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Sociedade, Caldas da Rainha
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Histórias da Guerra Colonial

30-12-2009 |

Histórias da Guerra Colonial
Histórias da Guerra Colonial
Fadista obidense aprendeu a cantar no Ultramar Guerra 1Fernando Manuel Gonçalves de Sousa é natural de São Pedro, em Óbidos. Tirou o curso industrial, ficando com o 11º ano incompleto. Aos 17 anos foi desenhador de moldes, na Rol, nas Caldas da Rainha. Foi em Moçambique, onde cumpriu uma da duas comissões de serviço militar durante a Guerra Ultramarina, que começou a gostar e aprendeu a cantar. Nos tempos livres dedica-se ao fado e já lançou um CD. Hoje, aos 58 anos, vive em Óbidos Entrou na Força Aérea aos 19 anos, antes de ser chamado a prestar serviço militar. Escolheu ser voluntário e procurou fazer uma especialização que pudesse depois aproveitar para a vida profissional com os conhecimentos que adquirisse. Fez a recruta na Base Aérea da Ota (BA2) e depois um ano na especialidade de mecânico de material aéreo (MMA). Como 1º cabo, partiu para Moçambique a 17 de Janeiro de 1972. A missão não era combater, mas fazer a manutenção de aviões. Esta especialidade fazia com que os seus camaradas se dividissem e não pertencessem a nenhuma companhia. Destaca dois camaradas - José Alberto Leal Correia e João Diogo Cabedo Simas. Mais sorte, aponta, tiveram Daniel Rabiais e Noel Bracinha, que foram para tripulantes de um Boeing 707, um modelo que estava na moda. A chegada à base AB7 de Tete marcou-o. “O cenário era de guerra. A base era importante, porque dava apoio ao Exército e estava toda vedada. Os T6, aviões de caça a hélice, iam largar umas ‘ameixas’ para defender Cabora Bassa”, relata. “Os aviões Fiats e os T6 estavam todos encaixados dentro de uma parede de bidões, cheios de areia. Era a protecção por causa dos ataques de bombas e morteiros, mas enquanto lá estive a base nunca foi atacada”, faz notar. “Já o mesmo não posso dizer de acidentes. Houve duas baixas com os DO27 (diminutivo do modelo Dornier). Não era um avião de caça, mas de passageiros e para levar correio e alguma carga. Um camarada que desempenhava a mesma função do que eu morreu dentro do avião, juntamente com o piloto, num acidente no mato”, conta Fernando Sousa. Em Moçambique nunca chegou a voar. “Num dos períodos de tempos livres fui assistir pela primeira vez na minha vida a uma noite de fados. A música entrou-me nos ouvidos e mais tarde, em Angola, experimentei cantar”, recorda. O período de permanência em Tete foi encurtado, porque meteu os papéis para o curso de sargentos e veio para a metrópole frequentá-lo na Ota, em Setembro de 1972. Tirou depois em Alverca, nas Oficinais Gerais de Material Aeronáutico, um curso de manutenção de helicópteros Alouette III. Em Outubro do ano seguinte, como furriel, foi para Angola, destacado para o Luso, onde estava a Unita, ou seja, na toca do lobo. A responsabilidade era outra. Ia fazer a manutenção dos helicópteros que efectuava a largada de tropas especiais – pára-quedistas e comandos. “Partíamos às quatro e meia da manhã e geralmente íamos em grupos de seis ou sete helicópteros, com cinco militares cada, e só um deles tinha um canhão. Aí os mecânicos estavam armados com pistolas, porque com G-3 não dava jeito”, indica. “Chegámos a apanhar alguns sustos de avarias durante os voos, mas era para isso mesmo que cada helicóptero levava um mecânico. Os pilotos colocavam-nos a aprender algumas coisas básicas para que se fosse necessário soubéssemos aguentar o helicóptero e pousá-lo em caso de emergência. Chegámos a ver furos no helicóptero, sem saber como aconteceram. Eram buracos de tiros de espingarda”, refere. Como o aeródromo de recurso do Luso, que pertencia à base de Henrique Carvalho (AB4) era pequeno, os sargentos ficavam na cidade. Fernando Sousa partilhava a casa com o furriel Gamboias, que cantava fado, e com o furriel Pinheiro, que tocava viola.”Fizemos lá uma “república” e começámos a ensaiar e a cantar para os civis. O fado preenchia-lhes a alma. Mais tarde quando regressei a Óbidos, dediquei-me a cantar em casas de fado e recentemente lancei um CD”, declara. A 17 de Fevereiro de 1974, numa viagem a Cazombo para fazer um transporte de tropas, no helicóptero em que seguia acendeu uma luz avisadora de falta de pressão de óleo. Se tal fosse uma realidade, só teria 60 segundos para aterrar, porque depois o helicóptero começava a andar à roda e ficaria descontrolado. “Eu e o piloto éramos os únicos ocupantes e só pensámos em aterrar depressa, mas não havia sítio, porque estávamos em cima de árvores. Na aflição não contámos o tempo, mas apercebemo-nos de que o tempo tinha-se esgotado e ainda estávamos a sobrevoar a área para pousar, o que fizemos pouco depois”, recorda. Afinal, não era um problema mecânico. Era um mau contacto eléctrico que fez accionar a luz. “Felizmente que eu ia com um piloto experiente, que conseguiu manter a calma. Mas eu já me tinha despedido da família naquela altura, a pensar no pior. Nunca mais me esqueci desse dia”, lembra Fernando Sousa. A casualidade ou sorte fez com que no dia em que eu estava à espera de um avião que o levasse a Luanda para ir um mês de férias para a metrópole, no final de Março de 1974, não tenha presenciado ou estado envolvido num acidente entre dois helicópteros e que matou cinco colegas seus. Um helicóptero que andava numa das nossas habituais operações teve de parar por causa de uma avaria, pousando no solo, enquanto os outros que o acompanhavam andavam em círculo para vigiar a área. Só que dois Alouettes chocaram no ar e morreram o comandante Capitão Baptista, que era o responsável do aeródromo de recurso do Luso, o alferes Moutinho assim como três tripulantes cabo especialistas. “Fiquei horrorizado com a notícia. Se eu não estivesse para vir para a metrópole teria feito parte da operação como mecânico”, sustenta. O acidente não fez cancelar a sua viagem e em Portugal acabou por viver o 25 de Abril. Quando regressou a Angola, dias depois, o pessoal estava ávido de notícias sobre o que se tinha passado. Com a Revolução, passado pouco tempo acabaram as operações e só voava para fazer contactos com as tropas de Savimbi. Acabou mais cedo a comissão e em Novembro de 1974 voltou para casa. Quando deixou a vida militar, trabalhou na empresa Bento da Silva, como mecânico de automóveis, onde permaneceu cinco anos. O ex-militar casou-se com 25 anos e tem uma filha de 32 anos e uma neta com 14 meses. No início da década de 80 lançou-se por conta própria como desenhador de construção civil. Actualmente gere o gabinete de projectos e consultoria de engenharia Ábaco Verde nas Caldas da Rainha e tem uma loja de ginjinhas em Óbidos, concelho onde já foi vereador na Câmara Municipal. Francisco Gomes
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