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23-02-2012 Caldas da Rainha, Ocorrências
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Mecânico de Óbidos morto com um tiro em Angola

Mecânico de Óbidos morto com um tiro em Angola Mecânico de Óbidos morto com um tiro em Angola
“O meu irmão dizia tantas vezes que lá eram todos seus amigos e que não havia ninguém que não gostasse dele e não o protegesse. Afinal, acabou por ser morto por duas pessoas de lá”. O desabafo de Zélia Aleixo faz aumentar da dor da perda de um mecânico português, natural da freguesia de Santa Maria, em Óbidos, assassinado a tiro em Luanda, Angola, no passado dia 13, quando tentava impedir o furto de um jipe da empresa em que trabalhava. Eram 14h30 quando “saiu com um colega para desempanar um camião e levaram o carro da empresa. Quando estava no local, alertado por barulho, surpreendeu dois homens a assaltarem o jipe, mas não teve tempo para nada. Mataram-no com um tiro no queixo, à queima-roupa, e fugiram com o carro”, contou a irmã de Fernando Eduardo Alves Aleixo, de 44 anos. Encontrava-se há seis anos em Angola. Trabalhava como mecânico de maquinaria pesada numa empresa de construção civil, aluguer de equipamentos e metalomecânica – a Clamajor, Lda – com sede na Zona Industrial de Viana, em Luanda. Estava em Angola com esposa, Sandra Almeida, de 43 anos, e um dos filhos, Ruben, de 21. Os outros dois filhos, Filipe, de 17, e Catarina, de 13 anos, vivem com os avós maternos em Portugal, na aldeia do Campo, nas Caldas da Rainha. “Ele estava feliz da vida, gostava de lá estar. Estava realizado. Ganhava bem e tinha adquirido uma casa na semana passada, com quartos para cada filho”, revelou Zélia Aleixo. A familiar não esquece o que Fernando lhe relatava sobre as condições de segurança no território: “Dizia que via mortos na borda de estrada e que ficavam lá horas, mas não tinha medo”. As autoridades angolanas estão no encalço dos assaltantes e homicidas, mas até ao momento ainda não foi comunicada nenhuma detenção. Estão a ser feitas diligências para a trasladação do corpo do português. O funeral só deverá ocorrer dentro de dias, no cemitério da freguesia de Santa Maria.   Outros portugueses assassinados   A Polícia Nacional em Luanda assegura que não há nenhum ataque específico à comunidade portuguesa, revelando que no início da semana passada houve 4 furtos de viaturas ligeiras nos municípios de Viana e Luanda (distritos urbanos da Maianga, Rangel e Sambizanga), sendo que em alguns casos com ameaça de morte aos seus ocupantes. Para além do homicídio do obidense houve outras duas tentativas de homicídio, com disparos, praticados por desconhecidos no município de Viana e distritos urbanos do Kilamba-Kiaxi e Samba. As forças da ordem registaram, igualmente roubos de artigos diversos e valores monetários na via pública e interior de residências e viaturas, ofensas corporais e ameaças de morte em Viana, Cacuaco e distritos da Samba, Sambizanga, Kilamba-Kiaxi e Maianga. Consideraram, por isso, ser uma coincidência a morte de mais um português, o terceiro em três meses. Em finais de novembro, David Ventura, empresário português na área da segurança, foi assassinado a tiro na zona de Benfica, em Luanda, por dois indivíduos que se preparavam para assaltar a residência da vítima, que ali se encontrava desde 1998. Lá conheceu a mulher, russa, que já tinha três filhos, e casaram-se. No início de novembro um outro português, também empresário, foi assassinado quando chegava ao escritório, em Luanda. José António Monteiro Gomes, dono da Angolex, uma empresa dedicada à importação e exportação de vários produtos, tinha 82 anos e foi executado a tiro à porta do seu escritório. Os homicidas não roubaram quaisquer valores à vítima.   Francisco Gomes             À espera de notícias   Fernando Aleixo tem uma vivenda no Carregal, em Óbidos. No Arelho, aldeia vizinha, moram os pais e as duas irmãs. A família está concentrada para receber notícias de Angola e saber quando o corpo virá para Portugal.   Família empregada   A viúva do português nasceu em Angola e veio para Portugal aos cinco anos. Trabalha como administrativa num escritório em Luanda. Ruben Aleixo, o filho que vivia com o casal, labora numa loja de peças de carros.   Colegas tristes   António José, amigo e colega de trabalho de Fernando, manifestou, em nome dos restantes funcionários, que “é com muita mágoa e tremenda tristeza que vamos ter de enfrentar esta situação, que ainda não acreditamos mas sabemos que aconteceu”. “Eras mesmo um homem bom, de ti só guardamos boas recordações”, foi mensagem que lhe dirigiu.    
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