| 15-02-2012 |
Sociedade, Óbidos |
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Raul Gomes
Raul Gomes
Faz programa de rádio sobre motos há 12 anos
O programa de rádio Motard FM surgiu em maio de 2000 na Rádio Litoral Oeste (RLO), de Óbidos. Instrução de condução automóvel, Raul Gomes é o produtor. Segundo aponta, os motards não são os “maus da fita” como a maioria das pessoas os vêem.
JORNAL DAS CALDAS: Como surgiu o Motard FM?
Raul Gomes: O Motard FM nasceu com o objetivo de tornar os eventos de mototurismo mais visíveis a quem os gosta de frequentar. Naquele tempo apenas existiam duas revistas que traziam alguma informação mas aconteciam muitos eventos (ditos pequenos) dos quais não se sabia nada. Curiosamente, durante um passeio até Rio Maior, deparei-me com a concentração motard local. Nessa altura pensei, uma vez que já tinha moto, gostava dos eventos e estava ligado à rádio desde 1993, porque não juntar o útil ao agradável? Nesse dia, apresentei a proposta à direção da RLO e foi bem acolhida. Estávamos em maio de 2000. Desde aí tem sido sempre a crescer. Fazemos deslocações pelo país em reportagem para depois dar a conhecer, há divulgação de eventos (encontros motard, concentrações, aniversários de motoclubes, passeios mototuristicos, encontros de motas antigas, etc). Desde o início, optei por deixar a componente desportiva de fora, uma vez que, há publicações específicas e muito mais profissionais a fazer isso.
Foi criada uma página específica na Internet…
Há mais ou menos três anos, com uma grande ajuda de um dos diretores da RLO (Armindo SImões), “meteu-se na rede” o sítio www.motardfm.org que, basicamente, é um complemento ao programa de rádio e – como a RLO tem sintonia regional (91.0 FM) – ajuda a chegar a emissão mais longe via Internet. Além dos ouvintes poderem ouvir a emissão, dispomos de uma sala de conversa própria onde se juntam os amigos (são mais do que simples ouvintes) que nos fazem companhia de todos os pontos do país e do estrangeiro.
A que horas e dias são as emissões?
- Quintas, das 22 horas à meia-noite (por vezes até à uma hora da manhã), mas pode-se voltar a ouvir as emissões passadas no sítio na Internet.
Quem compõe a equipa?
Já tivemos vários colaboradores mas, presentemente, a equipa é composta por mim (Raul Gomes) na locução, produção e reportagem, Silvana Grave (reportagem e voz off mas preciosa durante a emissão), Nelson Nunes (locução e reportagem) e Armindo Simões (parte técnica e a parte complicada do sítio na Internet).
Os membros da equipa também são motards?
Eu sou (tenho uma Pan European 1100), a Silvana é a minha “pendura” e o Nelson tem um “ferro” (Kawasaki 800). O único que não é motard é o Armindo.
Que tipo de música é que os motards gostam de ouvir?
Desde rock “leve” a “pesado”, passando por música de dança até música brejeira. Depende dos locais e do estado de espírito. No Motard FM vou ao encontro dos gostos dos ouvintes, mas nas animações tenho de ver “onde estou” para escolher as músicas e as brincadeiras que uso.
E nas concentrações, como é o espírito?
Há muitos ambientes diferentes mas, no geral, há muita camaradagem, convívio, troca de experiências, novas amizades que nascem, divertimento, copos (claro) mas acima de tudo um salutar sentimento de união entre a esmagadora maioria dos participantes motards.
Como se pode descrever os motards portugueses?
No geral, não são os habituais “maus da fita” como os pintam a maioria das pessoas. Há de todos os tipos, desde aquele que tem a mota impecavelmente limpa e que dá a sua voltinha de fim de semana quando há bom tempo, até aquele que faz 90% da sua vida de mota. Pode-se encontrar motards das mais diversas profissões, desde juízes a varredores de rua (no meu caso concreto, sou instrutor de condução automóvel). Uma característica a salientar: o espírito de entreajuda e de solidariedade que existe entre nós. Já demos várias provas disso em diversas ocasiões, seja para ajudar alguém individualmente, seja de forma coletiva.
Como responde às pessoas que consideram que os motards são pessoas inconscientes, que não respeitam as regras?
Diria que, por vezes, essas pessoas têm razão e que há casos em que quem anda de mota é algo inconsciente mas, na esmagadora maioria, quem anda de mota respeita e é muito mais cuidadoso pelo facto de andar mais exposto aos perigos rodoviários. Noto que cada dia parece ser mais arriscado andar nas estradas pela irresponsabilidade de muitos condutores (de duas e quatro rodas). Quanto às regras da sociedade, somos como todos…uns respeitam e outros não.
O que é, para si, ser motard? Será mais do que ter uma mota…
Como alguém diria, “se eu conseguisse explicar, você não iria entender…”. A sério, é mesmo uma questão de gostar de liberdade, de levar com vento na cara (e por vezes alguma porcaria…) e gosto por viajar sem estar dentro de latas, parar em quase todos os lados e poupar no combustível. Ser motard é um estilo de vida diferente e não é só andar vestido de cabedal e usar barba comprida.
Francisco Gomes
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