval, disparou dois tiros contra Paulo Lopes, 39 anos, filho de Ana Maria e fugiu às autoridades, só se entregando três dias depois. Seria detido pelo Departamento de Investigação Criminal de Leiria da Polícia Judiciária, junto ao escritório do seu advogado, com quem já tinha combinado entregar-se às autoridades. Nos três dias em que esteve em fuga, refugiou-se em casa de familiares, mas na última noite pernoitou na sua casa, em Vilar, onde a PJ apreendeu uma caçadeira.
A arma usada no homicídio, uma pistola de calibre 6.35 milímetros, foi apreendida pelos inspectores, bem como a viatura usada pelo indivíduo para a fuga.
Várias pessoas amigas relataram que as ameaças de morte já vinham da altura em que Ana Maria rompeu o relacionamento amoroso, um ano antes, o que teria deixado Hermando Luís inconformado.
Não desistiu e tentou a todo o custo reatar a relação, mas Ana Maria não quis. Foi então que começaram os problemas. Paulo Lopes, ao aperceber-se da angústia da mãe, resolveu confrontar o homem e avisá-lo para a deixar em paz.
Para além da divergência amorosa, havia um contencioso por causa do pagamento de trabalhos de limpeza de um terreno pertencente à mãe de Ana Maria, junto à sua casa, em Casalinho, Bombarral, onde a empresa agrícola de Hermando Luís efectuou serviços.
As relações azedaram ao ponto das discussões acabarem em insultos e alegadamente em ameaças de morte. O indivíduo teria inclusive feito disparos junto à casa da ex-namorada, versão que o juiz de instrução não validou.
O idoso terá seguido Ana Maria até ao supermercado Mini Preço, no Bombarral. À saída do estabelecimento encontraram-se os três – Ana Maria, o filho e o ex-companheiro. Ana Maria tinha-se apercebido da presença de Hermando Luís e telefonou ao filho, que em poucos minutos chegou ao local.
Paulo Lopes saiu do seu carro e aproximou-se de Hermando Luís, que parara o seu Volvo atrás do Mercedes de Ana Maria. “Desaparece. Sai da nossa vida. Deixa-nos em paz”, gritou para o interior do carro do idoso, que estava ao volante. A resposta foram dois tiros de pistola, a menos de um metro de distância, que atingiram mortalmente Paulo Lopes no pescoço.
Francisco Gomes
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