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16-04-2008 Opinião
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Educação: Que país, que pais?

O país acordou da letargia, entrou em choque. Estava lá tudo no Youtube, sem margem para dúvidas: uma autêntica guerra entre professora e aluna com agressões, palavrões, gargalhadas e filmagens. Tudo isto numa escola secundária de um país europeu: Portugal. Parece que acordámos para um pesadelo do qual não tínhamos noção. Povo adormecido teima em não ver o que não quer, em adiar tarefas, em não fazer o que lhe compete. Somos bons e notados fora de Portugal, mas qual "macumba" que nos amaldiçoa há anos, dentro de Portugal limitamo-nos a ser os mesmos de sempre: de brandos costumes, indiferentes e uns eternos queixinhas, nada fazendo para mudar a situação. Queixamo-nos do poder político e somos nós que elegemos os políticos. Dizemos que é preciso mudar e somos os primeiros a refilar aos primeiros sinais de mudança. Queremos escolas eficazes e eficientes mas somos os primeiros a desautorizar os professores e a darmos guarida à má-criação dos filhos. Somos mal-educados, egoístas e presunçosos. Pertencemos a um grupo de elite (a Comunidade Europeia) mas temos mentalidade muito atrasada com comportamentos nada abonatórios para um povo dito civilizado. Temos professores que se demitem da sua missão de educar, deixando tal tarefa para os pais, e limitando-se a debitar informação. Temos pais que se demitem da sua missão de educar, deixando tal tarefa para os professores, limitando-se a dar-lhes alimentação, agasalho e… telemóveis topo de gama. Temos alunos, crianças, jovens, que andam perdidos, sem autoridade em casa e sem autoridade nas escolas. Não têm idade para mandar, mas mandam nos pais e mandam nos professores. Têm idade para obedecer, mas não obedecem nem aos pais nem aos professores. É inadmissível como é que alunos têm comportamentos execráveis nas escolas e todos fingem que tais atitudes são normais. È inadmissível ver a Ministra da Educação dar a entender que as declarações do Procurador-Geral da República que enfatizava a necessidade de dar prioridade a estes pequenos crimes são quiçá empoladas. Nas escolas vive-se uma paz podre, onde não há condições para educar nem para ensinar pois não há disciplina, nem meios correctivos ao dispor de quem deve exercer essa disciplina. Os problemas começam cada vez mais cedo, com crianças de 6 anos, no 1º ano a terem atitudes violentas, agressivas, mal-educados, gerando nos colegas a sensação de impunidade. Os pais demitem-se da sua tarefa, os professores desautorizados não têm mecanismos para exercer a autoridade e as salas de aulas tornam-se num tormento para todos. Até quando? Que país é este? Que pais são estes? Zé dos Anzóis
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