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06-01-2010 Óbidos, Política
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Jerónimo de Sousa nos 50 anos da fuga do forte de Peniche

Jerónimo de Sousa nos 50 anos da fuga do forte de Peniche Jerónimo de Sousa nos 50 anos da fuga do forte de Peniche
O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, participou no passado domingo nas comemorações do 50.º aniversário da fuga dos presos políticos da Fortaleza de Peniche, afirmando a “necessidade cada vez mais imperiosa de relembrar a resistência anti-fascista enquanto momento maior da história da luta do nosso partido e do nosso povo”. Centenas de militantes assistiram à cerimónia, que incluiu uma visita guiada ao Forte de Peniche com alguns dos dez presos políticos que protagonizaram a fuga de 3 de Janeiro de 1960 e com Eugénia Cunhal, irmã de Álvaro Cunhal, seguindo-se uma sessão no Auditório Cultural da Câmara Municipal, com a participação do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa. A solidariedade com os presos políticos do Forte de Peniche foi uma das marcas das comemorações, em que participaram ex-prisioneiros de outras prisões políticas, e que terminaram no auditório municipal, onde o PCP homenageou publicamente os dez protagonistas da "fuga histórica”: Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Miguel, Francisco Martins Rodrigues, Guilherme Carvalho, Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares e Rogério Carvalho. "Assistimos, hoje, a uma poderosa operação de branqueamento do fascismo", manifestou Jerónimo de Sousa. Cinquenta anos depois da fuga de Álvaro Cunhal e outros nove presos políticos do Forte de Peniche, o PCP diz que se pretende “reescrever a história” e deturpar o papel dos comunistas na luta anti-fascista. Uma opinião partilhada por alguns dos ex-presos políticos. Joaquim Gomes recordou que "no tempo do fascismo, a PIDE (polícia política) inventou que tinha sido com a ajuda de um submarino soviético, desvalorizando o papel do partido e o nosso". "E já depois do 25 de Abril esteve muito tempo junto ao parlatório um retrato de Mário Soares, que nunca esteve em Peniche", acrescentou. Joaquim Gomes, Jaime Serra e Carlos Costa, três dos dirigentes do PCP que se evadiram naquela data, recordaram a fuga que começou a ser preparada um ano antes e que contou com a participação de um soldado da GNR. No antigo recreio dos presos, Joaquim Gomes recordou a primeira conversa tida com Álvaro Cunhal e Jaime Serra, para "analisarmos se seria possível fugir e, depois de pensarmos durante dois ou três dias, dizermos uns aos outros as conclusões a que havíamos chegado". Ao fim de três dias "todos tínhamos chegado à mesma conclusão", recorda Joaquim Gomes: "A de que era essencial termos ajuda de um GNR". José Alves, um agente insatisfeito por não progredir na carreira, acabou por ser cúmplice dos prisioneiros no plano. No fim da tarde de 3 de Janeiro pára em frente ao forte um carro com o porta-bagagens aberto. Era o sinal de que do exterior estava tudo a postos. Quem deu o sinal foi o actor, já falecido, Rogério Paulo. O guarda do piso foi neutralizado com clorofórmio e com a ajuda de José Alves os fugitivos passaram, sem serem notados, a parte mais exposta do percurso. Estando no piso superior, descem para o piso de baixo por uma árvore. Daí correm para a muralha exterior para descerem, um a um, através de uma corda feita de lençóis para o fosso exterior do forte. Tiveram ainda que saltar um muro para chegar ao local onde automóveis os aguardavam para os levarem para casas clandestinas, onde ficaram acolhidos. Foi considerada uma das fugas mais espectaculares da história do Estado Novo, em plena ditadura de Salazar, principalmente por o Forte de Peniche ser uma das prisões de mais alta segurança da época. A evasão foi um drama para Salazar, sofrido quase em silêncio nos primeiros dias. A fuga não foi noticiada e só se tornou do conhecimento nacional com o passar de muitas semanas. A excepção na imprensa nacional foi o órgão oficial do PCP, o Avante!, que na edição de 16 de Janeiro titula bem grande: "O nosso povo saúda a libertação de Álvaro Cunhal e dos seus companheiros". Reflexo da reacção imediata da PIDE, o subtítulo de o Avante! é claro: "Defendamo-los das investidas do inimigo!". E não era para menos, pois o que estava escrito no artigo partidário era muito próximo da realidade: "Salazar mobilizou todo o seu aparelho repressivo para tentar recapturar os fugitivos". A seguir à fuga do Forte de Peniche, o efectivo policial revirou o País em busca dos dez militantes do PCP. A PIDE liderava a rusga nacional e todas as forças de cariz policial participavam em detenções e interrogatórios, revistas de casas suspeitas e uma repressão como nunca acontecera, de modo a conseguir recapturar os evadidos. Os primeiros a sofrer foram os comunistas que ficaram em Peniche, a família do GNR conivente foi interrogada mas as pistas foram insuficientes para descobrir o paradeiro dos dez. A planificação meticulosa da evasão permitiu que os fugitivos fugissem rapidamente do local. Álvaro Cunhal passou essa noite na casa de Pires Jorge, em São João de Estoril, onde permaneceria por algum tempo. Após várias mudanças de residência em Sintra, Ericeira, Amadora, Coimbra e Porto -, é eleito secretário-geral do PCP e exila-se em Moscovo e depois em Paris. Regressaria a Portugal depois do 25 de Abril de 1974.   Pousada com 70 quartos na Fortaleza   O Turismo de Portugal tenciona criar uma pousada na Fortaleza de Peniche com mais do dobro dos quartos inicialmente previstos. O presidente da câmara de Peniche, António José Correia, disse à agência Lusa que a Enatur, responsável pela construção das Pousadas de Portugal, mostrou recentemente interesse em vir a criar "70 quartos em vez dos 30" na futura pousada em que deverá ser transformada parte da fortaleza da cidade. De acordo com o autarca, citando as justificações dos promotores, só com esta dimensão o investimento teria rentabilidade.
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